Café Literário: A realidade nua e crua.


Li umas verdades, ouvi umas músicas realistas e cheguei à conclusão que ver o futuro, ver como as coisas realmente são, é duro demais. É de fazer chorar. Tudo é muito poético essa coisa de morte, de ver a verdade, mas é tudo muito duro também. Você vê pessoas magnificas, pessoas incrivelmente inteligentes e revolucionárias, gente boa que tem um pouco de amargura, sarcasmo e um belo humor. Você vê todas elas marginalizadas e sem um futuro agradável; você vê isso e tem vontade de dizer: ei, esse mundo não é pra você.  Mas elas, com certeza, estão cansadas de saber. É muito angustiante entender que sua vida seria melhor se fizesse tudo como tem que fazer e saber que não é capaz de seguir as regras.  Mesmo assim você tenta, (claro que tenta), mas faz isso com remorso, sem desejo e com uma dor que supera qualquer vontade de esforço. Sendo assim tudo que faz, ou melhor, tenta fazer, é tão pouco e insuficiente que chega a dar dó. 
Você sabe que nada vai fazer sua vida melhorar, que tudo é muito inútil, que não importa se você vai fazer o que tem que fazer ou se vai deixar de fazer, se vai ter grana suficiente, a mais ou nenhuma. Pouco importa, porque sabe que vai se destruir aos poucos, que vai fazer o que não quer todo maldito dia e, sabe que sua maldita existência é irrelevante e suas vontades não serão realizadas. O que você possui é umas lágrimas pra chorar, uns foda-se pra dizer, alguns porres pra tomar, alguns possíveis amores pra sofrer e algumas palavras pra escrever. Entretanto você tem que estudar pra próxima prova escolar e tem que passar no vestibular, então você vai tomar um banho, comer e estudar para a próxima prova escolar que é, possivelmente, aquela matéria bem filha da puta, que você odeia. Você vai passar nessa prova e vai passar no vestibular também, porque você precisa ter uma formação e um emprego que lhe pague bem. Seguindo esta fórmula de vida, você vai ficar bem, com a geladeira cheia, um teto sobre a cabeça, uma família feliz pra apresentar e, possivelmente, um corte na jugular.


Ingrid Santos
ingridf.santos@outlook.com

Meu nome é Ingrid Santos, não tenho formação superior, estou terminando o ensino médio, falo espanhol intermediário e tenho 18 anos.

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A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

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Cinema: Frances Ha

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