Um tributo à Literatura Japonesa


Ao leitor brasileiro: voce já leu Yukio Mishima? Qual a obra mais famosa de Natsume Sōseki? Quem foi Akutagawa?

A não ser que se trate de um especialista em Literatura Japonesa, as perguntas acima, em um típico círculo literário tupiniquim, ficariam sem respostas.

Para falar a verdade, eu mesmo só os comecei a ler quando cheguei ao Japão, em 2001. De tal modo que seria pretensioso de minha parte se tentasse aqui discorrer, como se especialista fosse, sobre a Literatura Japonesa. Limitar-me-ei, portanto, a fornecer meramente as impressões de um leitor em relação às obras que mais me chamaram atenção.

Começo pelo livro Botchan, de Natsume Sōseki.

O título pode ser traduzido como “Pequeno Mestre”, ou, como se costumava dizer no periodo colonial brasileiro, “sinhozinho” ou ainda “sinhô-moço”. Não que o protagonista de Sōseki seja, propriamente, um representante da aristocracia local. Mas, sendo de Tóquio, e indo dar aulas na província, seu sotaque e forma de falar eram, não raras vezes, confundidos com um certo ar de arrogância. Daí o apelido que intitula a obra. Mais que arrogante, porém, Botchan é um sujeito temperamental; o tipo que não leva desaforo para casa, e que ― conforme mencionado acima ― acaba tornando-se professor em uma escola secundária da província. A escola em questão mais parece uma escola-de-samba, vistos os tipos alegóricos que compõem o corpo docente. E Botchan, um observador, não tarda em apelidar esses tipos de acordo com a personalidade e aparência de cada um. Assim temos figuras como “Red-shirt” (um professor cuja falsidade já pode ser detectada em um primeiro sorriso); "The Clown" (o Palhaço), entre outros que fazem da vida do inexperiente “Professor Botchan” um verdadeiro inferno, a ponto de levá-lo a...

(?)

Isso mesmo, amigo leitor: deixo aqui o ponto de interrogação para não estragar a surpresa do final.

Boa leitura!

Edweine Loureiro

2 comentários:

  1. Caro Edweine Loureiro, essas obras já foram traduzidas para o português? Gostaria de ler alguma coisa, porque a cultura japonesa muito me impressiona, pela sutileza, pelos valores e, sobretudo, pelo respeito à natureza. Sou fã de Basho e seus haicais. Muito bom seu artigo, nos estimulando a conhecer esses autores. Obrigada. Um abraço.

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  2. Obrigado, amiga Angela. Acredito que as principais obras de Soseki ja foram traduzidas, sim. Certamente, a Associacao Nikkei em BH deve informar onde obte-las. Obrigado pela leitura, amiga querida. Abracos literarios.

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