Café Literário: Foda de Almas


Quarto, cheiros, suor, NÓS.Gosto de relevos, minhas pernas cruzadas no quadril do meu amor, toda envolta por uma casca de Arte.Visão dantesca do Paraíso, as Bacantes se servem em êxtase derramando entre os músculos o caldo da Vida. Beijos, sopros, arrepios. Descascada.O caroço do pêssego é tocado, lambido, arrepiado, sugada a sua polpa suculenta, cheio de desejos. Ele recebe o  suco venenoso musical, toca com a pontinha da língua, a tessitura mais grave, me afina; até a lua contempla os sons milimetricamente combinados , sonata de Chopin. Boca. Língua. Peitos. Ventre. Pernas. Vulva. Bunda. Acolhem . Veias rígidas sobressalentes, olhos brilhantes vermelhos aguados sobressaltados, meu amor se enerva em totalidade.  Barulhos. Repetições. Notas altas. Escandalosas. Retumbantes. As paredes se espantam. Afrodite celebra. Aries goza com lutas de prazer. Em leito, o deleite desesperado, arrasta, sem aviso. Estou trépida, elétrica, alegre. Amantes, despidos de razão, somos, prisioneiros consentidos, em combustão, nos esquecemos.Fundimos numa ideia.FODA de Almas. Olhos revirados. Avalanche de Gozo. Duas semideias se encontraram num só Ideal, servo do Amor; imaculado pelo mel fraterno dos apaixonados desvairados, transcendente o Prazer se torna. Depois do terremoto, a calmaria emerge e adormecem os destroços eloquentes em abraços, apenas a ternura, calmamente,  no coração dos combatentes enaltece em laços...AMOR.

Juliana Mendes

Juliana Mendes: tradutora, professora, estudante de Letras na UFJF, escritora nas horas vagas. Gosta de viajar, de psicologia, de filosofia e do mundo dos sentimentos. Ler, comer e amar a vida são os seus maiores prazeres.

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A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
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