Crítica: A Mão de Celina e a maturidade literária de um jovem escritor brasileiro


Era 11 de junho de 2014, e o escritor gaúcho Jeremias Soares se preparava para o lançamento de seu segundo livro, que aconteceria durante a 30ª Feira do Livro de Canoas/RS, a segunda maior do estado. Enquanto a maioria dos brasileiros se ocupava com a abertura da copa do mundo, que ocorreria no dia seguinte, Jeremias só pensava em como seria a recepção e a reação dos leitores em relação à sua nova obra, A Mão de Celina (Ed. Os Dez Melhores, 248 páginas, R$35). Afinal, após o lançamento bem-sucedido de seu primeiro livro, O Sobrado da Rua Velha, publicado em 2012 – e que já vendeu mais de 300 exemplares – as expectativas eram grandes, como tinham de ser.

E hoje, menos de 90 dias após o lançamento de seu segundo livro, Jeremias tem motivos para comemorar. E muito. Quase um terço da tiragem inicial já foi comercializado, e as perspectivas continuam lá em cima. 

A obra recebeu excelentes críticas de blogs literários, como Leitor Sagaz, Letras In. Verso e Re. Verso, La Parola, Livros Românticos, The Serial Reader, e-Cult e ABCD dos Livros. Além de tudo, não se passou um dia desde seu lançamento em que pelo menos um exemplar da obra não fosse vendido.

O romance A Mão de Celina conta a história de Edu, Celina e Jana, três jovens que se envolvem formando um triângulo amoroso cáustico e problemático. E não haveria nada de novo nesta história, caso este romance não fosse um romance sobrenatural, e caso um dos três lados deste triângulo não estivesse morto. Por que Celina, após ser fatalmente vitimada por uma doença grave e sem cura, resolve voltar da morte para assombrar a nova história de amor de seu ex-namorado, Edu. 

Esta mistura de paixão, morte e assombração caiu no gosto dos leitores – especialmente do público fã da literatura young adult (ou jovem/adulto, também conhecida como YA-Lit). A literatura young adult, aliás, vem crescendo e se popularizando no Brasil ano após ano, e se diferencia da literatura infantojuvenil por deixar de lado a ingenuidade dos protagonistas, concentrando-se em temáticas mais maduras e controversas. 

E este talvez seja um dos maiores méritos do autor: Jeremias Soares conseguiu contar uma história de terror e suspense que entretém, mas, ao mesmo tempo, aprofunda-se em questões complexas como a vida após a morte, o suicídio, a violência doméstica e, principalmente, o nosso medo em relação ao desconhecido.

Se em seu primeiro livro, O Sobrado da Rua Velha, o autor deixou bem claro qual o espaço que pretende ocupar no cenário literário e editorial brasileiro, em A Mão de Celina Jeremias consolida-se como um nome forte e relevante para o futuro da literatura nacional:

– Neste intervalo, amadureci como pessoa e autor. Os comentários positivos que O Sobrado da Rua Velha recebeu me encheram de confiança para prosseguir. Já os comentários negativos foram anotados e usados para me aprimorar. Mas ainda tenho muito para evoluir. Mantenho os dois pés no chão, e sei que quem vai julgar o meu trabalho são os leitores – afirma o autor. 

E é justamente através desta clareza, e de sua sensibilidade e percepção, que Jeremias Soares está construindo, de maneira sólida e legítima, uma carreira que certamente caminha para o sucesso e para o reconhecimento. Mas não caminha a passos largos; não! Caminha a passos seguros, constantes e planejados.

Para o futuro, os planos já estão definidos:

– Trabalhar muito em cima da divulgação de A Mão de Celina, e dar vida a uma história que está em minha cabeça. Ela deve reunir o melhor dos meus primeiros dois livros. Vamos ver o que vai sair.

De nossa parte, Jeremias, só nos resta dizer boa sorte. 

E obrigado.

* A obra A Mão de Celina custa R$35 + frete, e pode ser adquirida na livraria virtual da Editora Os Dez Melhores: www.editoraosdezmelhores.com.br/livraria 

Jana Lauxen

Jana Lauxen é editora, produtora cultural e escritora, autora dos livros Uma Carta por Benjamin (Ed. Multifoco, 2009) e O Túmulo do Ladrão (Ed. Multifoco, 2013). Página na internet: www.janalauxen.com

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