Café Literário: Desejo-te


As vezes fico confusa...
"Amo mais o desejo do que o próprio objeto desejado1".
Ao tocar minha pele suavemente com um simples beijo no rosto sinto um impulso quase incontrolável de beijar-te
Imagino suas mãos sob o meu corpo
Será que são fortes ?
Como será a textura da tua pele?
Imagino o as tuas pernas, teus pés, ombro e braços.


Já não suporto apenas desejar...
Diz Nietzche que para um homem e uma mulher serem amigos é preciso que haja uma antipatia física...
Nem pensar...
Simpatizo- me demais com o teu corpo.


Penso que  "amar mais o desejo" é suficientemente seguro para ambos.
Pode o desejo ser uma construção da mente ⁇
Talvez um ser aprisionado ou de um louco varrido não importa de quem é o desejo mas o quão intenso ele é...

Enquanto, o desejo, estiver sob o meu controle não corro perigo.
Embora meu corpo reaja com sinais que atestam a vontade sentir-te sob mim, em mim... enfim uma forma qualquer de sentir.

Talvez fosse suficiente  5 minutos ou talvez 10 mil horas pra acabar com toda a simpatia física que o meu corpo tem pelo teu...
Ai sim poderíamos ser bons amigos...


Em meus pensamentos já tirei a tua roupa, já fizemos sexo um milhão de vezes e em nenhum momentos desses devaneios deixei de sentir arrepios abaixo da linha do umbigo.

Sinto contorcer-me...
Enquanto divago sob o teu corpo minha boca saliva.
Sinto derreter-me...

Posso até amar mais o meu desejo de tê-lo do que propriamente tê-lo mas não importa...

Mas até quando?
As vezes a espera irrita.
A vontade que sinto é mais óbvia que os prazeres mundanos...
A paciência é uma virtude dos bons não minha... O desejo não espera e por isso ser ou não paciente nada tem haver com o desejo que sinto.
O que se espera com paciência é:
O nascimento de um filho...
O ônibus  passar...
O sinal abrir...
O amor...
As estações do ano...

Mas o desejo de tê-lo  é urgente como o apagar de um incêndio.
Não sei ...
Que merda o desejo...
Amar mais o desejo do que o próprio objeto desejado é um amar solitário.

Mesmo que o objeto de desejo não fosse tal qual o desejado pelo menos seria real, palpável, comestível...

Saberia descrever o teu gosto mesmo que não fosse doce.
E ainda ao provar-te, se fosse o gosto indescritível, ainda assim seria melhor provar-te para  descrever  o que não pode ser descrito...

Até aqui sinto enlouquecer-me pelo desejo...
Até aqui experimentaria o teu corpo com leite condensado.
Até aqui é só desejo...
Irene Dási
Escritora por vontade própria. Mãe e esposa a muito tempo, 39 anos de idade. Do signo de capricórnio com a lua em leão. Bacharel em Turismo, uma pós em Jornalismo e um mestrado em Engenharia da Informação.

1. Irvin D, Yalom. Quando Nietzsche Chorou. Rio de Janeiro:Edição12, Ediouro, 2004

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