Tudo novo, de novo


Ano novo, vida nova. Essa é uma das frases mais comuns da história do homem. Há séculos o homem promete a si mesmo que tudo mudará em um ano que se inicia. Aquela dieta vai ser levada a sério, será dada mais atenção às crianças, mudar-se-á de emprego... e várias outras coisas (que em muitos casos passam longe de ser cumpridas). E assim, cumprimos a cada ano o oráculo da grande Elis Regina, “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”.

Vejamos o programa global Big Brother, por exemplo. Entra ano e sai ano, desde 2001 é sempre a mesma coisa. Vinte participantes confinados em um casarão bacana, com boa comida, conforto, gente bonita... e no final alguns entrevistados ainda relatam “como foi difícil”. Difícil é trabalhar de sol a sol, como a maioria dos brasileiros. Este ano temos atores, empresários, modelos, publicitários, sendo a maior parte das regiões sudeste e sul do país (porque será, hein?) como todos os anos. Como vê, não há nada de novo.

As mesmas intrigas, paixões, uniões e desavenças na tela de sua TV, e ao final, um ganhador escolhido pelo povo. Viva a democracia! Parece até eleição política (Cá entre nós: como um povo que reclama tanto para votar em seus representantes – de graça – paga para votar em alguém para ganhar dinheiro em programa de TV?). Aliás, este ano teremos eleições para presidente, governadores, deputados e senadores. As mesmas intrigas, paixões, uniões e desavenças na tela de sua TV. Tudo igual.

“Nada mudou”, como diria Léo Jaime, ou “um museu de grandes novidades”, como disse Cazuza. Esse é o caso, inclusive da nossa tão querida Copa do Mundo. Sabe quantas vezes aconteceu uma Copa no Mundo no Brasil em ano de eleição presidencial? Exatamente, houve apenas uma copa no Brasil, e em ano de eleições presidenciais. A Copa de 1950 foi a primeira após a Segunda Guerra Mundial e também a única em que não houve uma final. A última fase foi disputada por Brasil, Espanha, Suécia e Uruguai e o título foi disputado por Brasil e Uruguai. E o resultado nós já sabemos, perdemos a Copa do Mundo por 2 a 1, e em pleno Maracanã.

Já nas eleições deste mesmo ano, em 3 de outubro, disputaram  para presidente Getúlio Vargas, Eduardo Gomes (ih, rapaz, também tinha um Eduardo naquele ano!), Cristiano Machado, e João Mangabeira. E nós também sabemos como essa história terminou. Getúlio governou o Brasil por 3 anos e meio, até 24 de agosto de 1954, quando suicidou-se.

Opa, opa! Pé de pato mangalô!

Nós não somos nem estamos condicionados a coincidências, não estamos à matroca, ao sabor das ondas. E para ter uma vida nova nem é preciso esperar o réveillon, basta ter força de vontade para uma verdadeira mudança de atitude, a qualquer momento. Quando a filha de um amigo nasceu, ele resolveu parar de fumar, e parou mesmo, definitivamente. O nome disso é empenho. Há pessoas que passam a vida inteira se prometendo isso, assistindo ao espetáculo pirotécnico. Veja que a maior parte dos resultados só depende de nós. Leve aquela dieta a sério, desligue – pelo menos um pouco – a televisão e dê mais atenção às crianças, mude de emprego, pare de fumar, e vote bem este ano (é de graça e os resultados interessam muito mais do que os de um reality show).

E vamos torcer para que o Brasil seja campeão. Até porque, ninguém é de ferro!

George dos Santos Pacheco

* Publicado na Revista Êxito Rio, em 24/01/2014.  

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