Café Literário: A "Budega Véia" da Rua Brasília



Em um lugar do mundo, sabe-se DEUS onde, existia uma “budegavéia”, ou uma casa, sei lá o quê, que de tão mal-tratada, mal-cuidada e deveras "surrupiada", já não tinha credibilidade na região, mormente sua beleza e "designe" de interiores e exterior...

Pois bem!

Todos resmungavam, falavam em alto e bom som que a detestava e que era coisa pra quem não tinha o que fazer, mas no fundo, no fundo a paixão tomava as entranhas de quem no balcão sentava e da gaveta detinha a posse, furtando a razão.

Outros diziam que a amava, ame-a ou deixe-a, porém nenhum amor verdadeiro ainda se provou, ao final provava-se que todos queriam a caderneta ou cofre onde guardava o dinheiro da famosa “BUDEGA VÈIA”.

Esta “casa de negócios”, estabelecimento situado na Rua BRASÍLIA, s/n, e, que não se sabe ainda o porquê nenhum dono conseguira mantê-la em seu domínio por muito tempo, a não ser um tal de Pedro, que de tanto ajeitá-la, que de tanto amá-la foi posto pra fora escorraçado por novos fregueses sedentos pelas suas facilidades.

E foi bem assim! Desde que seu CABRAL a reformou, por sinal pra pior, levando a posse e todos os outros bens do seu real proprietário/possuidor, Sr. INDIO, esta “budega” nunca mais soube o que seria seriedade, enfim, queira a Deus que o adágio não seja real: Que o mal começado é mal terminado!

Mas bora lá!

Elucubrações a parte, este “fenomenológico” estabelecimento já passou por inúmeras reformas, a mais recente veio dum marinheiro que do mar chegou e prometera revolução na distribuição dos lucros, enfim, pontuou dividir melhor o “Pirão”.

Procuraram saber de quem se tratava e era um Companheiro que perdera, ainda jovem, parte do dedo em uma peleja calma, mas que não mais permitira lavorar e que a partir daquele momento o seu único trabalho tornou-se o guiar dos “Cumpanheiros”.

Este Marinheiro, salvo engano batizado de Coronel LUIZ INÁCIO ou Capitão LUIZ INÁCIO, creio que sim! Ao entrar na Administração dos negócios foi logo contendo os descontentes e acalmando quem poderia chorar, isto é, quem queria mamar.

E foi dando comida aos famintos e reformar que lhe interessava, ao passo de que as reformas que poderiam ser bem feitas foram armengadas, dando, lamentavelmente, “corrupção” aos corruptores.

Cometeu dentre vários, erros graves, permitiu que a gaveta do estabelecimento fosse manejada por mais de 30, inclusive por alguns que de tanto comer se “empanzinaram” e foram levados a um famoso hospital cognominado PAPUDA!

Entretanto, o Marinheiro não só errou. Acertou em diversas áreas da administração “Budegal”, deu fome a quem tinha; autoestima a quem necessitava e participação a quem não tinha, isto é fato!

Todavia, pra isso, o estabelecimento não tinha dinheiro nem mesmo crédito, situação que o fez fazer uma ficha em todas as “budegas” e Mercearias existentes e distribuir vales, permitindo gastarem até antes de receberem – o famoso consignado na folha. Eitxa que apareceu dinheiro!

Todavia chegaria um prazo que haveria de ser pago o comprado, chegaria uma data que a dívida deveria ser adimplida, sob pena de quem vivesse daquela atividade passar maus bocados.

Noutra visão, membros do sistema “budegal” ainda não estava plenamente acostumado a gastar em demasia, a utilizar a moeda corrente para o bem e foram inserindo nas suas vidas futilidades que no fundo, no fundo nunca precisariam utilizá-las para serem felizes! 

Acontece que o prazo venceu e chegou o tempo de pagar o gasto, só que o capitão decidiu chamar uma “Porteira” para tomar conta do estabelecimento e zarpou.

Esta porteira, por sua vez, não teve a lábia pra comprar fiado como o Luiz tinha; não teve o jogo de cintura pra dividir o Pirão; não teve força no “feixe de mola” pra aguentar os solavancos da estrada e a pancada que levou foi grande.

Começou a ser a “dona” da bodega, mas não mandar; começou a dirigir, mas não levar a nenhum lugar; tornou-se “um apito mudo”, foi neste momento que, como em todo território desocupado sempre encontra ocupação,  duas figuras antigas no estabelecimento tomaram força, o Seu “REI da nan Carneiro” e o Cunha, mais conhecido por “Cunhão”.

Essas figuras surgiram pra peitar o poder; o comando; a simpatia, se a que um dia a comandante teve; a coerência, enfim, estas duas figuras demonizaram a comandante e se endeusaram, enfim, eram totalmente contrário ao sistema da “BUDEGA VÉIA”.

Todavia, já que a tentação é grande e o coração é fraco,  o "Rei da Nan" abriu do descontentamento logo, quando a chefa o tirou duma lista de maus pagadores dos bares e botecos da região, e virou novamente amiguinho dela.

Entretanto, o “Cunhão” deu trabalho, mas muito trabalho mesmo, tentou até arregimentar “amiguinhos” pra tirá-la a força do balcão e jogá-la a porta da rua.

Ocorre que aqueles “coleguinhas”, ao descobrirem que o CUNHA “jogava agua fora da bacia” e tinha uma caderneta de poupança nas “Zoropa” com valores muito além do que ele ganhava, também pediram a sua cabeça, levando - o a ora aliar-se com a Chefa, ora desaliar-se.

Enfim, espero fielmente que a minha amada “budegavéia “, detentora de paredes firmes e solo mais ainda, consiga manter-se resistente ante as loucuras de quem a arrodeia, quer dentro do balcão; quer fora.

Espero que tenhamos um futuro bom e que ninguém mais bote a mão ilicitamente nesta “budega”!

Jorge Leandro Carvalho Góis

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