Desafio Literário: Liberdade, abre as asas sobre nós


Ordem e progresso; palavras nunca antes tão estimadas. Pela firme e forte mão dos militares, a república brasileira houve de ter sua bandeira hasteada ao meio-pau da liberdade. O governo ditatorial, implementado ao fim do raiar de 64, visava a travessia nacional pelo tumultuoso e largo rio da instabilidade social, ameaçado pela maré vermelha do comunismo. O protecionismo construído em torno da pátria circundava, também, os próprios cidadãos, protegendo-os uns dos outros.

Ao menor sinal carmim, acionado era o braço forte, a mão amiga, convidando as suspeitas a um passeio por meio dos calabouços dos alumbramentos. As extrações das verdades - silenciadora das suspeitas - guiadas eram pelo pulsar do sangue, pela eletricidade sináptica ou pelo acúmulo de ácido lático. Os mais bem-aventurados respiravam outros ares, embora criassem calos na língua. Nem mesmo um turbilhão de vozes parava a cortina de fumaça que se chocava contra o povo. Mudos, a língua de sinais deu-se pela arte e melodias de alguns poucos valentes, auxiliados por uma ou outra corajosa mídia local.

Era uma fria manhã quando o garoto entregava os jornais aos estabelecimentos. Uma segunda-feira; um dia que pede para que as emoções e importâncias esperem um pouco mais para aflorar. Entretanto, no canto inferior direito, ao folhear a página de horóscopos, após os classificados, numa pequena e incolor coluna, lia-se um resquício de arte transbordada:

“Como uma maré vermelha
Mensagem a malograr
Murmura, marulha
O mar qui’sta a cantar”


Os curtos versos não tardaram a circular entre os muitos leitores da publicação. Da balconista da lanchonete da esquina ao gabinete do prefeito, os oclusivos sons daquelas nem tão-bem-compreendidas palavras murmurejaram os lábios das curiosas mentes que as tentavam decifrar. Não tardou, em um período em que apenas a justiça procrastinava-se, em que a boca a articular aqueles fones fosse a do capitão Salvador; membro - de irônico sobrenome - da alta cúpula do Departamento de Ordem Política e Social, cujas principais atribuições limitavam-se à repressão de qualquer movimento social. Que dizer então da censura por eles feita? 

Os olhos do líder deslizavam sobre aquelas quatro linhas. O menor sinal de qualquer palavra de referência rubra era mais do que suficiente para sua associação às ideias comunistas. Era como se, durante o próprio processo da leitura, um vermelho cor de sangue, no movimento do mar daquele eu-lírico, fosse a ressaca marítima a puxá-lo para as águas abertas. Contudo, como um exímio nadador, apreciava cada braçada em direção à origem daquele pélago. Sua afinidade pelas letras não importava às forças armadas. Nunca valeram mais do que os cartazes afixados nos muros das ruas, a preconizar ordem e, doravante, progresso. Emergiu de seus pensamentos e fechou o jornal, pondo-o de lado. Esticou o longo braço até o pesado telefone de aço ao fim de sua mesa e tomou-lhe do gancho. Os dedos giraram por entre as aberturas do anel metálico sobre os algarismos e, após curtos bipes, estabeleceu-se a conexão:

- Alô, aqui quem fala é Salvador. Não pude deixar de apreciar a coluna recreativa por vocês publicada neste belo dia. Em especial, encantei-me por um dos poemas ali publicados. Contudo, questiono-me: quem seria o talentoso autor? Podeis dizer-me o... entendo... tratam-se de pseudônimos então. Há de haver, todavia, o endereço do remetente da obra entregue... não podes dar informações a estranhos? E ao Serviço de Ordem Social? Ou talvez seja melhor visitar lhes pessoalmente a bordo de minha viatura... 

As ameaças seguintes não precisaram estender-se. Em poucos minutos, rascunhado estava o pseudônimo daquele artista, bem como o endereço de sua morada, no canto do mesmo jornal em que lera os versos vermelhos. Não se pode ignorar a motivação do oficial em buscar o nome de seu mais novo favorito poeta. Há quem veja o capitão como um homem sistêmico, fruto do sistema e hierarquia militar que vigorava, em seu ápice, naquele momento. Todavia, por debaixo da feição carrancuda que trazia emoldurada em seus traços físicos – principalmente no pé ante pé até a viatura que o levaria para seu encontro literário – faz-se necessário saber as paixões daquele soldado. 

Escolhera a infantaria pelo caminho de dois corações: o do pai e do avô. O braço de sua árvore genealógica dava-lhe a vida enquanto apontava diretamente para o quartel. Foi em uma de suas andanças pelo mundo, com o mundo e no mundo, por entre as grossas ramagens que lhe tentavam obstruir a visão no caminho da vida, que saltara a pedra de Drummond e apaixonara-se pelos versos livres dos modernistas. Que trazia em seu coração? Já que estamos a falar dos corações mais velhos, nada mais justo que revelar um ou outro segredo que guardamos todos a sete chaves no peito: trazia a pátria e as letras como marca-passo; aquela sempre em predominância desta. Fato que explica a necessidade de sua intervenção no pequeníssimo poema publicado junto aos tão consultados e desnecessários horóscopos. Como conhecedor de letras, sabia que por detrás daquelas palavras repousava um espírito subversivo e esquerdista.

Chamou outros dois robustos guardas para visitar o senhor Machado. Foram apertados dentro do velho carro. O cheiro de óleo queimado aumentava a cada metro percorrido. Devia ter aceitado a transferência para o Rio de Janeiro. Ouvira dizer que as ruas lá eram menos desniveladas que as vias paulistanas. Com certeza as radiopatrulhas seriam infinitamente mais bem aparelhadas. Foi um buraco na via que lhe tirou do mundo dos sonhos e o fez segurar com mais força o volante. Por fim, próximo ao movimentado centro da cidade, encontrou, como se destinado pela providência, um pequeno espaço para parar o carro. Manobrou-o com precisão e verificou que o endereço conferia. Desceram todos do carro e correram a vista pelas rachaduras na verde parede exterior da humilde residência.

- Não é vermelha – murmurou o capitão com desapontamento em sua voz.

Puseram-se, os três, à porta do casebre e, com os nós dos dedos, bateram concomitantemente em sua madeira. Silêncio. A casa estava adormecida. A enxurrada de dedos batucou a porta mais uma vez. Os guardas se entreolharam:

- Capitão, tem certeza que este é o lugar?

- Positivo, soldado!

Seus olhos negros fitavam a porta, esperando que abrisse por mágica.

- E se subíssemos pela calha e entrássemos no recinto? – questionou o outro soldado.

- Existem métodos mais discretos – disse o capitão, voltando os olhos para a maçaneta da velha porta.

Ergueu os dedos e guiou-os para tocá-la quando escutou o girar de uma chave. A porta entreabriu e um ar pesado, próprio de ambientes fechados por muito tempo, escapou pela pequena fresta que se fizera, e que rapidamente se abriu. Um velho e esguio homem, de longos cabelos já brancos, estava no passadiço. Tinha uma barba por fazer, algo inadmissível nas forças armadas, e apresentava um ar cansado.

- Pois não, oficial? – dizia a voz rouca do homem à porta.

O capitão hesitou por uns instantes até tomar a palavra:

- Senhor Machado?

O velho abriu um sorriso.

- Poucos me conhecem por esse nome. Em que posso ajuda-lo, capitão?
- Como sabe minha patente?

- Ora, basta olhar suas vestimentas e as de seus companheiros logo atrás de você. Numa sociedade hierarquizada, diria que, inclusive, é possível perceber qualquer graduação pelo cheiro.

Os guardas franziram a testa em sinal de confusão; tentavam sentir desaprovação, mas chegaram a concordar com o velho homem.

- Pois bem, estamos aqui por causa de seu poema – declarou o capitão.

- Qual deles? – questionou o poeta.

- Um com uma mensagem a malograr...

- Ah, claro! E o que tem ele?

- Digamos que eu tenha entendido sua mensagem. E, devido a isso, acredito que o senhor precisa vir conosco.

O velho balançou a cabeça em sinal de consentimento.

- Não tenho muito a fazer hoje. Acredito que posso lhes dar um pouco do meu tempo. Inclusive, posso auxilia-lo a decodificar essa mensagem.

- Já a decodifiquei – respondeu o capitão rispidamente – e seu conteúdo vermelho será registrado nas fichas da delegacia.

- Bom, somos todos feitos de água e sangue, capitão. Seremos todos fichados pela polícia, então?

- Os versos não tratam disso – disse virando-se aos guardas e acenando em direção do poeta com a cabeça.

Os dois brutamontes o pegaram pelo braço e o guiaram até a viatura. O caminho até a central do DOPS foi silencioso. Até mesmo os buracos da rua pareciam ter sumido. Caminharam pelos degraus da entrada daquele complexo da lei. Um longo corredor se estendia e várias salas podiam ser vistas em seu decorrer. O poeta seguia com a cabeça baixa, evitando olhar para os lados e assim atrair mais olhares indesejados. O capitão mantinha o campo de visão reto. Seria difícil explicar o porquê daquela detenção.

Entraram numa pequena sala ao final do corredor. Um dos guardas ficou do lado de fora enquanto o outro guiava o suspeito pelo braço. Na sala, nada havia se não uma mesa de ferro em seu centro e duas cadeiras, nada confortáveis, de madeira. Do teto embolorado, dependurava-se uma lâmpada, cujos fios podiam ser vistos emergindo de um buraco empoeirado. Estava acesa. O capitão sentou-se em uma das cadeiras e o poeta fora colocado na outra. O outro policial ausentou-se da sala e fechou a porta. Os dois homens à mesa se olharam sem dizer uma única palavra. O silêncio era acompanhado pela estática que vinha da lâmpada, um zunido baixo, mas constante e perturbante.

- Muito bem – começou por fim o capitão – por que é comunista?

- De onde tirou essa ideia? – perguntou o poeta abrindo-lhe um sorriso.

- Seu poema o diz muito bem. A referência a uma maré vermelha é mais clara metáfora para as ameaças constantes vindas dos pensamentos de esquerda. Todos que assim pensam são inimigos da liberdade.

- Capitão, dadas as circunstâncias, não acredito que sejam eles os reais inimigos da liberdade... para todo efeito, tens o poema contigo?

- Não, mas o li o suficiente para lembrar-me de seus dizeres.

- Ótimo! Então, recordar-se-á de que os versos remetem a um ser humano, composto de carne, sangue e água, que sente seus fluídos agitarem-se na presença de más notícias.

- Nessa temática, penso mais na má notícia como inspiração. O que não é necessariamente mau.

- Bom – disse lentamente – uma ideia que aparece de repente, causada por algum efeito externo, prega-se à mente. Gruda nos pensamentos e impregna a alma. Passa-se a respirar e viver aquela ideia; e ai dá-se conta de que ela lhe consumirá caso não seja exteriorizada. Entretanto, ela pode ser boa ou ruim, veja bem. É questão de avaliar o eco causado por sua voz.

- Se ser tocado é um sinal divino, algo que lhe fora presenteado, não seria uma dádiva e digna de alegrias? Por que os sons fechados, oclusivos, como se a ideia não conseguisse sair livre de dentro de si?

- As paradas de ar remetem a um coração batendo, capitão. Se a paixão nos move, só pode ser impulsionada pelo coração. Sente seu coração batendo e perceberá que ele sozinho não consegue expor toda a paixão e vontade que existe dentro de si. É necessário outros meios para quebrar esse bloqueio e libertar o que quer que se sinta. É preciso ação.

- Somos todos um mar a marulhar então?

- Somos uma onda. Juntos; todos juntos, um mar!

- Assim como os comunistas!

A porta da sala abriu:

- Capitão, temos uma situação no Palácio dos Bandeirantes. Ao que tudo indica, nos parece um roubo – disse um dos guardas de prontidão no corredor, visivelmente alarmado - não bastasse o atentado ao Quartel General do 2º Exército e o assalto ao 4º Regimento; agora isso!

O capitão acenou com a cabeça e voltou-se ao velho homem:

- Passará a noite aqui. Nesse meio tempo, já que é tão bom com as palavras, peço que volte as oscilações de seu mar interior para o braço de água que vai até o amor à pátria. Mandarei que te entreguem papel e caneta – dito isso, saiu do recinto.

O oficial retornou na manhã seguinte. Não dormira. Tinha as olheiras pesadas debaixo dos olhos. Caminhou o corredor da delegacia a largos passos e, de chave em punho, abriu a porta da nova residência do artista. O velho poeta dormia sobre a mesa. O corpo ainda sentado na desconfortável cadeira de madeira. À sua frente, em um guardanapo, podia ver de longe algumas linhas traçadas. Um ou outro rabisco corrigia um vocábulo ou outro. Sentou-se na cadeira do outro lado da mesa; suspirou e tomou o papel em suas mãos para lê-lo.

"Em seu voar
A fênix
Abre suas asas
A nos libertar"

- E qual foi o motivo da urgência? – perguntou o velho poeta ao endireitar-se, despertando, na cadeira.

- Um roubo. Os comunistas levaram o cofre do governador.

- Bom; nem tudo que reluz é ouro – comentou o escritor.

- De fato – disse o capitão balançando o guardanapo – estes versos são horríveis. Não há métrica, a única rima é pobre, paupérrima!

- Você considerou a aliteração? Viu as consoantes?

- São fricativas em parte. Mas de longe justificam, se é o que você quer dizer aqui, o bater de asas do pássaro.

- Você está cansado, capitão. Não se esqueça de que o momento é dos modernistas. É, assim como a proposta a mim dada, nacionalismo. A fênix renasce das próprias cinzas, assim como o país caótico em que nos encontramos. Ou melhor, hoje salvo graças às forças armadas.

- Sabe – continuou o capitão após fitar o poeta por um longo tempo – pensei, por um momento, que fosse um poeta. Mas, a verdade é que nem sabe o que escreve; o que dizer dos outros que o leem?!

- Os verdadeiros bandidos estão roubando cofres, senhor.

O capitão pôs-se em pé e indicou a porta.

- Está livre para ir, velho.

O poeta caminhou até a porta que dava para o, agora, agitado corredor. Parou próximo ao batente e dirigiu-se ao capitão:

- Todo tempo de trevas precede um renascimento, capitão. Estamos nas escuras; mas logo as chamas começarão a queimar. E na hora de alçar voo, é que devemos selecionar: nas asas da fênix seguir, ou em suas cinzas queimar.
O capitão o olhava, tentando convencer-se de que não entendera o que aquelas palavras realmente queriam dizer.

- Espero que um dia, possa ler mais que seus relatórios policiais capitão. Espero, um dia, ler versos seus – e, sem olhar para trás, lançou-se corredor abaixo e rua afora.

Victor Carreão
vcarreao@yahoo.com.br

Professor de inglês e ex-estudante de administração. Descobriu sua paixão pelas letras - ou melhor: assumiu-a - recentemente e desde então vem brincando de escrever.

5 comentários:

  1. Prosa elegante e interessante, embora eu não tenha encontrado no conto exatamente uma "releitura" da história, como proposto nas regras desse desafio.
    Nota 7
    Huang Zhan shin

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  2. Muito bem escrito, texto leve e com profundidade. Talvez um bom retrato do momento vivido no país, porém não uma releitura ou desconstrução da história.
    Nota: 8,5
    Ribeirinho do Iguaçu

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  3. Conto excelente, impecável na correção. Utilizando um recorte individual, faz pensar em todo o processo ditatorial dos anos de chumbo. Além de tudo, um texto dinâmico.
    Minha nota é 9.

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  4. gostei do tema ( o comunismo) usado. a forma que escreveu. o narrador em terceira pessoa . gostei muito da metáfora que usou : "Era como se, durante o próprio processo da leitura, um vermelho cor de sangue, no movimento do mar daquele eu-lírico, fosse a ressaca marítima a puxá-lo para as águas abertas. Contudo, como um exímio nadador, apreciava cada braçada em direção à origem daquele pélago. Sua afinidade pelas letras não importava às forças armadas. Nunca valeram mais do que os cartazes afixados nos muros das ruas, a preconizar ordem e, doravante, progresso. Emergiu de seus pensamentos e fechou o jornal". comparar o ato de ler ao de nadar. o único probleminha que vi é que as coisas demoraram a acontecer. Nada que tire a qualidade de sua boa narrativa. A nota é 7.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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