Prefácio do livro O Pacto, de George dos Santos Pacheco


 
É um autor em ebulição. Quem leu Uma aventura perigosa (Buriti, 2015), agora, com a oportunidade de ler O pacto (2017), perceberá o salto que George dos Santos Pacheco deu em sua empreitada infatigável pelo terreno da ficção, no caso, do romance, forma literária em que a imaginação de um escritor é colocada à prova, e, nesse desafio, o autor levou a melhor.

Se no romance anterior a estrutura simples não comprometia a narrativa, e mesmo ali a imaginação impunha-se já panorâmica, neste, o leitor de George irá se deparar com um autor esforçando-se para encontrar a melhor maneira de contar sua história, e ele, claro, a encontra ao dar voz não apenas ao narrador personagem tradicional, mas a dois personagens, que, cada um a seu tempo, conduzirão a narrativa, como orienta a cartilha da pós-modernidade, e é aí, justamente, que George acerta.

Um pouco de enredo? Um anti-herói depara-se diante de ninguém menos do que o próprio Capeta. É que Théo, personagem principal, não é flor que se cheire e, num acórdão com o Beiçudo, regressa da morte desmemoriado e, então, traz o leitor para dentro de sua vida. Como a memória dele está em pane, as coisas vão acontecendo sem que ele e o leitor possam entender bem quem é esse personagem-narrador em busca de saber exatamente quem é. Como um quebra-cabeça, as peças só vão encaixar-se lá pelo fim da segunda parte do romance, quando entra, então, Bidu, o segundo personagem-narrador de O pacto.

As cenas de sexo estão de volta, mas não tão explícitas como no romance anterior. Ménage à trois, chifres, estupros, pedofilia têm seu lugar em O pacto, nem sempre de forma gratuita, mas percorrendo um dos caminhos da literatura contemporânea em que o sexo é menos sugerido e mais levado ao primeiro plano narrativo, sem pudor, sem censura, escancarando-o. Nenhum demérito, mas o contrário: banir o sexo da literatura seria insistir em um comportamento vitoriano que não diz muito a um século XXI em que o sexo é esmiuçado com um único clique; a internet está aí, e não há por que torcer o nariz para o sexo que, até então, na literatura, vinha escondido lá em meio as lianas narrativas em que muitos leitores nem sequer o percebiam. Por que não lembrar da cena de sexo oral de Basílio em Luísa ou das travessuras, digamos assim, de Bovary e de Belle de Jour? 

Mas o autor não precisa de sexo para fazer o leitor atravessar seu livro de um lado a outro. O enredo encarregou-se disso. Desde Aristóteles, as peripécias são reconhecidas por suas surpresas, e a coisa não poderia ser diferente aqui: do contato de Théo com – com Houaiss, tome nota – Azucrim, Canheta, Coisa à toa, Mofento, Pé-cascudo, Pé de cabra, Pé de gancho, Pé de pato, Rabudo, Romãozinho, Sapucaio, sim, o Mofino tinhoso, até as máscaras que vão caindo, uma a uma, a narrativa segura-se, deslizando suave como um carrinho de rolimã ladeira abaixo. E nós, apoiando-nos confortáveis, anexados ao brinquedo, de capacete e tudo, vamos descendo a ladeira com George, para depois subir e novamente descer, e subir, num ritmo sempre capaz de fazer os leitores voltarem ao ponto onde pararam a fim de descobrir cada vez mais o que fez Théo antes de perder a memória.

Palmas ao autor, que com O pacto demonstra claramente o que é o passo adiante dado na carreira de um escritor que, sempre insatisfeito, buscará a forma mais adequada para expressar o que pretende contar debaixo do véu artístico da ficção, algo que só o romance é capaz de oferecer a um artista – como o George, o romancista em ebulição por trás deste livro que você, leitor, tem em mãos. Boa leitura!
Renato Alessandro dos Santos

Serviço:

O Pacto, de George dos Santos Pacheco
Clube de Autores
301 páginas
R$ 36,32

Lançamento: 04 de abril, às 18 horas

Onde: Cafeteria Grão Café. Rua Monte Líbano, 34, Centro – Nova Friburgo – RJ
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Livro “Jaceguai, 27” narra importante capítulo da MPB


 - Sarau em São Pedro da Serra lança a campanha de financiamento coletivo para publicação do livro de Leila Affonso e Jorge Fernando dos Santos, com participação da cantora Luhli –

A campanha de financiamento coletivo do livro "Jaceguai, 27", escrito a quatro mãos pela carioca Leila Affonso e o mineiro Jorge Fernando dos Santos, será lançada em um sarau no dia 17 de março (sexta-feira), às 20 horas, na Ecoarte (Rua Rodrigues Alves - São Pedro da Serra/Nova Friburgo - RJ). Entre os convidados, destaca-se a compositora e cantora Luhli.

Foi na Rua Jaceguai, 27, no tradicional bairro carioca da Tijuca, que muitas histórias se passaram relacionadas à Música Popular Brasileira, resultando na formação do Movimento Artístico Universitário (Mau). Segundo o jornalista Sérgio Cabral, o imóvel de dois andares foi tão importante para a MPB quanto à casa da Tia Ciata foi para o samba e o apartamento de Nara Leão, para a Bossa Nova.

Em 1961, o psiquiatra e violonista Aluizio Augusto Porto Carreiro de Miranda e sua esposa, Maria Ruth, alugaram o imóvel e nele passaram a realizar reuniões com músicos da velha guarda, entre os quais, Bororó, Cartola, Donga e o também chargista Nássara.

Em 1966, suas filhas adolescentes, Regina e Angela, passaram aconvidar os amigos e colegas, que transformaram as noites de sexta-feira em sarauscada vez mais frequentados. E foi a partir desses encontros que nasceu o Mau, formado por talentos como Aldir Blanc, Gonzaguinha, Ivan Lins, Cesar Costa Filho,Eduardo Lages, Lucinha Lins, Sílvio da Silva Júnior, Marcio Proença e muitos outros.

Mesmo com a importância histórica reconhecida, a antiga construção tijucana foi demolida em 2014, para dar lugar a um edifício de apartamentos. O livro “Jaceguai, 27”, escrito por Jorge Fernando dos Santos e Leila Affonso, revela bastidoresdaqueles encontros, revisita personagens e resgata um importante capítulo na história da MPB.

Como integrante da turma e cofundadora do Mau, Leila Affonso desfia suas memórias de forma coloquial, revivendo episódios da mocidade. Enquanto isso, o jornalista e escritor Jorge Fernando dos Santos, autor de 43 livros, entre eles “Vandré – o homem que disse não”, optou pela narrativa na terceira pessoa, acrescentando entrevistas e contextualizando os fatos.

Em tempos de vacas magras no setor cultural, optou-se pelo financiamento coletivo da publicação, através do sistema Catarse. Nada mais sugestivo para divulgar a campanha de apoio que a realização de um sarau, que contará com a presença de Leila Affonso, contando um pouco dessa história, e Luhli, artista que frequentava o endereço e que hoje faz parte de vários capítulos da MPB.

Para conhecer o projeto de financiamento coletivo do livro, basta acessar o link www.catarse.me/jaceguai27. O sarau conta com a produção executiva de Carla Strachmann, da Ecoar (Educando com Arte), e o livro, com a Mundo Produções e Editora Recanto das Letras.

SERVIÇO

Sarau “Jaceguai 27”
17 de março (sexta-feira)
20 horas
Ecoarte(Rua Rodrigues Alves - São Pedro da Serra/Nova Friburgo – RJ)

Entrada franca.
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Narrado num ritmo alucinante e repleto de reviravoltas, O Pacto confirma o talento de George dos Santos Pacheco, um autor “em ebulição”


Após dois romances, participações em antologias e alguns prêmios literários, é assim que George é definido, no prefácio, do professor de Letras e doutor em estudos literários, Renato Alessandro dos Santos. “Palmas ao autor, que com O Pacto demonstra claramente o que é o passo adiante dado na carreira de um escritor que, sempre insatisfeito, buscará a forma mais adequada para expressar o que pretende contar debaixo do véu artístico da ficção, algo que só o romance, como gênero, é capaz de oferecer a um artista – como o George, o romancista em ebulição por trás deste livro”.

Em O Pacto (Clube de Autores, 2017), George narra a história de Théo Lücke, homem que se depara desmemoriado à frente do próprio Diabo e se vê obrigado a um acordo para ser livrar da condenação eterna. De volta ao mundo dos vivos, ele corre contra o tempo para encontrar um substituto e descobrir a verdade sobre si mesmo. O livro é o terceiro romance do autor, que estreou em 2010 com O fantasma do Mare Dei (Multifoco) e seguiu com publicações em antologias, em sites especializados e colunas de portais de notícias. Alcançou certa notoriedade com a adaptação de seu conto A Dama da Noite para um curta metragem homônimo, em 2014, e no ano seguinte, com a publicação do erótico Uma Aventura Perigosa (Buriti), um envolvente romance, aclamado pela crítica e público.

“O livro retrata aspectos como a passagem do tempo e conflitos entre a memória e realidade”, explica o autor. “É um romance sobre o gênero humano, sobre a sociedade contemporânea. Quantas vezes vamos ao inferno ao dia? Quantas vezes procuramos culpados pelas nossas próprias falhas e omissões?”, completa George.


O Pacto, recheado de referências à mitologia, música, e filmes, entre outros, tem um ritmo empolgante e flui naturalmente; o leitor parece arrastado para dentro da história, acompanhando ansiosamente Théo, personagem central da trama, em sua busca pelo que fez antes de perder a memória.

O livro tem previsão de lançamento para abril de 2017 e brevemente estará em pré-venda no site do Clube de Autores.
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Jovem Acadêmica lança segundo romance na Academia Friburguense de Letras


Isabelle Sarruf, jovem eleita para uma das cadeiras do Anexo Jovem lançará seu segundo romance na sede da Academia Friburguense de Letras, no  dia 11 de março, às 18 horas. A autora tem posse marcada com os demais jovens para o próximo dia 31 de março.

Sobre o livro



Desejo Oculto promete surpreender, pois aborda em seu contexto: conflitos familiares, intrigas, toques de mistério, suspenses e romances. Na vida somos vilões e mocinhos do nosso próprio desejo e, as vezes, não podemos escolher seguir com o que acreditamos, já que a decisão tomada muda o rumo de um destino. Duas irmãs, duas identidades.

Desejo Oculto é um lançamento da Editora Multifoco.
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Academia Friburguense de Letras empossa os cinco primeiros jovens do Anexo Jovem


A Academia Friburguense de Letras, através da reforma estatutária acontecida em 2016, criou o Anexo Jovem para acolher escritores entre 16 e 29 anos. São 15 cadeiras que têm como patronos fundadores, ex-presidentes e acadêmicos de relevante participação na vida da Academia, que em 22 de junho completará 70 anos de existência.

No dia 31 de março, no plenário da Câmara Municipal, serão empossados os cinco primeiros jovens escritores que se submeteram ao processo de seleção que, dentre outros requisitos, exige ter, pelo menos, um livro publicado. A cerimônia contará com a presença do Secretário Municipal de Cultura, Marcos Marins Soares que será o paraninfo desses jovens escritores que terão direitos e deveres constante do Estatuto e do Regimento Interno da AFL.

Será uma sessão histórica, pois não se tem notícia da existência de semelhante anexo em nenhuma Academia de Letras no Brasil. Existe Academia de Letras Mirim, acolhendo e incentivando crianças para a leitura e escrita, mas jovens já formados e com trabalhos literários de valor reconhecido quando do processo de seleção, desconhecemos.
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Catherine Beltrão lança campanha para viabilizar seu primeiro livro


A autora de “ArtenaRede, do virtual ao real: a trajetória de um sonho”, Catherine Beltrão busca apoio para viabilizar o seu primeiro livro. Com uma campanha de financiamento coletivo (Crowdfunding), ela propõe que interessados em arte assinem um sonho, que começou com um site, e futuramente a ideia é criar um museu.

O livro trata do projeto ArtenaRede, que reúne Tecnologia e Arte, um dos sonhos de Catherine, engenheira de formação e amante das artes por criação, influência de sua avó. Há 15 anos nasceu o site www.artenarede.com.br, com catalogação e divulgação de obras de arte via Internet, que deu tão certo, que artistas de vários estados brasileiros, além de Portugal e Argentina, já doaram, e outros estão dispostos a doar obras para o acervo de um futuro Museu ArtenaRede, que poderá ser em Nova Friburgo/RJ.


Catherine explora com detalhes nas páginas de seu livro algumas histórias das 65 obras de arte já doadas para o futuro museu, dividindo com os leitores essa trajetória e desejo da concretização de um grande projeto cultural. Sobre o lançamento do livro em Nova Friburgo, a autora adianta que acontecerá tão logo os livros tenham sido impressos (entre maio e julho). No Rio de Janeiro, é certo de acontecer na  XVIII Bienal Internacional do Livro, no espaço da Editora Litteris, entre 31 de agosto e 10 de setembro.

Catherine Beltrão não é friburguense; nasceu em Paris, França, mas veio para o Brasil com 10 meses de idade, morou a maior parte da minha vida no Rio de Janeiro, e em 1996 resolveu fixar residência em Nova Friburgo, buscando qualidade de vida. "E encontrei. Para morar e trabalhar. Amo Nova Friburgo", destaca a autora.

A iniciativa de lançar o livro “ArtenaRede, do virtual ao real: a trajetória de um sonho”, de Catherine Beltrão, já conta com o apoio de Girlan Guilland, Henrique Cordeiro, André Mello, Pedro Bessa e Ana Gadini (Nova Friburgo); Roberto Vieira, Eduardo Vieira e Ricardo Benevides (Rio de Janeiro); e Luiza Caetano (Portugal).

Contribuição/recompensa
Para aderir à campanha, basta acessar o link https://www.kickante.com.br/campanhas/livro-artenarede-do-virtual-ao-real . As recompensas vão desde agradecimento na página do projeto no Facebook e impresso no livro, a marcador de livro, sacola personalizada, ou até mesmo palestra com a autora e, é claro, livros para ter e/ou presentear. Mas corra porque a campanha termina no dia 18 de março. Confira: 

R$20,00 - agradecimento virtual e impresso no livro
R$60,00 - 1 livro, 1 marcador de livro, agradecimento virtual e impresso no livro
R$200,00 - 3 livros, 3 marcadores de livros, 3 sacolas personalizadas, agradecimento virtual e impresso no livro
R$650,00 - 10 livros, 10 marcadores de livros, 10 sacolas personalizadas, agradecimento virtual e impresso no livro
R$1.500,00 - 10 livros, 10 marcadores de livros, 10 sacolas personalizadas, 1 palestra de 90 minutos sobre "A trajetória de um sonho", com a autora (gastos com transporte, hospedagem e alimentação para duas pessoas, fora do Rio de Janeiro ou não Friburgo, não inclusos), agradecimento virtual e impresso no livro
R$6.500,00 - 50 livros, 50 marcadores de livros, 50 sacolas personalizadas, 1 palestra de 90 minutos sobre "A trajetória de um sonho", com a autora (gastos com transporte, hospedagem e alimentação para duas pessoas, fora do Rio de Janeiro ou não Friburgo, não inclusos), logotipo na página de abertura dos livros que receber, agradecimento virtual e impresso no livro.

Acesse também:
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Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
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