Café Literário: Nosso Brasil Republicano de hoje



É comum o brasileiro referir-se à Constituição da República como sendo uma colcha de retalhos...  Em alguns casos ela se apresenta com tal, principalmente ao tratar as penalidades impostas às infrações mais graves. Um advogado criminalista, por exemplo, aproveitando os chamados “furos da lei” produzidos propositalmente pelos deputados, aprovados pelos senadores e sancionados pelo Presidente da República consegue hoje sem esforço algum provar em um tribunal que o brasileiro menor de dezoito anos pode em sã consciência matar quantos cidadãos quiser. E essa barbaridade se estende aos malversadores do dinheiro público, aos corruptos e afins, pratica essa corriqueira e presente, não mais em manchetes, mas nas paginas policiais da imprensa internacional.

Indaguei a um amigo professor na faculdade de história política em nossa cidade desde quando os responsáveis pelos destinos do povo brasileiro se portam assim.   E ele respondeu laconicamente: - Desde o dia que os europeus puseram os pés aqui.

República (Res Pvblica) é um conceito oriundo da velha Roma que denomina governo do povo (plebeu). No Brasil não há governo do povo, portanto não temos república segundo a etimologia original, mas vivemos em uma pseudo-republica de mentirinha. O brasileiro não tem o direito, mas o dever de votar. Ele é obrigado a votar, mas tão somente nos nomes previamente determinados pelos senhores do poder, jamais podendo interferir nos destinos nacionais. Um belo exemplo disso foi protagonizado por uma candidata à presidência do Brasil. Depois de tentar infrutiferamente candidatar-se à presidência da república, só conseguiu burlar a vontade dos atuais mandatários e atingir o posto eletivo devido a prematura morte em acidente aéreo de um candidato fruto de um antigo “feudo republicano.”

Esse processo governamental está tão enraizado na política brasileira que a constituição o mantém pétreo em sua carta magna mesmo quando os constituintes reformulam os parâmetros constitucionais republicanos.         

Poderemos comparar o Brasil épico a uma árvore frondosa, sadia e altaneira, mas momentaneamente infestada de parasitas mil que a sufocam. Sem outra alternativa e ser impraticável o desenvolvimento sustentado sem combater a praga devoradora que o suga até o âmago, a constituição torna-se mais um meio freio à fome devoradora dos valores morais e bens comuns do que um ordenamento sócio-político-administrativo. A meu ver, o país vive um quadro transitivo geracional, pois sem sombra de dúvidas o quadro perdurará enquanto existir essa geração que o detém. As próximas gerações já mais abertas e arejadas exercitarão o segmento virtual aperfeiçoando as experiências positivas até hoje alcançadas. Depois dessas, mais duas ou três far-se-ão necessárias ainda, antes das rédeas serem realmente dirigidas aos objetivos primordiais. Serão gerações interativas. Após essas, creio, iniciará realmente uma administração competente e incorruptível visando exclusivamente os interesses gerais.

Sinto que tudo o que acontece na nossa pátria aterrorizando o cidadão comum é quase natural nessa faixa etária espiritual que vivemos, inclusive a embrulhada jurídica, legislativa e administrativa atual. Vejo, no entanto, eminentes e dedicados lideres amadurecidos, independente de correntes políticas ou ideológicas, tentarem com toda a convicção elevar a nação brasileira a níveis mais altos; seus esforços são titânicos, sua paciência sem limites, sua visão impressionante. Há quem os acompanha no governo e fora dele, pública ou reservadamente, mas a maioria da população ainda não entende o esforço, e parte dela, os que usufruem os benefícios enganosos não desejam modificar a estrutura que a mantém. Os líderes bem intencionados farão algum progresso, mas para o futuro, pois infelizmente nos dias de hoje ainda é impraticável atingir na administração pública objetivos nobres, salutares e altruístas.

Dante Bolívar Rigon                              
bolivar.rigon@yahoo.com.br                

Dois livros “encalhados:” Nêmesis o Deus Menino e Vidas Intervidas; (Editora 24 Horas) + 04 na Mesa do Editor, os quais refuguei lançá-los pelas inúmeras Editoras virtuais que se apresentaram. A lição aprendida na edição dos dois primeiros foi suficiente.

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