Café Literário: Não é hora

Não, não!
- novamente, digo, não, pare!
Não se mate!
Seus pés cansados, atordoados, espalhados,
acusam o chão de um crime terrível- 
não se jogue desse décimo andar, seu moço.
Olhe bem, pois na vida, vida se tem.
Não se pode chorar agora,
veja seu amor, quanto pudor,
carinho e afago, ela vem até você, descansar
não se pode saltar contra o cotidiano sem paraquedas;
                                                           você não morre, só vai.

E sua filha, pequena estrelinha, querida,
filial dos seus pensamentos mais secretos sobre o mundo.
                                           você não corre, só vai.

O que dirá a ela, senão, nada,
quando jogar-se-à diante disto, que é pouco, lodosa de poeira, asfalto, tristeza.
Não, não, não, não!
Ouça-me, ouça-me, ouça-me bem!
Não podemos querer tentar desistir da vida,
nem se quer receber a morte escolhida,
pois prantos muitos, serão daqueles
que te deram fé, já não se pode querer morrer com fé,
você é imortal, ser genial com tentáculos de luz!

                   Não, não tente, não vá, fique contente!

mesmo que o trabalho acabe, que a mente, mente,
você está aqui, no presente.
Então, não se morra, não é hora.

Brenno Castro
escritorbrennocastro@gmail.com
Brenno Ariel Da Silva Castro nasceu em Nova Friburgo, RJ, em 1999. Aos 13 anos, mergulhou no Mundo da Literatura e logo apaixonou-se pelos livros, principalmente pela Poesia. Inspira-se profundamente em Fernando Pessoa e em seus heterônimos, especialmente, Alberto Caeiro. Sente que sua vida também é uma inspiração. Como costuma dizer: "Para transformar uma fantasia em poema é preciso, antes, ter vivido".

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