Café Literário: Nada mais importa


Nada mais importa!

Nenhum pensamento, nenhum ato de coragem, nem mesmo o simples suspiro pela minha vida! 

– Já lutei muito, estou cansado de tanto tentar ser o que não sou.

E naquele momento olhando para baixo daquele abismo sem fim e fundo, percebi que realmente nada do que fiz até hoje tenha realmente valido a pena, tenha realmente sido útil na minha vida.

– Já não sei o que queres de mim! Fiz tudo que pediu, tudo!

Então senti medo, arrependimento, angustia, dor, um filme passou na minha mente enquanto dava mais um passo para o fim!

Enquanto caminhava olhei para cima abrindo meus braços levemente, com a mão esquerda tentava tocar o sol como um ato de estender a mão para que ele possa me salvar.

Flash do meu passado árduo me veio, pessoas que encontrei, pessoas que deixei para traz, não fui forçado a fazer nada do que fiz, fiz tudo por escolha, mais escolha para proteger eles de um mal maior, e como todo bom herói o meu fim chegou ou devo dizer como todo terrível vilão nada melhor que um final dramático, e ninguém melhor do eu mesmo para acabar com esta dor que aflige a todos.

– Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhh

Lágrimas escorriam pelo meu rosto suado, tentava olhar para a luz que passava entre meus dedos e só via mãos cansada, castigadas com o tempo, unhas todas roídas e acabadas. 

Chegando a três dedos para a queda, senti o vendo bater em meu rosto, minha respiração estava forte, senti um ar puro como nunca havia respirado antes, o vento batia em meu rosto calmamente, como jamais havia sentido esta sensação de paz.

– Nnnnnãããããoooooooo, porrqueee!

Não havia muito a ser dito, nem o que ser feito, então olhei calmamente para traz e via a sombra dela, o vento batia em seus cabelos e vestido. Ao piscar os olhos ela havia sumido, é um pensamento que me persegue até quando?!

Inclinando meu corpo vagarosamente para a queda, lembrei de meus pais, minha irmã, meus amigos. Lembrei dos momentos que tive quando criança, lembrei! Ahh lembrei dela!

Então ao saltar, ouvir um grito que não pude ver quem era pois minha visão não alcançava mais a beira do abismo, não consegui me virar para ver quem era, e quando pude me virar já era tarde!

Tentava ver o topo mais aquilo não me pertencia mais, o fundo ou o fim deste abismo estava longe de chegar, pois era o mais fundo do mundo já conhecido! 

Provavelmente posso demorar horas para chegar ao fim dele, talvez dias, semanas, meses, ninguém nunca teve notícias de alguém que tenha chegado ao fundo que já tenha relatado o fundo deste abismo.

Então tive muito tempo para lembra do que fiz, lembrei então da minha infância!

Lembrei da minha adolescência, lembrei dos momentos difíceis que enfrentei.  E claro lembrei de uma dor que não pude superar facilmente, a perda do meu pai!
Lembrei de como não reagi quando tive a notícia, lembrei do fiz logo em seguida, lembrei! Ahh lembrei, do sono que tive e do que sonhei naquele dia, lembrei de coisa que não havia notado até hoje. Também percebi o quanto alguém é importante e o quanto este alguém pode ser substituído não com a mesma facilidade que ele foi “adquirido” “conquistado”, notei o quanto precisamos de alguém e de quando dependemos das pessoas a nossa volta.

Hoje percebo que ninguém pode passar a vida sozinho, pois ela sempre vai ter alguém com quem possa contar, conversar seja um irmão, amigo, namorada, mulher, homem, animal ou seja um objeto, percebo o quanto a fé é importante na vida de alguém, pois precisamos crer em algo, precisamos ter algo para depositar nossas esperanças, precisamos ter um totem para não perder a noção do que é realidade ou sonho, pois estamos tento sonhos cada vez mais realistas.

Quando estava em queda pode ver a sombra dela novamente, então a lembrança dela me veio a menta a som de uma música alegre, sorri por um minuto, lembre dos passeios ao parque, lembrei de quando pintei o nariz dela de chocolate, lembre-se de quanto ela lambeu meu rosto.

Lembrei de tantos momentos felizes de tantas coisas boas, de quando vi aqueles olhos esbugalhados me olhando na mesa de um bar, lembrei de como fui pedi o telefone dela e de como ela facilitou, lembrei, mais a imagem dela não me via a mente, lembrava apenas dos momentos das coisas que fizemos, mais não consigo lembra do seu nome seu rosto, so lembrava que ela usava um vestido preto com algumas flores. Ela sim é uma lembrança que não tenho que foi tirada de mim, será que foi devido ao acidente, ou ela nunca existiu!?

“Quando olhei para aqueles olhos, naquele bar, não vi apenas uma garota, nem como me olhava, vi o que poderia ter com ela, vi momentos bons, beijos, abraços e um sentimento que só aumentava, passamos por momentos complicados como qualquer casal passa, tivemos pensamentos irônicos e cruéis pensamento de fim de começo de sede de ter um ao lado do outro e então....”

Quando me olho, estava eu de pé olhando para um corpo que não pude identificar pois ele estava muito deformado, ao olhar pra cima via uma sombra, e apenas ouvia um grito no fundo dizendo para um não fazer isso, e perguntando se eu estava bem.

Olhando para aquele corpo todo cheio de sangue pude perceber o quanto a vida é frágil, o quanto tiramos vidas por nada, o quanto não temos nada de valor a não ser cinco coisa, a primeira é a própria vida pois ela é a mais valiosa das cincos, a segunda é o amor pois sem ele não podemos amar a nós mesmo e muito menos ao próximo, a terceira é a fé pois precisamos ter fé em algo precisamos ter onde deposita-la, seja em um objeto seja em um ser mitológico seja em nós mesmo, a quarta cosia é o poder de escolha ou como chamamos o livre arbítrio, a quinta coisa é o conhecimento, pois a humanidade tem e não sabe usar. A sexta e última coisa é formada por todas elas, que é chamado de consciência. Esta sexta não é mais ou menos importante, mas o porquê que ela não se encontra entre as cinco? Bom isso é porque se não tivermos esta sexta nada das outras cinco terá o menor sentido.

Agora voltando ao corpo que estava ao chão!

O sangue chegou aos meus pés, o rosto do jovem estava todo deformado, seu crânio havia sido esmagado, o coração não estava mais em seu corpo, seus dedos todos retorcidos, seu corpo parecia que tinha sido virado do avesso, não tinha nada o que ser feito pelo aquele pobre rapaz! E mais uma vez outro morreu no em meu lugar, não sabia como isso acontecia ou o porquê, mais toda vez que tentava me matar ou que era morto eu me via morrer e como passe de mágica estava ali olhado para o que parecia se o meu próprio corpo, mais não era, era de alguém que tomou o meu lugar por alguma razão ou motivo!

Passei 20 anos da minha vida tentando descobrir o que havia acontecido comigo e a única coisa que consegui pensar naquele momento era quem era aquela louca gritando, perguntando se eu estava bem!  

Por um breve momento apaguei!

Depois de dois dias, não ouvia mais nada, o corpo que ali estava, exalava um forte odor, já não me restará muito o que fazer, só sentar ali e esperar que ela viesse me buscar. Deitado olhando para aquele céu enluarado percebi como ele é tão belo sem todas aquelas luzes de natal, sem todo aquele barulho sem todo aquele ar com um odor forte de pessoas más, de gente que não se importa com o próximo e aqui no meio do nada, à beira da minha morte, a beira da morte novamente, pois daqui não terei escapatória, só me resta admirar a luz das estrelas a lua em sua mais bela forma, toda cheia que ilumina até os locais mais obscuros da terra.

Me veio um sentimento que estava sendo observado mais não me restava muito para onde olhar, pois o abismo era largo no começo e estreito no final, estava parecendo mais um funil, sempre ouvi falar que ninguém nunca se atreveu a descer no fundo dele, satélite nenhum focava suas lentes nele, o seu local era zona neutra, onde aviões eram proibidos de sobrevoar, militares e cientistas mantinham certa distância deste local, e logo aqui que escolhi para ser minha cova, logo aqui que escolhi para enterrar todo o meu conhecimento, toda a minha dor angustia e sofrimento. Ah se eu tivesse uma taça de vinho, e um pouco de queijo, morreria feliz.

Ao sonhar com bebida e comida a sensação de ser observado veio novamente, então ao me virar-me deparo com o corpo em uma posição diferente, mais ainda atirado ao chão, parte de sua cabeça estava numa posição que permitia me observar perfeitamente da onde estava, aquele olho aperto, me observando como se esperasse algum movimento meu, algum movimento que entregasse a saída daquele lugar. Rapidamente mudei de lugar fui para o que parecia ser onde ficava os pés do cadáver, até tive um frio na espinha.

Algo no céu estava estranho, parecia que eu não havia mudado de lugar, não sentia o chão frio e continuava com a sensação de ser observado, me veio a cabeça o pensamento de não olhar para traz, e levemente virei minha cabeça pra traz, rapidamente virei-me e com minhas mãos peguei impulso e me afastei do corpo que me observava. Era tudo muito sobrenatural, muito sinistro, e pela primeira vez senti medo da morte, senti que precisava sair dali, que tinha muito o que viver ainda, senti que precisava me libertar daquele buraco onde me enfiei, precisava ser livre novamente.

Me levantei gritando por socorro. 

Me deparei com um homem todo desesperado, que estava perdendo os cabelos, que estava a beira da loucura, sem saída, sem saber o que fazer, sem expectativas para o amanhã, mais o que ainda me mantinha vivo, o que?! 
O que eu tinha, o que me restava, o porque ainda não desistir de tudo. Não, não, eu já havia desistido de tudo, já havia perdido tudo, já não me restava mais nada, nem mesmo saído por ironia do destino estava preso em um buraco que não tinha saída.

Resolvi fazer o que sempre fiz, ser curioso, e bloquear minha mente. Tirei meu palito e procurei o que havia nos bolsos, então encontrei:
Uma caixa de fósforo.
Um lenço.

Uma caneta.

Um cartão de crédito.

Minha moeda da sorte.

Uma pequena foto de uma mulher com o rosto cortado.

Cinco coisas, que não vaziam o menor sentido para mim, aquela foto, de quem seria, e porque estaria com o rosto cortado, o porquê, qual o motivo daquilo, sem falar na caixa de fósforo eu não era fumante, até onde me recordava.

Aquele cartão de crédito, de quem seria e porque estava faltando algumas letras e número, não entendia aquilo. Não havia me tocado que eu estava de palito, quando pulei não estava com esta roupa, porque demorei para perceber certos detalhes que estavam me cercando, porque não percebi estas coisas antes, coisa que estavam comigo o tempo todo, que estavam a minha volta, deste quando aquele corpo estava naquela posição, será que era mero conhecimento, devo estar desorientado, pela falta de água e comida, só pode.

– Bom garoto... vamos lá, me mostre mesmo o que você esconde mim, não se mexa, ok?!

Com o lenço na boca e a caneta em outra mão, comecei a mexer no corpo que ali estava, comecei pelas roupas dele. Com a caneta tentei abrir o boldo da calça de traz dele mais não conseguia, desisti e tentei tirar a mão dele de cima do que parecia as costas dele, mais o braço não se mexia muito, até que a caneta acabou quebrando.

– É amigo, devo parar de ser nojento, devo me preocupar com a higiene agora, ME DIGA ALGO!

– Aposto que se você falar algo tentarei escalar estas paredes rochosas para sair correndo, sem falar que vou me borrar todo.

Abrir o bolso de traz dele, e não havia nada, tentei virar o corpo, mais acabei me enojando e vomitei em um canto com o fedor e com os vermes começando a decompor o corpo. Pensei então como a natureza pode ser bela, cruel e nojenta ao mesmo tempo. Fazemos parte dela e por isso não somos tão diferentes assim dos animais.

Me recompus e continuei a minha busca por resposta naquele corpo, onde com pouco tempo de procura não obtive resposta nenhuma.

Sentei ao lado daquele pobre rapaz que não conhecia, abrasei meus joelhos e com a cabeça entre eles chorei, o pouco de lagrimas que consegui juntar para expressar minha dor, desespero e angustia. Olhei para os céus e então gritei:

– PPPOOOOOORRQUEEE EEEUUU, logo eu, o que você ou vocês querem de mim?!

Foi então que uma luz veio do céu, em minha direção, ventava forte, vi aquele corpo que estava ao meu lado se levantar como se eu estivesse vendo um filme em câmera lenta, aquela luz que me cegara, aquele vento forte, não pude ouvir nada, muito menos ver, tentei bloquear parte da luz com meu antebraço mais era em vão, ela era forte de mais.
Então em poucos instantes ela se foi, como se não estivesse nunca estado ali.
Rapidamente peguei o lenço e o fósforo, mas era impossível acender algo o lenço estava molhado por sangue e o fósforo também.

De nada me adiantava tê-los ali, se não me servira de nada naquele momento.

Novamente só me restava deitar-me e esperar, então, Pensei na minha mãe, onde será que ela estaria naquele momento, e meu pai será que ele estaria me vendo da onde ele estivesse. E porque nunca me lembro de ter amado alguém, porque nunca tive um amor, o que eu fiz este tempo todo, por onde eu andei que nem eu sei o que andei fazendo.
Meu corpo parecia leve, minha mente estava leve, parecia que eu estava flutuando, pelo ar, era uma sensação de leveza, de liberdade, a gravidade não estava fazendo efeito, ou eu estava ficando louco, já não estava tendo sentido nenhum. Ao abrir os olhos me deparei com um gramado verde, o som de água ao fundo, crianças brincando envolta de um pé de laranja.

Levantei-me rapidamente, e uma bela moça veio em minha direção, com um copo de refresco e um lenço. Ela limpava meu rosto enquanto me entregava o refresco com a outra mão, então ela disse:

– Desculpe amor, as crianças lhe acordaram. Está um pouco sujo aqui, se não se importar vou molhar o lenço um pouco em minha boca.

Estava tonto, desorientado, mas não consegui tirar os olhos daqueles lábios carnudos, pude reparar que neles havia uma pequena mancha roxa, que deveria ser de nascença. Não tive coragem de perguntar seu nome, nem os das crianças muito mesmo onde eu estava.

Aquele lenço não, não era coincidência de mais, mas o que não poderia ser, o meu dia estava totalmente errado, tudo fora do avesso, nada estava normal no meu mundo. Meia hora atrás estava preso em um buraco chorando feito criança pela minha vida, um pouco antes tive contado com alienígenas ou sei lá o nome daquilo, tentei até me matar mais não obtive êxito. Ou eu sou muito burro, ou não sei fazer nada direito. 

Ela me convidou para entrar em “nossa” casa, ao entre observei atentamente como era simples e confortável, uma mobília simples mas aconchegante, sobre alguns móveis havias várias porta-retratos das crianças e dela. Ao subir as escadas para o quarto observei que as paredes estavam descascadas, precisavam de uma pintura de um papel de parede. 

Ela segurou em minha mão dizendo como era bom que eu estivesse ali novamente, não entendia nada do que estava acontecendo comigo, entrei no quarto e pude observar um quarto pequeno, mais simples que a casa, havia algo que me intrigava naquilo tudo, aquele lar parecia não me pertencer, parecia ser perfeito de mais, mais aquela mulher não parava de falar na gente, ela falava tantas coisas que minha cabeças não consegui se concentrar em nada. 

Adormeci em seu colo quando me contava como havíamos nos conhecido, apenas fechei meus olhos, apenas não sonhei, apenas não ouvi mais nada, não senti, não descobri onde estava o que havia passado, não sentia meu coração bater, meus olhos ficaram com uma pequena fresta, e por esta pequena fresta observei uma luz vindo em minha direção, este ser brilhante chegou perto dos meus olhos, e então despertei e me deparei de volta preso aquele buraco como se nunca tivesse saído de lá antes.

Eder Vasconcelos
edervasconcelos43@gmail.com

Não tenho muitos sonhos, nem muitos desejos, os que tenho são bastantes ambiciosos, e com o tempo realizarei alguns deles. A maior parte da vida busco algo que talvez não conseguirei alcançar, mais   sei que o que guardo dentro de mim são partes de vidas importantes. Sou apenas um sonhador.

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Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
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