Impressões sobre a Copa



Fim de Copa! 

Brasil, humilhado (e com uma enorme conta a pagar!); Rodriguez, revelado; Messi, sem reinado; e Suárez... recuperado?

A Copa que teve sua realização ameaçada pelas manifestações está terminando da forma que o brasileiro gosta ― em samba. Os protestos? Ah, esqueçam! No Brasil, problemas sociais são facilmente neutralizados no primeiro drible de Neymar. 

Mas, dessa vez, o ilusionismo não durou muito. Pois, no meio do caminho, havia a Alemanha. E não adianta culpar o colombiano, que na fase anterior deu um “chega pra lá” em nosso frágil menino: afinal, com ou sem Neymar, a vergonha seria a mesma.

Aliás, falando em Colômbia, deu gosto de ver essa nova geração.

O “cabeludo” Valderrama, o “espalhafatoso” goleiro Iguita... Lembram-se deles? Nos idos anos noventa, aquela seleção foi a primeira a mostrar ao mundo a força do futebol colombiano. Pois então: nestes vinte e quatro anos que separam Valderrama e James Rodriguez, os cabelos foram cortados e o futebol evoluiu ainda mais. Resultado: Colômbia, pela primeira vez, entre os oito melhores numa Copa do Mundo. E fiquem de olho nesta geração, realmente: Rodriguez & Cia. farão história também nos gramados europeus.

E não foi só a Colômbia que encantou nesta Copa. Outros dois latino-americanos também o fizeram: o Chile – que quase tirou o Brasil da Copa, numa disputa de pênaltis para testar cardíacos nas oitavas –; e a Costa Rica, de Campbell e Ruiz, que foram derrubando pelo caminho: uruguaios, italianos, ingleses e, bem, os gregos...

O México também fez bonito, com o seu goleiro Ochoa evitando tudo: até as constantes quedas de Neymar. Pena que, na queda do holandês Robben, foi o voador Ochoa quem caiu de “su cielito lindo”. México, porém, mostrou ao que veio: e, certamente, em Copas futuras, voarão ainda mais alto.

E, conforme os leitores puderam verificar, a Copa teve mesmo um gosto especial para os latino-americanos... frisando: “los que hablan Español”. E ainda que os uruguaios tenham sido desclassificados, foi o seu camisa nove que protagonizou uma das cenas mais simbólicas da competição. Conhecem aquela expressão “o jogo foi mordido”? Pois é: Luis Suárez transformou a expressão em denotativa. Mas até Chiellini, vítima direta do “Vampiro de Montevideo”, considerou exagerada a punição imposta pela FIFA ao uruguaio. Eu também a considerei. Um cartão vermelho, ou melhor, o cartão de um psiquiatra fariam um bem maior à carreira do artilheiro uruguaio.

Bom, falei muito sobre os latino-americanos, mas… e os europeus? Como se comportaram nesta Copa? 

Basta olhar o pódio. Pois, como diria o lendário artilheiro Gary Lineker, ao definir o futebol: “Um esporte em que se jogam onze contra onze, e no qual, ao final, sempre ganham os Alemães".

Próxima parada: Rússia 2018.

Edweine Loureiro

EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus em 20 de Setembro de 1975. É advogado e professor, residindo no Japão desde 2001. Premiado em concursos literários no Brasil, Portugal, Espanha, Japão e Estados Unidos, é autor dos livros: “Sonhador Sim Senhor!” (2000), “Clandestinos” (2011), “Em Curto Espaço” (2012) e “No Mínimo, o Infinito” (2013).

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