Café Literário: O outro lado da moeda



__ Cara ou coroa? __ pergunta o homem miudinho, com seus óculos a meio nariz, segurando uma pequena moeda de dez centavos de reais na mão direita.

__ Cara __ grita Felício olhando de “rabo de olho” o adversário.

__ Ora! Não é justo que ele escolha primeiro. Vamos decidir quem escolhe no par ou impar _ reclama Fred.

__ Ora, ora! Deixe de meninice Fred. A possibilidade de dar cara ou coroa é exatamente igual para ambos. Não tem porque tirar no par ou impar __ interfere o homenzinho sorrindo com desdém.

__ Vá lá então. Sou coroa, mas sob protestos, pois quero ser “cara”.

__ Você é o cara, Fred! Mas, a “cara” da moeda é minha __ ri-se com deboche Felício _ pra você vai sobrar apenas uma bela coroa _ conclui zombeteiro.



O que acontece é o seguinte: Durante um churrasco na casa de Felício, inicia-se uma demanda sobre quem é o mais corajoso dos dois. Felício e Fred são ótimos amigos, mas cada qual se diz mais valente do que o outro.
Tudo começou com uma “contação de histórias” sobre casos sobrenaturais, coisas do outro mundo, do além. Casos horripilantes de almas penadas e assombrações que aparecem de forma misteriosa no cemitério da cidade, conforme depoimentos populares.

Felício e Fred gabam-se de serem corajosos e não acreditar em tais baboseiras.

__  São meras crendices de maricas __ diz Felício, debochando.

__ Não temo nem os vivos, quanto mais os mortos __ complementa Fred, presunçoso.

Assim, os amigos reunidos lançam um desafio aos dois valentões. Terão de ir à meia noite, sozinhos, ao cemitério da cidade que ostenta a fama de mal assombrado. A prova de coragem seria recolher algo que eles colocariam dentro de uma caixa no interior do mausoléu defronte o cruzeiro, no centro do cemitério.

Sem titubearem ambos aceitam a mirabolante aventura. A sorte foi lançada para ver quem seria o primeiro a fazer tal incursão no coração daquele “campo santo”

A pequena moeda rodopia velozmente no ar, indo cair na palma da mão esquerda do homenzinho. Este a apresenta deixando que todos olhem o resultado.

__Coroa __ grita ele para todos ouvirem.

Fred comemora.

__ Deu coroa, ganhei! Sou “o outro lado da moeda”, logo eu decido quem irá primeiro __ exalta-se saltitando ao redor de Felício que não gosta muito da atitude de Fred, pois queria ser ele a escolher o amigo para ir primeiro.

__ Diz logo quem irá primeiro, seu covarde medroso __ pergunta Felício irritado com o sarcasmo do amigo.

__ É claro que você irá primeiro. E trate de assustar todas as assombrações e almas penadas que estiverem por lá. Quando eu for não quero ter que enxotá-las a pontapés __ ironiza Fred às gargalhadas.

__ Muito bem __ interrompe o homenzinho que está arbitrando a demanda __ amanhã à noite iremos acompanhar Felício até a estrada que conduz ao cemitério. Ele deverá nos trazer o conteúdo que estará dentro da caixa que colocaremos no mausoléu combinado. Depois de amanhã faremos o mesmo com o Fred.

Na noite seguinte, conforme acertado, Felício ruma para o cemitério municipal levando apenas uma pequena lanterna. Embora se considere um homem de coragem, ao se ver sozinho sente em seu íntimo um mórbido temor. São as histórias populares contadas, segundo afirmam, por testemunhas oculares, das coisas estranhas que ocorriam durante a noite como uivos e gemidos das pobres almas que ainda não conseguiram descansar em paz, invadindo sua mente, embora sempre tenha gritado aos quatro cantos da terra que tudo isso eram tolices, meras superstições. Talvez a falta de platéia corroborasse para que seus próprios fantasmas assumissem a tarefa de colocá-lo frente a frente com suas fraquezas. A noite seria longa o suficiente para ele provar o que dizia.

Chegando lá, Felício se depara com seu primeiro obstáculo, o portão trancado a chave.

__ O que farei? __ analisa a possibilidade de pular o muro __ é muito alto. Só com o auxilio de uma escada eu poderia fazê-lo __ descarta rapidamente esta opção.

Desalentado, mergulha na escuridão e inicia um andar inseguro ao longo do muro que cerca o local. O intuito é achar algum meio de entrar, sem muito esforço. Depois de ter andado mais ou menos um terço da volta, depara-se com uma grande árvore cujos galhos se estendem por cima do muro, adentrando ao cemitério.

__ Eis a solução. É por aqui que me vou às sombras do além _ utilizando os galhos da árvore sobe no muro com facilidade.

Faz um pouco de frio. O vento sopra com certa intensidade por entre as catacumbas e assobia por entre os mausoléus. À luz da lanterna, as sombras das cruzes e das lápides tomam formas assustadoras.

De cima do muro Felício olha com profundo desalento o deprimente e tétrico cenário.

__ Meu Deus! Isso é de dar arrepios. Nunca pensei que à noite esta visão fosse tão assustadora. Mas, o que eu sou? Um homem ou um rato? Vamos lá Felício. Vai ser uma entrada triunfante por cima __ e pula, caindo sobre uma das sepulturas de terra. É macia e afunda sob seus pés com o impacto de seu peso.

Um grito se dez ouvir naquele exato momento.

__ Uiiiiiiiiiii.....

É como se tivesse pisado sobre a barriga de alguém que geme agonizando de dor. Todo seu senso de autoproteção fica em alerta, pronto para um plano B: Fugir.

__ Meu Deus! O que foi isso? __ gira a lanterna rapidamente em círculos iluminando o local. Não vê nada de anormal. Mas, antes que seu coração se acalme...

__ Aaahhhhhhhh... gemidos suspirados, abafados, como se viessem das profundezas da terra, brotam da sepultura onde ele havia caído de pé.

Felício sente os pelos de seu corpo se ouriçar e sai em verdadeira disparada como uma lebre assustada fugindo de cães ferozes. Apavorado, pula sepulturas e cruzes, olhando ao redor para certificar-se de não estar sendo seguido, até que esgotado, para ofegante. Recosta-se contra a parede de um mausoléu para recuperar o fôlego e se localizar.

A lua que até então se mantivera oculta atrás de algumas nuvens reaparece e lança sua luz amarela descorada, deixando à vista uma infinidade de sombras, sepulturas e cruzes. Entre esses, vultos imaginários se materializam e se movem à distância. Ruídos, estalidos e outros sons estranhos se fazem ouvir por todos os lados.            O cemitério, reino dos mortos, parece ter adquirido vida. Até as sombras se movem em gingados assustadores.

É o medo em ação, estimulando a imaginação para ver e ouvir aquilo que nunca veio a existir.

__ Que besteira Felício. Não há nada aqui. Mortos não voltam para assombrar ninguém e além do mais...

__ Craaakkkk... __ um estalido muito forte de algo se quebrando se faz ouvir logo às suas costas. O coração cresce dentro do peito quase o sufocando. Os nervos se retesam a ponto de lhe causar câimbras. Novamente se põe em fuga correndo como a lebre assustada, fugindo dos mesmos cães ferozes. Em pouco tempo, depois de correr a esmo por entre tantas lápides, se vê diante do cruzeiro, no centro do cemitério. Para bruscamente atrás de uma moita de arbustos. Olha ao redor, escuta. Nada ouve ou vê e então relaxa. Uma centelha de raciocínio lógico se reacende dentro de sua cabeça, iluminando os neurônios confusos.

__ O mausoléu deve estar por aqui __ fala em voz alta consigo mesmo, ainda ofegante __ preciso encontrá-lo, pegar a tal caixa e cair fora daqui o quanto antes, senão acabo tendo um “troço”.

Repentinamente ouve o bater forte de uma porta. Sobressalta-se novamente assustado. Instintivamente vira-se na direção do ruído. É a porta do mausoléu. Está aberta e bate com o vento. Respira aliviado.

__ Ah! Lá está ele. Só pode ser aquele __ dirige-se para lá com passadas esticadas e firmes. A lanterna à frente ilumina fracamente o percurso, pois as pilhas já dão sinal de pouca força.

__ Eis a caixa! __ alegra-se ao avistar a pequena caixa sobre uma bancada de mármore, ao lado de um vaso de flores murchas. Dependurado na parede a sua frente, uma cruz de bronze brilha sobre um resquício de uma frase já gasta pelo tempo: “... tua última morada”.

Felício aproxima-se da caixa, estira os braços com as mãos abertas e trêmulas para apanhá-la. Embora apavorado com todas aquelas emoções, está satisfeito diante da prova de sua valentia. Quando ia pôr as mãos na caixa, um vulto todo branco e esvoaçante se materializa em sua frente e num movimento rápido coloca-se entre ele e a caixa. Felício fica momentaneamente paralisado com a boca aberta e os olhos arregalados de pavor.
__ Uuuuuuuhhhhh... uuuuuuhhh __ assopra a assombração ao mesmo tempo em que flutua suavemente em sua direção. O pobre Felício amarela, sua fisionomia transforma-se, adquirindo um aspecto cadavérico. Borrando-se de pavor, foge assustado deixando a caixa e sua lanterna. Não há mais nenhum raciocínio dentro de sua cabeça. O pânico supera toda e qualquer dificuldade. Como se tivesse criado asas, num ato de verdadeira proeza, salta o alto muro sem ao menos tocá-lo. Não ousa olhar para trás. Só para de correr quando em frente sua morada e fica o resto da madrugada e todo o dia de vigília, rezando.

Quando o relógio marca onze horas, Felício é retirado de seu torpor pela visita dos amigos.

__ Então, Felício, cadê o conteúdo da caixa? __ pergunta o homenzinho com seu óculos a meio nariz, acompanhado do sorridente Fred e seus companheiros.

__ Não me vá dizer que fugiu de lá com o rabo entre as pernas, morrendo de medo? __ pergunta Fred irônico.

__ Bem, tenho que concordar que assombrações existem. Eu vi com meus próprios olhos que a terra há de comer. Admito: Não sou tão corajoso quanto pensei __ entrega-se humilhado diante dos amigos, que se desmancham em gargalhadas ao ver a arrogância do amigo cair por terra.

__ Olha Fred, aceite meu conselho: não vá lá esta noite. Deixe as coisas como estão. É para seu próprio bem. Isso foi meu pior pesadelo. __ fala Felício assustado __ Eu jamais colocarei meus pés lá dentro novamente.

__ Comigo será diferente, amigo Felício. Não vou amarelar diante do que não existe.

                        Dois amigos se afrontam num desafio de coragem,

                        Felício, na sua valentia demonstrou covardia,

                        Amarelou em frente de uma simples imagem.

                        Fred é o tal, é destemido e cheio de ousadia,

                        No mundo dos mortos logo fará pilhagem

                        No reino das assombrações, ficará até o raiar do dia.

                        Trá lá lá lá lá ...

Fred sai cantarolando e fazendo pilhérias do amigo medroso. À noite dirigiu-se ao cemitério esbanjando confiança.

Ninguém desconfiou de nada, mas na noite anterior, Fred antecipou-se ao amigo e ficou à espreita atrás do muro, esperando-o. Todos os sons e a aparição da assombração foram armações suas. Ele assustou o companheiro e agora irá tranquilamente ao mausoléu e pegará a caixa com seu conteúdo, provando assim sua coragem.

__ Hoje é o meu dia. O sonso do Felício nem desconfiou da minha armação. Agora vou lá, apanho aquela caixa e volto triunfante, como um verdadeiro herói, valente e destemido.

Com a lanterna na mão, já nas doze badaladas noturnas aproxima-se do cemitério.
O céu está muito mais escuro do que na noite anterior. Prenuncio de tempestade. Fred continua firme, determinado a vencer o desafio macabro.

Alguns sobressaltos quase involuntários ocorrem a cada trovão que ribomba nas alturas celestiais. Seus passos longos e firmes cortam o breu da noite. A cada novo relâmpago e com o aumento dos ventos frios, seus passos vão aumentando também, chegando quase a uma corrida.

__ Calma Fred. Não há o que temer. Tudo está indo muito bem, não se impressione com o que não existe __ tenta se acalmar à medida que se aproxima do mausoléu onde está a tal caixa.

__ Lá está ela. Exatamente no mesmo lugar de ontem. O que será que aqueles malandros colocaram dentro dela? Eu podia ter visto ontem, mas se eles viessem aqui durante o dia para verificarem se o Felício havia mexido ou tirado a caixa do lugar, descobririam minha armação. Não tem problema, agora descobrirei o que há nela. Felício ficará assombrado quando vir minha cara nos jornais com a manchete na primeira página: “ Fred enfrenta almas penadas no reino dos mortos e volta vitorioso ao mundo dos vivos”.

A tempestade intensifica. Entre raios e trovões o aguaceiro desaba aos baldes. A tênue luz da lanterna se perde em meio ao luzeiro dos intensos relâmpagos. Figuras fantasmagóricas se formam e transitam de um lado para o outro. O vento frio roça a pele como se fosse uma mão gelada acariciando-o pelas costas. Arrepios ouriçam os pelos dando a sensação de estar sendo sugado por um imenso imã.

Com todas essas sensações provocando calafrios e medo, Fred, nervoso e com o corpo rígido apanha a caixa. Abre-a com dificuldade motora, sem controle nas mãos. Quando finalmente consegue abri-la, seus olhos saltam do globo ocular, mirando seu pequeno conteúdo.

Uma folha de papel. Apenas isso, nada mais. Na folha, letras garrafais, em vermelho encarnado, a decisiva frase:

__ “Chegou ao seu fim. Olhe para trás se realmente tiver coragem”.

Fred entra em pânico. O que haveria atrás de si que pudesse assustá-lo ainda mais? Titubeia, um pavor inexplicável se apossa de seu corpo. Quer virar, mas algo parece impedi-lo. É o medo, é a incerteza do que o espera ou do que poderá acontecer por este simples ato. Não há saída, precisa vencer essa força que o imobiliza e encarar o que quer que seja. Em seus olhos refletem os resquícios daquela frase na parede amedrontando-o ainda mais... sua última morada”.

Num extremo esforço para vencer o desejo de não olhar, olhou. Foi muito rápido como se quisesse superar aquele instante imediato. Seu gesto, acompanhado de uma luz intensa como um flash cruzou os céus acima do cemitério, deixando o mausoléu às claras. Neste momento Fred gostaria de ser cego, contudo seus pequenos olhos estão por demais arregalados para não ver aquilo que não queria ver. Um vulto branco, como se fosse um fantasma brilhante e transparente flutua através da pequena janela. Petrificado, assisti o manto da noite voltar a cobrir o sono dos mortos.

Quando o sol volta a iluminar aquele cenário, revela um corpo estirado no chão. Os olhos estatelados miram o teto e a boca semiaberta denúncia a causa da morte. Medo.

Depois daquela tempestade, a calmaria voltou a reinar no mundo dos mortos. Apenas um véu branco, transparente continuava esvoaçando de um lado para o outro em frente à pequena janela do mausoléu.

Logo toda a cidade estava a par do ocorrido. Um homem foi achado morto no cemitério, dentro do mausoléu.

O jornal local noticiou o fato:

“Fred enfrenta almas penadas e não mais retorna ao mundo dos vivos”.

Como todos sabem: Toda moeda possui dois lados. E, de um dos lados, sempre será coroa.

Fim


Devair Módolo
dmilha@hotmail.com

Resido em Presidente Prudente há seis anos. Trabalho como técnico em manutenção, tenho 53 anos, casado há cinco anos. Nas horas vagas escrevo minhas histórias de ficção. Publiquei dois livros: "Mundos Paralelos _ A Outra Face da Terra" e " O Mensageiro da Morte". Ambos no gênero ficção romance. Participei de algumas  antologias e tenho alguns livros ainda não publicados.

Um comentário:

  1. Cara, sua história é boa, apesar de não ser exatamente uma história de terror. O texto de terror deve despertar o medo e criar uma tensão no leitor, estimulada a partir da manipulação das palavras e situações. Uma dica: para fazer o travessão da fala de um personagem, utilize a combinação de teclas "Ctrl + -", este último, do teclado numérico. Atenção à revisão do texto, para se evitar repetição de palavras, ou mesmo palavras do mesmo grupo semântico, ou foneticamente parecidas; as locuções adverbiais devem vir entre vírgulas. Esse e outros aspectos facilitam a leitura. Parabéns pela história!

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Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

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