Café Literário: Bacanal Pandemônico


Eu vi o último dia na Terra,
E o mundo todo sangrava até a morte.
Velhos e crianças riam
Enquanto mulheres em fúria
Abortavam fetos dilacerados.
Purpurina, fogos de artifício
E vísceras expostas;
Todos celebravam, pois finalmente
Havia chegado o fim.

As leis não tinham poder
– alguma vez tiveram? –
Homens e mulheres canabalizavam
Uns aos outros entre pugilato;
Macacos evoluídos e famintos
Foragidos de suas jaulas.

Balas e lâminas
Atravessavam os corações enfermos,
Já inativos há tanto tempo.
O céu era vermelho;
Da cor do sangue que os afogava.
E a Terra estava negra;
Assim como suas almas.

Não houve um Deus ou Satã;
O que eu vi foram rostos
Banhados em sangue e depressão,
Entrando em metamorfose.
E de repente todos tinham
Face de porco, corpo de macaco
E pés de bode.
E então eu vi chifres nascerem
Em sete bilhões de cabeças.
E a Terra explodia
Enquanto o bacanal pandemônico
Gritava em agonia.

Keisy Gomes

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