Dei asas e você não voltou


Falar de nós dois até parece  fácil, mas não, é difícil expressar nossos sentimentos, é difícil colocar nós em qualquer lugar, sabendo que não existe mais nós, em qual curva nós erramos? Pecado, não era para ter acabado, era bonito em todos os almoços de domingo com a família, eles diziam “que casal lindo, vocês merecem ser felizes”. Não os culpo, sim nós éramos lindos juntos, nós merecíamos ser felizes juntos sim, mas, não deu né meu bem. Não sei se tudo que eu falo, penso, raciocino tem relação com tudo que passamos o passado ainda me segura em certos momentos, deitado em minha cama, sozinho ouvindo a nossa música, sim, nós tínhamos uma música, casal bobo, mas feliz, você sabe que eu nunca fui muito boa em expressar meu amor, esquece, não deveria falar isso, mas resolvi tocar no assunto, tudo nessa vida é um ciclo, hoje estamos aqui, amanhã estamos lá, normal.


Lembrei-me esses dias em pensamentos vagarosos, nossas caminhadas no parque, em especial o modo que você segurava a minha mão, pois é, você largou, não culpo você por isso, sei que você queria buscar seus ideais, suas perspectivas, eu queria o presente, você o futuro, deixamos nós para lá, quem sabe numa astúcia da vida,quem sabe  jantaremos novamente, da mesma forma que todos aqueles que fazíamos, em nenhum restaurante luxuoso, na mesa de centro da sala pode ser, eu admirava o bater dos seus pés encostando nos meus, triste dor, mas está passando. Admirava você com uma destreza de um mestre de obra segurava o garfo e o levava à boca. Nunca fui muito adepto a frase de que damos asa para alguém voltar e nunca mais sair, bobeira, poxa não queria que você criasse asas, mas criou, e nunca mais voltou. Volta pra cá. Não posso lhe obrigar, pois você já não me pertence e é algo que nunca deverei fazer.


Saudades sempre irão existir e sempre irá me assombrar, normal não liga mais, pois se é saudade é por que teve algo bom, e tiveram sim, muitos por sinal. Lembrei até das nossas brigas, acredita, brigas bobas, que no fim, ou melhor, dizendo agora, coloco a cachola para funcionar que éramos tolos, deixamos muitas coisas abalar nosso relacionamento, mas o maior erro foi de nós mesmo que deixamos muitas coisas nos atingir, quem sabe um pouco disso meu e um pouco dessa culpa sua, pois não conseguimos blindarmos para que isso não atingisse, agora foi, mas acredito na frase que escutei muito, “O que é nosso sempre encontrará um modo de chegar a nós”. Mas não demora não.  

Luís Fernando Drecksler
bs.luis@hotmail.com

Luís Fernando Drecksler, brasileiro, reside em São Domingos, 23 anos, criador do blog Papo a 2, jornalista, escritor e narrador esportivo

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