Café Literário: Velho eu


Crescer também faz com que a gente abra mão de antigos sonhos.
Há pouco tempo atrás o meu sonho era morar no exterior. Aonde? QUALQUER outro lugar que não fosse aqui. Eu precisava achar um jeito de sair do país. Tinha certeza que lá, em uma terra distante, eu encontraria a felicidade.
Mas enquanto eu ficava por aqui, eu conhecia pessoas e lugares novos. E com esses encontros em também “me conhecia” e me transformava. Os dias aqui que antes eram tolerados ganhavam um colorido novo. A cidade era a mesma, mas os olhos que a enxergavam passavam por uma profunda transformação.
Hoje me surpreendi quando me peguei pensando que não conseguiria me imaginar indo embora agora. E em seguida, a pré-adolescente dentro de mim se sentiu traída: “te esqueceu da nossa combinação??”
O problema é que enquanto o nosso plano de ir embora o mais rápido possível não era posto em prática, eu estava aqui. E se eu não podia mudar de
lugar, eu precisava me mudar, afinal, eu queria me sentir bem. Com o tempo, eu aprendi a amar a vida que tinha aqui mesmo. Mas isso não aconteceu de forma racional e a mudança precisou acontecer de dentro para fora, pois o mundo não iria mudar para me agradar. Eu teria que modificar aquilo que dentro de mim estava me impedindo de ser feliz.
Não digo que nunca vou querer conhecer outros lugares – eu ainda amo viajar. Mas aprendi que é bom abrir mão de velhos sonhos para poder continuar sonhando. Alguns destes sonhos eu vou realizar. Outros não. A sabedoria está em não olhar para isso como uma derrota e sim como um processo de renovação.
Algumas promessas de ano novo não serão cumpridas simplesmente porque a pessoa as prometeu já não é mais a mesma. Cumprir uma antiga resolução a todo custo talvez não seja tão satisfatório quanto se permitir mudar de ideia. E quando a “antiga eu” vier acertar as contas, talvez eu tenha que lhe dizer: “deixe de ser tão chata! Afinal, nós sempre gostamos mais do inesperado, não é?”
Gabriela Pasa Mondelo 
gabriela.mondelo@acad.pucrs.br
Meu nome é Gabriela Pasa Mondelo, tenho 21 anos e estudo psicologia. Considero-me uma pessoa muito dedicada, responsável, tranquila e com muita disposição a aprender. Deste muito cedo, fui atraída por questões que envolviam pessoas. Perguntava-me quais os motivos que as levavam a agir de determinada forma, o que as movia a tomar suas atitudes, e porque estas eram tão diferentes uma das outras. Escolhi o curso de psicologia devido a esta curiosidade. Estou tendo a oportunidade de pensar sobre o ser humano de uma perspectiva que, até então, eu desconhecia.
A psicologia me ensinou não só teorias, mas me moldou como pessoa. Cada vez mais aprendo a respeitar a diversidade e a me interessar pelas histórias que me ajudam a compreender que cada um tem os seus motivos para adotar determinados comportamentos. Sendo assim, busco continuar meus estudos, para poder cada vez mais aprofundar tais conhecimentos, e sem dúvida alguma, me modificar a cada nova experiência.

2 comentários:

  1. Os caminhos podem ser diferentes, mas o destino normalmente é o mesmo: nós, como somos; tendo uma diferença o acúmulo das experiências que vivemos, partindo das reflexões que fizemos, ou não.
    Parabéns pela reflexão e autoaprendizado.
    AAMachado.

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  2. Também gostei... lembrei-me de quantas pessoas colocam a "felicidade" no LÁ: em outro lugar, no ano que vem, no próximo emprego, no próximo amor...
    Enxergar a felicidade das pequenas e grandes coisas que nos rodeiam é mesmo um exercício diário.
    Legal será você reler este seu texto daqui a muitos anos!

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