Contos & Crônicas - O primeiro texto a gente nunca esquece


O primeiro texto a gente nunca esquece. Se ele é inesquecível, que seja especial… E para ser especial, pensei e repensei mil vezes em como escrevê-lo. Eu precisava das palavras certas, do jeito certo e do tema perfeito. Cogitei, até mesmo, escarafunchar essa tal de internet e dar um jeito, sei lá qual, de encontrar a primeira crônica escrita em toda a história da Literatura! Nada como uma estreia histórica.

Viajei no tempo, pesquisei, li… Comecei este bendito texto quinhentas vezes, no entanto nada me agradava. Que diabos estava fazendo eu de errado? Primeiras vezes têm de ser especiais. Passei a borracha, recomecei.

É claro! Eu não poderia admitir que o meu primeiro texto aqui neste espaço deixasse passar batido o nome do cronista de quem sou o fã nº 1: Caio Fernando Abreu.

Minha primeira leitura de um texto desse jornalista / dramaturgo / escritor / artista, foi muito mais que especial. Caio caiu do céu para mim, de um jeito todo despretensioso e quase que despercebido. Indicado por uma professora de teatro, demorei longo tempo para conhecer seus contos e crônicas. Até o dia em que, sem mais nem menos, lá estava um livro dele na minha estante: Pequenas Epifanias.

Epifanias…

Aparecimento ou manifestação divina; Apreensão, geralmente inesperada, do significado de algo. A busca incessante pela vida. Perfeito, profundo, reflexivo. Aqueles que pensam na vida como algo sagrado e misterioso, vão se deliciar não só com Pequenas Epifanias, como também com qualquer texto do Caio.

É… Estamos próximos do fim desse texto, então preciso deixar a singela recomendação: Leia Caio, sinta Caio, reflita Caio.

Sim, sei que fiz a escolha certa. Isso me conforta. Seus escritos, para mim, tem tudo a ver com primeira vez, pois são especiais. Tanto que escolhi o trecho de uma crônica escrita por ele, de nome 'Zero Grau de Libra', para abrir o meu primeiro livro. E hoje escolho esse mesmo trecho para terminar esta especial primeira vez:

"Deus, olha por todos aqueles que queriam ser outra coisa qualquer que não a que são, e viver outra vida que não a que vivem.” - Caio Fernando Abreu.

Até a segunda vez.

Hugo Ribas

Hugo Ribas é autor do livro Confesse-me, estudante de teatro, metido a escritor, e também pisciano... Ou seja: Desorientado.

Um comentário:

  1. Hehehe... seu bem essa sensação de busca do primeiro texto. Bom trabalho!

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