Café Literário: Poema em prosa nº II



hoje à tarde, desfeita dos compromissos obrigatórios, fui ao campus fazer minha aula de francês: uma paixão. de repente, no ônibus, vi um arco-íris e, como me preparava para a aula, exclamei: “un arc-en-ciel!”. mas olhando bem eram dois, o de cima estava meio apagado.

desci do ônibus no desespero de ver de novo, e longamente, o arco-íris. por incrível que pareça, pois a mim pareceu incrível, ele começou a se apagar no meio. e eis que de repente, como quando marcel desceu um declive em casa dos guermantes, eu me senti impossivelmente feliz. fazendo força com os olhos, dando a eles certo grau de visão, podia-se vê-lo inteiro novamente. mas então o encanto passava, e eu notei que, vendo o arco incompleto, eu via minha vida. a interrupção foi as inúmeras separações que tivera, e muitas que ainda vou ter. eu tenho a mania de tirar pessoas do meu convívio, o que de certa forma me faz bem. fiquei feliz olhando aquela falha no arco-íris, como se, forçando o olhar, eu estivesse me redimindo com as pessoas com as quais falhara e houvesse um espaço para mais alguém. mas ai de mim! em breve o “arc-en-ciel” se desfez e, de novo como marcel, resolvi escrever a esse respeito. espero as pessoas que vão colorir o espaço vazio do arco-íris.

Vivian de Moraes

Jornalista formada na Unesp de Bauru em 2008, trabalhei em periódicos diários, na Embrapa e no Sesc Araraquara.Tenho três livros publicados: "Sonetos Sombrios" e "Poemas e Canções", lançados na Unesp/ FCL Araraquara e no Sesc Araraquara no dia 4 de outubro de 2012, com tiragem de 200 exemplares cada; e "hacais/ vivian/ de moraes", lançado em outubro deste ano, com tiragem de 200 exemplares. Tenho um livro de contos chamado "Lesbos" e um livro de microcontos ilustrados, à procura de editora. Pretendo, ainda, escrever um livro de fundo autobiográfico sobre transtorno bipolar. Atibaiense, vivo atualmente em Araraquara/SP, onde estudo Letras (Francês) na Unesp. Em maio deste ano, a revista "Cult" publicou "Tesoura", poema de minha autoria, no espaço "Oficina Literária". Duas sequências de poemas meus também foram publicadas em novembro pela revista especializada online “Mallarmargens”.

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