Do Baú: Se olho grande fosse vantagem...



... sapo não vivia enterrado na lama! 

Foi a frase com que o Wanderley arrematou hoje a conversa sobre a gente ter sonhos, mas, não se sabe bem ao certo, parecer que a lista da turma do contra é sempre maior do aquela que vai lhe apoiar (de verdade).

Sim, porque existem aqueles apoios do tipo rede social: curte, dá parabéns, chama de lindo... porém, na hora de comparecer, chegar junto, arregaçar as mangas... iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhh... 

E você descobre que tem bem menos amigos (seguidores não valem) do que imaginava. Isso para quem ainda é de vez, jovem, verdinho. Para quem já é mais macaco velho, o couro já curtiu em algumas experiências da vida. Mas, nunca é tarde para se surpreender!

Daí que, certa feita, umas rãs fizeram uma aposta para ver quem chegava primeiro no alto de uma torre. Um corvo (justo um corvo!) foi escolhido como juiz. Começada a corrida de batráquios, o corvo pôs-se a tagarelar junto às rãzinhas: - Que você está fazendo? Você não foi feita para escalar! Não sabe que seu lugar é junto ao chão? - E já provocava algumas desistências. 

Para outras, mais adiantadas, ele apelava: - Cuidado! Veja que altura! Você vai acabar se esborrachando! - e não é que muitas coitadinhas olhavam para baixo, perdiam o equilíbrio e acabavam mesmo se estatelando?!

O fato é que a agourenta ave quase concluiu o seu intento. Eu disse quase, porque, apesar dos esforços do invejoso, uma única rã seguiu aos saltos, torre acima, sem dar atenção aos comentários. Ganhou a corrida. 

Na hora dos parabéns a vencedora fazia um esforço para entender as irmãs gias, já que um defeito congênito em seu ouvido médio (anfíbios possuem ouvidos médios e internos, sabia?) a impedia de ouvir claramente as congratulações. Sim, a rã que venceu a corrida era surda! 

Não estou levantando a bandeira da teimosia (até porque tem mais umas tantas fábulas que criticam a caturrice), nem afirmando que não devemos escutar as pessoas (saber falar é prata, saber escutar é ouro). 

Entretanto, estou dizendo sim, que amigo leitor: se você tem um objetivo, traçou um plano, está disposto a manter o esforço e o foco, é melhor ter ouvidos de mercador... ou se fazer de rã surda... como preferir. 

Marisa Maia tira "Do Baú" memórias e preciosidades, oralidade e tradição popular -
elementos influenciadores na produção literária e no nosso modo de ler... o mundo.

(Ah, obrigada Wanderley pela inspiração para o texto de hoje!)





2 comentários:

Publicidade

http://www.tertuliaonline.com.br/
http://www.revistapacheco.com/p/contato_507.html

Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
As imagens postadas neste site foram retiradas da internet ou enviadas por colaboradores. Se é proprietário de alguma imagem e se sentiu ofendido, por favor, entre em contato conosco e ela será rapidamente tirada do ar.