Café Literário: As contra-indicações de ser a Tinderela


“Logo você encontrara sua metade da laranja” , ou “Irá aparecer a pessoa certa”,  passei a  toda infância lendo  contos de fadas e assistindo desenhos da Disney, onde por passe de mágica aparecia um belo príncipe que resgatava a princesa, era algo “natural”, sabíamos que no fim tudo acabaria bem. Mas, e se a metade da laranja ou a tampa da panela não apareceu? Será que devemos busca-la?

Em um ritmo frenético, as pessoas se iludem com as ferramentas virtuais, que prometem amores duradouros e felicidade instantânea, porém esse “medicamento” vendido para nós possuem várias contra-indicações bem como sua posologia deve ser usada como moderação. O novo modelo, fabricado é o “Tinder”, um aplicativo fácil de usar com milhões de usuários, ser considerado belo e atraente nunca foi tão fácil! A dúvida é, a qual preço pagamos por isso? Corações despedaçados a cada encontro? Decepção ,a cada vez que nossa mensagem é “ignorada com sucesso”? Uma vez li, que cada desilusão que temos é importante para ficarmos mais forte, como uma vitamina que temos que  ingerir para quando chegarmos a felicidade sabermos como agir.
 
A intenção não é falar maldizer do tinder ou de outro aplicativo, mas refletir que sociedade estamos vivendo, onde o ditado “nunca compre o livro pela capa” vem sendo aplicado de modo errôneo e contrario, a beleza é vista como chamariz de simpatia, alegria e amor. Quando usamos a ferramenta, a eleição de que foto dar “like” e uma meta a ser cumprida, um desafio único, frase do tipo “Olha esse moço já viajou para o exterior! Mas olhem aquele, gosta de criança”, são comuns. As opções dadas são de rapazes “semi-perfeitos”, como um sonho de consumo de qualquer mulher, a maioria já possuem graduação, trabalham, viajam sempre.....E as fotos mostradas são lugares incríveis, fotos com animais selvagens ou mesmo foto com muitos amigos, como se algo dissessem “Hey, olhe para mim como sou interessante, tenho muitos amigos e uma vida social ativa”, há os que optam por foto de quando era criança provavelmente com a intenção da mulher achar uma fofura!
 
Ser popular e bonita hoje, é ter o número máximo de “Match”, posso dizer com maestria sobre o tema, essa é uma situação contraditória, seria como encher uma garrafa furada, nunca estaria completa. Um recorde considerável em 6 meses tem 1200 combinações, seria então a “Princesa Tinderela’?, mas o que isso significa? Se cada homem que tenha gostado de minha foto ou do meu perfil, não tenha  a capacidade de quando me ver pessoalmente dizer “como você esta bonita”, ou de cada conhecido que você encontra e dar like para você, não te dá um bom dia? Qual é o verdadeiro motivo de escondermos através a tela de um celular e quando realmente aparece uma pessoa interessante não temos a coragem de conversar?
 
Toda vez que tenho um encontro fracassado, penso assim, não foi  a pessoa certa todavia foi importante para meu crescimento, e entro novamente da plataforma, para buscar o “cara certo”, dai vem a minha dúvida, cara certo para que? Para deixar meu coração em pedaços? Para conversar comigo por umas semanas e depois esquecer por completo da minha existência?Eu me pergunto quando vou parar de me ferir, mas a busca enfreada pelo que foi me ensinado na infância, me consomem, a necessidade de encontrar alguém de “amar e ser amada” faz com que me  transforme em uma experiência, tentando de vários modos encontrar o que me foi prometido.
 
Os conselhos mais usuais são “Saia mais, busque novas oportunidades. Deixe de procurar pela internet”, a comodidade que os aplicativos promovem impedem isso, é tudo mais fácil achar alguém e ainda melhor conversar sem precisar olhar no olho e ver realmente os sentimentos.
 
A nossa geração está refém das tecnologias, pior ainda, refém do amor, o medo de amar, de se entregar de maneira única e verdadeira, a máscara usada para se esconder são aplicativos de relacionamentos e a mediocridade vem tomando um lugar no nosso peito e invadindo nossas vidas. Porque afinal, buscar alguém real cada vez mais é algo fantasioso, como os finais dos contos de fada

Brunna D Luise Turato Lotti Alves

(quase) Graduada em Geografia, Professora e Voluntaria em ONG

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