Café Literário: Uma tarde de inverno

Sentir saudade é bom, quando a saudade é boa de se lembrar, quando a saudade é especial, quando ela lhe faz bem, lidar com ela que é difícil, saudade é uma palavra forte, uma palavra que machuca, acredito que o dizer da palavra machuca mais do que o sentir dela, saudade idiota, se existe saudade, existe sentimento ainda, quem sabe sim, quem sabe não, o real é que eu não sei. Por que você apareceu de novo? Eu já não sabia o real gosto da sua presença, saudade estúpida. Ainda consigo perceber e sentir você suspirar pra mim, e proferir tais palavras ao pé do ouvido, com aquele ar bandido de ser, respire fundo, vamos ter todo o tempo do mundo, merda, desculpe o linguajar, eu não quero a vida toda, eu quero momentos, o momento. Mas no mundo que você vivia, não percebeu isso.
Meus pensamentos ainda carregam algo bom do que passou. Acredito que seja uma saudade boa, não sei, quem dirá será o tempo. À tempo infame, brinca comigo e não deixa pistas, é difícil, você na ilusão de querer me agradar não percebia que me fazia mal, não ligo, passou, saudades qual o real sentido disso? Pensamos que poderíamos ter agido de outra forma, feito diferente, não, fizemos o que deveria ter sido feito, hoje nós entendemos o sentindo da locomotiva, percebemos que a saudade que atormenta a minha massa cinzenta, é a mesma que atormenta a sua.
Era tanta ansiedade de fazer as coisas corretas, que não nos demos conta,que fazíamos mal um para o outro, sinto que você entra no banho e a vagarosamente a sua mente é tomada pela lembrança boa que quando simplesmente entravamos no box do banheiro e por minutos que dava para contar e sentir a respiração funda, tomávamos banho, o toque dos corpos era inevitável, sentir você era como se estivesse naquele momento segurando algo mais primordial nos meus braços, e pode apostar, era sim. Adorava a sua insensatez em certos momentos. O destino pregou-nos uma peça que caímos direitinho, o que restou foi saudade de uma tarde de inverno.

Luís Fernando Drecksler
bs.luis@hotmail.com
 
Me chamo  Luís Fernando Drecksler, escritor, jornalista, moro em São Domingos-SC, vivo de juntar palavras, amante das letras, blogueiro, narrador esportivo.

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