Café Literário: A janela


De onde estou posso ver a janela. Espelho de vidro, que me reflete e que me mostra aquilo que se passa lá fora. És nada mais que uma parede gelada. Ao meu olhar é quase invisível tal instrumento que se propõe a me tornar visível.

Será que me veem? Alguém observa o que se passa nessa pequena janela? Se eu gritar, o som o vidro irá abafar? Ou deixará mais real as sílabas abafadas em seu vidro? Vidro: gelado e impessoal, capaz de tornar o vizinho, o outro lado, até mesmo meu amigo, nada mais e nada menos do que algo irreal. Desconhecido.

A janela me reflete e me esconde. Quem de fora olha não me conhece e quem de dentro vê não me reconhece. Quando aberta é ponte, mas fechada já é grade. Conecta-me com a realidade, me exclui do mundo exterior.

É menos que uma passagem e é mais que um buraco. É só uma janela, quadrada e envidraçada, pela qual sempre passo com a cara virada. Não a olho, pois não tenho certeza se ela me liberta ou me prende. 

Beatriz Kucuruza

Beatriz Kucuruza, 16 anos. Atualmente cursa o ensino médio técnico em Comunicação Social no Instituto de Tecnologia ORT.

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