Café Literário: A espiral que eu habito


Talvez por isso o diagnóstico sempre seja o mesmo… Depressão.

Se morremos e somos lembrados é sinal que morremos. Mas se nunca existimos como podemos morrer?Sou um ser como qualquer outro. 

Sou uma espécie humana cuja taxonomia é conhecida como Homo sapiens.Se perguntassem diria: No latim significa “homem sábio” também conhecido como pessoa.

Sou do gênero feminino por isso chamam-me de mulher.Mulher é o ser humano adulto do sexo feminino. A descrição é genérica, eu sei…Sou mais uma entre milhões de mulheres no mundo.Sei que não sou única. 

Sou um corpo que morre a cada dia assim como todas a outras mulheres do mundo.Morrer não é morrer com o apodrecer do corpo;Morrer é não reconhecer-me em nenhuma narrativa;Mais sublime que envelhecer é morrer dia a dia…Descrever-me como? Nada que não exista pode ser descrito Então, eu sequer posso morrer. 

Mas como é possível uma mulher não se sentir única?Da mesma forma que existem os formigueiros.Eu existo.O desaparecer de uma formiga prensada entre os dedos de uma criança não faz diferença nem para os dedos que se fecham nem para a existência de outras formigas.Diriam então que o meu quadro é depressivo…Digo, a depressão é reconhecer-se na não existência. É a consciência plena de que morre-se ao nascer;Morre-se a qualquer momento e a todos os instantes. 
Quem morre e não é lembrado morre ao quadrado. 
E quem é lembrado por ter morrido um dia será esquecido  porque todos haverão morrido…A máscara fictícia da tal consciência é a constante busca do sentido de existir em si mesmo.
 Perceber-se na não existência, em si,  é assustador. Forma-se uma espiral de construções individuais na tentativa de deixar de ser formiga.

Nada faria sentido se descobrisse que é uma formiga, faria?Talvez antes da descoberta já teria sido esmagado por um pé de sapato.Todos os pés que me foram matar errou o alvo.Sou nada mais que uma formiga embora cometa o erro de achar que sou atômica.

Quando penso que sou uma formiga atômica consigo criar uma identidade de mulher, mãe, esposa, ser social assim como na ficção a força da formiga atômica é 50 vezes o seu peso. 

Nada mal para uma formiga Nada mal para uma mulher…te dedico este poema… 
Irene Dási
Escritora por vontade própria.
Mãe e esposa a muito tempo, 39 anos de idade. Do signo de capricórnio com a lua em leão. Bacharel em Turismo, uma pós em Jornalismo e um mestrado em Engenharia da Informação.

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