Café Literário: Ele em Abril


Ele.
Abril?
Não. Ele. Ele em Abril.
O mais cruel.
Abril? Não. Ele.
Ele entra, você não pode evita-lo, não pode-se evitar.

Passa-se por ele sem o entender em absoluto. Você acorda e lá está ele.
Ele simplesmente é. Simplesmente está. Acontece.                       

Ele entra sem perguntar se é Abril, ou mesmo sem perguntar se ele próprio é.

Existir simplesmente... Essa é sua natureza.
Ele é assim.
Existir, simplesmente.

Ele entra. Você não se importa, insiste. Ele, porém, continua. Continua a ser, simplesmente sendo, ele é.

Em Abril? Por que, Abril? Por que em Abril?

Veja ele surgir. Você sabia que uma hora... Que não se pode evitar – atrasar, enfrentar. Nunca evitar. Sabia que seria um dia... Mas sabia que seria? Em Abril?

Ele existe e não escolhe.
Em Abril.
Simplesmente em Abril, você não pode evitar.

Você sabia. Que um dia você acordaria e lá está. Sim. Você sabia. Sabia. Não esperava. Quem espera? Quem espera? E precisamente em Abril, quem espera?

E você sabia que ele sempre existiu, que sempre existia e sabia que um dia seria e que aconteceria e que você não saberia dizer mais nada.

Não, você não pode evitar; sim, você sabia.
E em Abril.
Ele. O mais cruel.

Lucas Grosso
Lucas Grosso é um escritor em início de romance e um poeta de versos presos. Ainda não publicou nenhum livro, nem plantou nenhuma árvore e tampouco tem filhos. Mas espera, em breve, cumprir ao menos duas dessas metas. É mestre em Literatura e não gosta muito de se autobiografar. Em seu blog (lucasgrosso.blogspot.com/) publica seus escritos.

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