Café Literário: Dúvida

Voa bem alto, mas não consegues ver Lá em cima, sobressai a última quimera Com a cabeça de leão devorando teu coração Voando entre as facas afiadas que separam o bem do mal Dona de um código simples que ninguém consegue decifrar Mostra os dentes como quem mostra as garras e te desafia Não! Ninguém consegue montar nela, espera. É que ela sabe, muito embora não aparente Sorri enigmática e guarda egoísta Daquilo que é teu e de toda essa gente Carrega o segredo que te revela entre as coxas no escuro No vai e vem,ignorante achas que sabe O que velhos enriquecerem vendendo dogmas Mais ignorante ainda pensas que entende Mas isso é só o fruto de um coração descompassado e demente Disritmia Nada mata tua curiosidade assassina que aos poucos te desilumina A última quimera te espera ainda oculta Da dúvida que invariavelmente te ocupa Existem perguntas que não devem ser feitas Mas essa já foi há muito E num grito tão feroz e alto que inda ecoa Parece tão complexa Porém é tão simples: a resposta para a existência é a própria essência A retórica, diz sarcástica a última quimera, é apenas ser

Marianna Faria

Ovelha negra da família, aspirante a atriz e autora do blog Rádio Atividade (http://blog-radio-atividade.blogspot.com.br/

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