Concurso literário "Brasil em Prosa", promovido pelo GLOBO e pela Amazon, vai premiar contos inéditos de novos talentos.

Estão abertas as inscrições para o concurso Brasil em Prosa, que premiará contos publicados exclusivamente em e-book através da plataforma Kindle Direct Publishing (KDP) — que permite que qualquer autor publique sua obra e a coloque à venda na loja virtual.  As inscrições serão feitas através do site www.brasilemprosa.com.br.

Os concursos literários sempre tiveram papel fundamental na revelação de novos talentos da literatura brasileira. Na década de 1930, o poeta alagoano Lêdo Ivo, morto em 2012, recebeu o primeiro impulso para sua carreira ao vencer uma disputa de contos da “Revista Carioca”, aos 14 anos. Anos mais tarde, Fernando Sabino e Clarice Lispector, ainda jovens e desconhecidos, pela primeira vez seriam reconhecidos pela mesma publicação. E embora a ascensão dos livros digitais e o surgimento das ferramentas de autopublicação, no século XXI, tenha derrubado a última barreira que impedia um estreante de publicar sua obra, o reconhecimento garantido por um concurso ainda é um prêmio cobiçado.
 
Os textos deverão ser inéditos, escritos em português, de autoria exclusiva do participante (não serão aceitos contos em co-autoria) e não poderão ultrapassar os 6 mil caracteres, incluindo os espaços. O prazo de inscrição termina em 31 de julho. Cada escritor pode inscrever quantos contos quiser, mas apenas um poderá ser premiado.

Ao entrar no site, o autor deve seguir as instruções para publicar a obra através da KDP. No campo “palavras-chave” é necessário colocar #brasilemprosa. É através dessa hashtag que a Amazon identificará que o conto está participando do concurso. O preço máximo do título colocado à venda deve ser R$ 5,99. O serviço de atendimento da empresa, que auxilia os usuários da plataforma de autopublicação, também vai tirar dúvidas de quem quiser participar do concurso.
Terminadas as inscrições, os nomes dos 20 contos finalistas, escolhidos pela Amazon, serão divulgados no caderno Prosa dia 22 de agosto. Cada selecionado ganhará uma assinatura digital do GLOBO por três meses, um Kindle com tela sensível ao toque e wi-fi e assinatura de um ano do programa Kindle Unlimited, que dá acesso a todos os títulos da biblioteca online.

Deste grupo sairão os três vencedores, eleitos pelo júri composto pela editora do Prosa, Mànya Millen; pelo repórter Guilherme Freitas; pelo colunista do caderno José Castello, e pela escritora Carola Saavedra. Como prêmio, eles terão o seu conto publicado no Prosa, a tradução do texto para o inglês, ganharão uma assinatura digital do GLOBO por um ano e um tablet da Samsung (modelo Tab A para o primeiro colocado e Tab E para o segundo e terceiro). O nome dos ganhadores serão conhecidos na edição do Prosa do dia 29 de agosto, e a premiação acontecerá no sábado seguinte, dia 5 de setembro, no estande da Amazon na Bienal Internacional do Livro do Rio.

Carola, hoje jurada, já esteve do outro lado. Em 2005, ela foi uma das finalistas do concurso Contos do Rio, promovido pelo GLOBO entre 2003 e 2010. Neste mesmo ano, ela lançou seu primeiro livro de contos, “Do lado de fora” (7Letras). Ela conta que a experiência foi muito importante para a sua carreira.


Mànya Millen, editora do Prosa, acredita que o concurso é uma ótima oportunidade para incentivar novos autores, como Carola no passado.

— Há uma demanda reprimida porque muitos escritores querem publicar, mas o acesso a uma editora ainda é muito difícil. O concurso é uma maneira de divulgar novos talentos. A expectativa é que apareçam trabalhos de qualidade.

O crítico José Castello observa que a expansão da internet no Brasil teve um papel fundamental na proliferação de novos autores.

— Hoje todo mundo passa uma parte de seu dia escrevendo, seja o que for. Desse contato diário com a escrita surgem muitas vocações, ou pelo menos muitos sonhos literários. Sempre fico impressionado com o imenso volume de originais que chegam aos concursos para textos inéditos, em especial narrativas curtas e poesia — aponta Castello. — A qualidade é irregular, mas o que importa mesmo é que, cada vez mais, temos no país mais gente escrevendo. E, espero, mais gente lendo também.

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