Do Baú: Diga um verso bem bonito...

Fiz a cama na varanda
Esqueci do cobertor
Deu um vento na roseira
Encheu a cama de flor

Assim era a fórmula cantada e repetida que meu pai usava pra entremear sua coleção de versos cantados e... memorizados! Hoje eu tiro “do baú” a lembrança de tantas brincadeiras de roda e jogos onde a declamação de versos era um exercício lúdico e ao mesmo tempo, uma questão de pertencimento! Sim, se você queria fazer parte daquilo, haveria de saber alguns versinhos de cor. Se soubesse então, algum inusitado, era motivo de orgulho.

Sim, tive essa infância de cirandas e passa-anéis. De terreirões de saibro. Para meus filhos já não é assim. Brincadeiras populares agora são coisas que precisam ser colocadas no planejamento curricular, em projetos político-pedagógicos. Chato isso. De ser só isso. Triste.

Porém brinquei e continuo a brincar com meus ouvintes-falantes das sessões de contação de história, só que, cada vez mais raro é encontrar quem saiba declamar versos! Quem já soube, parou de praticar, deixou de ensinar os mais novos... novamente a questão recai sobre a professora (provavelmente, e talvez somente,  de Educação Infantil) a responsabilidade de colocar a tarefa em seu plano de aula... uff!!!

Mas se você tem saudades ou curiosidades (as duas coisas são motivadoras) que tal dar uma conferida na ‘cola’ que vou deixar aqui? Que tal partilhar também o que você conhece? Que tal lançarmos um desafio entre amigos e familiares? Que tal ensinarmos às novas gerações a entrarem nessa roda?(Vou colocar alguns versos nesta primeira leva e vejamos a repercussão. Inté!)

ALECRIM NA BEIRA D’ÁGUA
NÃO SE CORTA DE MACHADO
SE CORTA COM CANIVETE
DO BOLSO DO NAMORADO

MENINA DOS OLHOS VERDES
TEU CORPO MERECE TUDO
MERECE MEIA DE SEDA
SAPATINHO DE VELUDO

EMBORA TEU PAI NÃO QUEIRA
QUE EU ME CASE COM VOCÊ
MAS DEPOIS DE NÓS CASADOS
HÁ DE NOS COMPREENDER

MINHA MÃE SE CHAMA ROSA
MEU PAI SE CHAMA JARDIM
EU NASCI NA PRIMAVERA
QUANTAS FLORES TEM PRA MIM

JOGUEI MEU LENÇO PRA TRÁS
CAIU NA MATA SERENA
QUE SORTE QUE DEUS ME DEU
VOU CASAR COM ESSA MORENA

NO ALTO DAQUELE MORRO
TEM UM PÉ DE TANGERINA
MINHA BOCA TÁ MOLHADA
DE TANTO BEIJAR MENINA

DEIXE O CACHO DE BANANA
QUE O CACHO NÃO TÁ DE VEZ
OU ME AMA COM FIRMEZA
OU ME DEIXA DE UMA VEZ

MANDEI FAZER UM BARQUINHO
DA CASCA DO FEDEGOSO
PRA PASSAR COM O MEU BENZINHO
“NAS BARBA DOS INVEJOSO”

EU PLANTEI A SEMPRE VIVA
SEMPRE VIVA NÃO NASCEU
DIGO ADEUS À MORENINHA
QUEM VAI EMBORA SOU EU

JOGUEI O CHAPÉU PRA CIMA
APAREI COM A VASSOURA
NÃO TEM MOÇA MAIS QUERIDA
DO QUE A MINHA PROFESSORA

NO ALTO DAQUELE MORRO
TEM UM PÉ DE TINHORÃO
QUEM QUISER FALAR COMIGO
SETE HORAS NO PORTÃO

A LUA JÁ VEM SAINDO
REDONDA COMO UM VINTÉM
SE EU NÃO CASAR CONTIGO
NÃO CASO COM MAIS NINGUÉM

NO ALTO DAQUELE MORRO
BATEM DOIS PILÕES DE VIDRO
QUANDO UM BATE OUTRO RESPONDE
MENINA CASA COMIGO

NO ALTO DAQUELE MORRO
TEM UM PÉ DE SABONETE
VOU CHAMAR O MEU MORENO
PRA TOMAR CAFÉ COM LEITE

VOU MANDAR FAZER UM RELÓGIO
DA CASCA DO CARANGUEJO
PRA CONTAR HORA E MINUTO
DO TEMPO QUE EU NÃO TE VEJO

DA CASCA DO CARANGUEJO
É DIFÍCIL PRA DANAR
ME DÊ BEIJOS E ABRAÇOS
QUE EU PASSO A TE GOSTAR






Marisa Maia tira "Do Baú" memórias e preciosidades, oralidade e tradição popular - elementos influenciadores na produção literária e no nosso modo de ler... o mundo! 

Um comentário:

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Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
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