Café Literário: Neologiando



Palavriei sem saber que se palavriasse palavras viriam e me matariam.
Sonhei sem saber que se sonhasse sonharia com coisas loucas que me assustariam.

Chorei sem saber que se muito chorasse choraria e me destruiria.
Vivi sem saber que vivendo viveria para sempre procurando uma forma de vida.
Me interroguei sem saber que se muito me interrogasse as palavras me comeriam.

Inventei de amar sem saber que amando inventaria de encontrar uma verdade que sempre fugiria.

Fugi de ti sem saber que fugindo estaria me aproximando do teu abismo.
Escrevi sem saber que cada a palavra escrita seria uma forma de enlouquecer a minha vida.

Nostalgiei sem saber que recordando era a forma mais absurda de encontrar talvez uma saída.

Encontrei-te no fim da rua sem saber que no final dobrarias a esquina e depois tu me esquecerias.

Matei-te sem saber que no momento em que o sangue jorrasse eu jorraria mais que tu.

Viajei para longe para procurar-te nas coisas, mas de coisas eu mal entendia, então tu sumistes.

Então lá pela tardinha,
Das noites em que verbeei,
Eu morri sem saber que o verbo me comeria.

Janaina Muniz

Janaina Muniz, estudante de Letras, apaixonada pelas artes, escreve desde quando descobriu o mistério das palavras. A subjetividade das palavras escritas em versos lhe constrange. Prefere as poesias e as crônicas.

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