Café Literário: Soma


Eu
Soma
Tradução do encontro
Entre o momento do universo
E meu genoma
Não reconheço o acaso
E considero
A importância de minha existência no planeta.

Voa mais feliz que nós a borboleta
Sem pensar que há algum mistério
E que o pode desvendar a mente aberta?

Não há mistério! Eis a descoberta!
A impermanência é que nos faz ter tais delírios!

Arte e memória são opostos ao oblívio
Ciência pra mantermo-nos nos trilhos
E não enlouquecermos com cometas

Sonhamos! Fingimo-nos de sábios
E intuimos destino e objetivos
Que não dão conta do porquê de estarmos vivos

Sabemos tudo tanto quanto as borboletas.

(Carta de P.P.  a A.A.)


Henrique Santos
pakkatto@gmail.com

Henrique Santos, cavaleiro do quinto grau dos vagabundos sagrados, milita nesta encarnação como poeta e provocador cultural.

Pai, bancário e compositor, foi um dos fundadores do evento Uma Noite na Taverna juntamente com Rodrigo Santos e Romulo Narducci. Esteve no nascimento do Sarau do Baixo Pinheiros, Vozes soturnas e Ritmo Alma e Poesia.

Seus escritos figuram nas antologias dos poetas gonçalenses, Sarau Brasil 2014, Um Brinde a Poesia, Tagarela e Cadernos do Leste.

Produziu de forma independente os livros: A dieta da felicidade, de poemas, e Histórias cariocas e algumas blasfêmias de contos. Possui também vários zines e livretos como o Ver Ser Já, o Verbo, Substrato em Versos,  Garimpos de Versos e Bu®la transitando por aí.

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