Eu preferi sair da sua vida pela porta da frente.







Entre idas e vindas, entre abrir e fechar a porta da nossa casa, eu preferi sair da sua vida, resolvi dar o último adeus de uma forma diferente, sei que da vida podemos esperar tudo, sei que nunca devemos dizer nunca para reencontros, ou para vivermos novamente algo, mas por enquanto não da mais, por enquanto meu viver tem outros olhos, olhos de um amor próprio que eu construir, não queria, mas a vida me mostrou que era o melhor a se fazer nesse momento, não te culpo de nada, e também não estou aqui para apontar culpados, ou culpar o tempo, a rotina enfim todo aquele circo que se cria, pelo contrário quero ressaltar que o que vivemos até aqui, foi bom, me mostrou muitas coisas e, pude viver momentos especiais ao seu lado, mas hoje, preferi sair da sua vida pela porta da frente de cabeça erguida.


Tenho a maior convicção que a saudade em certos momentos irá assombrar a minha mente, pois convivi com ela em certas partes do nosso relacionamento, sei que tomar café da manhã olhando para a outra cadeira vazia ao meu lado irá cortar meu coração, mas irá passar, eu sei disso, e assim vou seguindo, com dúvidas, medos, mas tive a atitude de sair de cena da sua vida no último ato do espetáculo, quando meu coração gritava por socorro. Mas sei que você irá encontrar alguém bacana pela sua frente, alguém especial que irá ser a soma da sua vida maluca. Sei muito bem que o calendário engolia as nossas relações, que o nosso sexo virou coisa repentina, e por certos momentos nenhum procurava o outro, e acabamos por nos esquecer. Sair da sua vida foi à esperança que encontrei no fundo do túnel, para mim e para você e muito mais para nós juntos.


Estou aqui com a minha caneca de café, escrevendo essas palavras para você, enquanto escorre algumas lágrimas de saudade, aquela mesmo que disse que volta e meia ela iria aparecer, pois bem, chegou, e está difícil de lidar, mas seguindo por aqui estou, depois de passado esse tempo todo que estamos afastados, sinto um alívio no peito, uma sensação boa que nunca imaginei que iria aflorar em meu coração, no nosso amor cíclico como qualquer outro, chegou ao fim. Então, o café está acabando e as folhas também, de tantas que já joguei fora, tentando iniciar essa carta.

PS: Nesse dia cinzento, encerro por aqui mais um capitulo das nossas idas e vindas. Pela porta da frente eu entrei e pela porta da frente eu saio da sua vida. 

Luís Fernando, escritor, colunista, jornalista. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Publicidade

http://www.tertuliaonline.com.br/
http://www.revistapacheco.com/p/contato_507.html

Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
As imagens postadas neste site foram retiradas da internet ou enviadas por colaboradores. Se é proprietário de alguma imagem e se sentiu ofendido, por favor, entre em contato conosco e ela será rapidamente tirada do ar.