Café Literário: Pobre Velho

Num lugar muito distante, numa cidadezinha do interior de São Paulo. Vivia um homem; cujo, o nome era João.

Seu João como era conhecido, vivera por muito tempo em um barraquinho de madeira, onde era: sala, cozinha, banheiro e quintal; tudo isso em apenas um cômodo.

Não sabia-se bem a razão de como, fora parar ali. O pouco que se sabe é apenas rumores de que largara família, numa cidadezinha qualquer do interior do ceará, para mudar de vida na cidade grande. O que acabara não ocorrendo devido ao acidente que sofreu, quando caiu de um andaime de dez metros; só não morrera por sorte, mas, após bater a cabeça, perdera a memória por completo.

O coitado que recebera uma mísera aposentadoria, após o acontecimento, mal conseguia comer, sobrevivia como podia.
— Por que não manda o de volta para a família? — dizia Severino seu vizinho.
Mas como? Sabia que Seu João era do ceará; mas, o ceará é muito grande; todavia, ainda não passava de boatos, não fora comprovado que o velho era de lá, apesar do sotaque nordestino — isso ele tinha não há como negar. Mas, ainda sim não queria dizer nada, como iria fazer? Ir de porta em porta, de cidade em cidade, perguntando se alguém conhecia-o.

Não havia nada que pudesse fazer, vai fazer o quê? Não há o que exigir de um velho sem memória, que masca fumo e vê a vida passar.

Certo dia uma ventania assolou a pequena cidade, destruindo tudo à sua volta, o barraco de Seu João, fora levado, como um caixote de feira. Mas, por azar ou sorte o velho acabara, saindo ileso do acidente.

As pessoas que ali viviam, sensibilizados, fizera um rateio para levantar novamente o caixote.Era coisa pouca, quatro maderites e meia dúzia de telhas erguerá novamente o lar do velho.

Após alguns dias o ocorrido se repetira. Era destroços por todo lado, só que desta vez a tragédia fora ainda pior, além, das quatro maderites e meia dúzia de telhas, a ventania levara também o pobre velho.

A única coisa que sobrara é seu radinho de pilha, que lá estava ligado nas últimas notícias do dia.
Carlos de Amaral
Carlos de Amaral, cronista, contista e compositor, nasceu na cidade de São Paulo em 14/05/1990. Se interessa por livros, já na adolescência , onde começa a escrever seus primeiros contos, crônicas e compor. Entre suas maiores influências está: Machado de Assis, Fernando Sabino, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Fiodor Dostoiévski.

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