Café Literário: O Balé das Aves

O som romântico do sabiá          

E a bico do Pica Pau a martelar

Demonstra com requinte sua proeza

Ecoando diretamente na natureza

Formando uma cadência linear


O canto trissilábico do Bem Te Vi

E o cantarolar do Quero-Quero

Realça a musicalidade da ecologia

Transforma os sons em poesia

Num misto de samba com bolero


O trinca ferro de canto romântico

E a cigarra com seu insistente zunido

Criam seu próprio critério semântico

Transcende os mares e até o atlântico

Com seu rico portfólio aduzido


O ouro amarelo do canário

E o azul anil do azulão

Cria na mata um belo mostruário

Transmite nos ares um lindo cenário

Além do Tucano com seu enorme bicão



A cauda em arco íris do pavão

Com o colorido plumado da arara

Simboliza uma aquarela no faisão

Encanta o voo acrobático do gavião

E a destreza do Beija Flor, quando no alto para.


Enquanto o tico-tico assobia cadenciado

O lépido Biguá mergulha para caçar

O Rouxinol com seu gorgorejo engraçado

Rima com o corruíra com seu canto trinado

Não deixando o papagaio parar de falar


A Calopsita com seu topete irreverente

Contracena com o Pinguim a desfilar

O João de barro com sua casa imponente

Convida a Gralha com seu grito estridente

Para junto com o coleirinho nela entrar


A gaivota com seu voo maestral

E o Albatroz com suas planagens suaves

Transforma o pelicano num magistral

O falcão num predador fenomenal

            Num verdadeiro balé das aves

Alvaro Dias

Sou administrador e contabilista aposentado. Já plantei cinco árvores, casei duas vezes, tive cinco filhos e agora escrevo textos poéticos. Hoje com 62 anos estou tentando fechar com chave de ouro. Virar escritos dos amigos e parentes.

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