A felicidade precisa de menos

                                                 
 Acordo ás seis de uma segunda feira e já tenho mais do que o suficiente para não sorrir: É segunda feria. Dia de ônibus lotado com gente que não usa fones de ouvido, dia de cara fechada do chefe, dia de reassumir os compromissos deliciosamente negligenciados num domingo preguiçoso.

Abro a janela, o sol brilha, o céu tem um azul estonteante, as pessoas caminham apressadas, a vida segue em seu próprio ritmo.

Existe um mundo lindo e imenso lá fora. E isso me parece o inevitável infortúnio da segunda feira.

E mesmo em manhãs ensolaradas vejo pessoas preocupadas com coisas tão escancaradamente desinteressantes: Serem bem vistas, encontrarem em grande amor, um emprego melhor, a casa própria, um carro do ano.... vencer na vida, enfim.

Mas quando ponho minha música predileta numa manhã de segunda feira e danço na sala antes do expediente, percebo que vencer na vida é tão simples. Quando ligo para o meu melhor amigo e aquele bom dia é uma prova gigantesca de que eu venci. Almoço às gargalhadas com pessoas que gosto, e caramba, isso sim é vencer na vida. Leio um bom livro, vejo um filme bacana, danço até as três da madrugada em um show qualquer e , minha nossa, porque as pessoas precisam de mais do que isso.

Não que seja condenável ter ambições. Os sonhos fazem com que a gente entenda que existe um propósito para que acordemos todos os dias. Enxergar uma montanha de desafios em que precisamos avançar um pouquinho a cada dia é a prova de que, para cada um de nós, há um pontinho de outro no fim do arco-íris – mas a felicidade é mais muito mais do que alcançá-lo. Lamento apenas que tanta gente ainda enxergue nas conquistas materiais um propósito de felicidade, quando esta mesma felicidade precisa de tão pouco: sossego, liberdade e consciência leve.

Nossas lutas diárias são justas, mas desacelerar ainda é o melhor jeito de saborear o que a vida oferece de graça, facinho: sua música predileta numa manhã de segunda, o bom dia do seu melhor amigo, os pequenos milagres diários bem abaixo do seu nariz, e um mundo inteiro de sonhos qe esperam que a gente se levante e mude as coisas, só com leveza, com paixão, com serenidade, com amor pela vida.

A maturidade está em milhares de sutis e pequenos detalhes, inclusive em perceber que a felicidade precisa de menos: você não precisa comprar uma casa imensa ou ter milhões de seguidores, ou um amor de cinema, ou uma beleza estonteante. Você só precisa conseguir sorrir e dançar a sua musica predileta mesmo se as coisas não caminham exatamente como você espera – alias, elas jamais caminham exatamente como esperamos. Ser feliz é simples. Complicados somos nós.


Alice R.

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