Nova Friburgo: 196 anos de cultura e preservação ambiental


Em 16 de maio de 1818, o Príncipe-Regente D. João VI, sentindo a necessidade de uma colonização planejada, e a fim de promover e dilatar a civilização do Reino do Brasil, baixou um Decreto que autorizou o agente do Cantão de Friburgo, na Suíça, Sébastien-Nicolas Gachet, a estabelecer uma colônia de cem famílias suíças na Fazenda do Morro Queimado, no Distrito de Cantagalo, localidade de clima e características naturais parecidas às de seu país de origem. Entre 1819-1820 chegavam a Nova Friburgo 261 famílias de colonos suíços, 161 a mais do que havia sido combinado nos contratos, formando-se assim o núcleo inicial da povoação.

196 anos se passaram, e Nova Friburgo ainda tem muito o que comemorar. Uma das cidades do Estado do Rio de Janeiro com maior percentual de mata Atlântica preservado, a cidade oferece uma grande quantidade de passeios e atividades que levam a cachoeiras, mirantes naturais e reservas ambientais, favorecendo o ecoturismo na região, destacando-se os bairros de Lumiar, São Pedro da Serra e Boa Esperança.

Destacam-se também a gastronomia diversificada, em que a truta é o carro chefe (a cidade sedia todos os anos o festival da truta), incluindo no pacote queijos de cabra, biscoitos amanteigados, chocolates caseiros, além da presença marcante da culinária alemã e suíça, oferecida por diversos restaurantes, em especial os do distrito de Mury, que recria em sua arquitetura, traços da colonização destes povos.

Breve histórico

Até o século XIX, a região da atual Nova Friburgo era habitada por índios coroados puris. Em 16 de maio de 1818 o Príncipe-Regente D. João VI, sentindo a necessidade de uma colonização planejada, a fim de promover e dilatar a civilização do Reino do Brasil, baixou um Decreto que autorizou o agente do Cantão de Friburgo, na Suíça, Sébastien-Nicolas Gachet, a estabelecer uma colônia de cem famílias suíças na Fazenda do Morro Queimado, no Distrito de Cantagalo, localidade de clima e características naturais parecidas às de seu país de origem. Entre 1819-1820 chegavam a Nova Friburgo 261 famílias de colonos suíços, 161 a mais do que havia sido combinado nos contratos, formando-se assim o núcleo inicial da povoação.

Esse foi o primeiro movimento organizado, contratado pelo governo brasileiro, de imigrantes europeus a se estabelecerem no Brasil. O segundo movimento seria dos imigrantes alemães, cerca de 400, que também se estabeleceriam em Nova Friburgo no ano de 1824, vindo substituir muitos dos suíços que abandonaram seus lotes e se dispersaram por toda a região serrana e centro norte de estado do Rio de Janeiro em busca de terras férteis e mais acessíveis.

Sabendo o quão promissora era a cooperação desses estrangeiros para com a nova pátria, o Governo Real subscreveu, a 3 de janeiro de 1820, um Alvará elevando Nova Friburgo à categoria de vila, desmembrando, para isso, suas terras das de Cantagalo. A instalação da vila deu-se a 17 de abril desse mesmo ano, e a 8 de janeiro de 1890, Nova Friburgo foi elevada à categoria de cidade, tendo sua população aumentado com a chegada de imigrantes italianos, portugueses e sírios.

Em 1872, o Barão de Nova Friburgo trouxe, até a região, os trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina a fim de escoar a sua produção de café proveniente de Cantagalo. A ferrovia foi desativada no final da década de 1960.

A partir de 1910, Nova Friburgo, que, até então, devia o seu progresso ao desenvolvimento da agricultura e ao seu clima seco ideal para município de veraneio, viu chegar vários cidadãos de iniciativa, tais como Conselheiro Julius Arp, Maximilian Falck e William Peacock Denis, que foram os pioneiros da era industrial friburguense. A estes, se juntaram outros elementos de valor, provocando o surto de progresso verificado até meados da década de 1980.

Atualmente, as principais atividades econômicas são baseadas em: indústria de moda íntima, olericultura, caprinocultura e indústria (têxteis, vestuário, metalúrgicas e turismo).

Curiosidades

O Decreto de fundação

Nova Friburgo, foi criada por um Decreto Real, assinado por Dom João VI em 16 maio  de 1818. É  a primeira cidade do Brasil a ser criada  para depois receber seus futuros habitantes, os Colonos Suíços, vindos em sua maioria do Cantão de Fribourg.

A maior


Nova Friburgo é a maior produtora de flores de corte do Estado do Rio de Janeiro e o 2° maior do Brasil; a maior produtora de morangos do Estado; a maior produtora de trutas do Estado; a maior produtora de couve-flor do mundo; e  o maior polo confeccionista de moda íntima do país (lingerie dia, fitness e moda praia).

O Palácio Nova Friburgo

O Palácio Nova Friburgo, atual Palácio do Catete, construído entre 1858 e 1867 pelo comerciante e fazendeiro de café Antônio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo, consagrou-se como um monumento de grande importância histórica, arquitetônica e artística. Erguido no Rio de Janeiro, então Capital Imperial, tornou-se símbolo do poder econômico da elite cafeicultora escravocrata do Brasil oitocentista. Sua concepção em estilo eclético é resultado do trabalho de artistas estrangeiros de renome, como o arquiteto Gustav Waehneldt e os pintores Emil Bauch, Gastão Tassini e Mario Bragaldi. Em 1889, passados vinte anos da morte do Barão e de sua esposa, o Palácio foi vendido à Companhia do Grande Hotel Internacional e, posteriormente, antes que fosse instalada qualquer empresa hoteleira no imóvel, foi vendido ao maior acionista da Companhia, o conselheiro Francisco de Paula Mayrink. Em 18 de abril de 1896, durante o mandato do presidente Prudente de Moraes, à época exercido em caráter interino pelo vice Manuel Vitorino, o Palácio foi adquirido pelo Governo Federal para sediar a Presidência da República, anteriormente instalada no Palácio do Itamaraty.

Atualmente, abriga o Museu da República, inaugurado a 15 de novembro de 1960.

Centro do Estado do Rio de Janeiro

O centro do Estado do Rio de Janeiro fica em Nova Friburgo, mais precisamente, aos pés da estátua de Getúlio Vargas, na praça de mesmo nome, identificado por um marco de ferro.

Ferrovia

A ferrovia foi desativada no final da década de 1960. Porém, existe uma indicação legislativa de autoria do deputado Rogério Cabral (PSB) - atual prefeito - em trâmite desde 2007, para trazer de volta essa modalidade de transporte, que ligaria as cidades de Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu, com fins turísticos.

Igreja de Nossa Senhora das Graças

A Igreja de Nossa Senhora das Graças, no bairro de Olaria, faz parte do acervo de projetos do arquiteto Oscar Niemeyer.

Teleférico

Teleférico de N.F. é o maior do país com cadeirinhas duplas, possuindo 1.450 metros de comprimento e 1.320 de altura.

Catedral de São João Batista


Inaugurada em 1869, no centro da cidade. Construída em terreno argiloso, apresenta uma leve inclinação para a esquerda. O nome da Catedral foi uma homenagem a D. João VI, quando assinou o decreto de autorização da vinda de suíços católicos para o Brasil.

Euterpe Friburguense

A Euterpe Friburguense é a banda mais antiga de música civil do Brasil. A Sociedade Musical Beneficente Euterpe Friburguense – a mais antiga expressão cultural de Nova Friburgo – foi fundada em 26 de Fevereiro de 1863 pelo maestro português Samuel Antônio dos Santos. Conhecida como a “Centenária das Centenárias”, ostenta o título de Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro. 

Nova Friburgo e seu caso com a Literatura

Machado de Assis esteve duas vezes em Nova Friburgo, com sua esposa Carolina, em 1878 e 1904, de onde escreveu algumas cartas. Machado se refere à primeira temporada em carta de 1.º de fevereiro de 1901, na qual diz ao amigo que “Nova Friburgo é terra abençoada. Foi aí que, depois de longa moléstia, me refiz das carnes perdidas e do ânimo abatido.” [579]. Em janeiro e fevereiro de 1904, o casal subiu a Nova Friburgo, numa tentativa de recuperar a saúde de Carolina. Ela não melhorou, mas Machado adoeceu. Em carta de 31 de janeiro de 1904, ele escreve a Veríssimo: “Veja você o que são as coisas deste mundo. Entrei com saúde em cidade onde outros vêm convalescer de moléstia, e apanhei uma moléstia.”

Drummond também esteve na cidade, foi aluno do Colégio Anchieta. Aos 15 anos, enquanto aluno do colégio, publicou seu primeiro texto. "Vida nova" — que saiu no dia 14 de abril de 1918 no jornal "Aurora Collegial" — falava da expectativa da chegada à nova escola, "com a alma povoada de esperanças miríficas e sonhos maravilhosos". Foram apenas dois anos de Anchieta, período em que ele escreveu pelo menos dez crônicas. Carlos Drummond de Andrade desde o início demonstrou seu desassossego, em cartas para a mãe, reclama da saudade, do frio, do dormitório que lembra um hospital, do travesseiro que ele ensopou de "lágrimas ardentes", e do banho de madrugada no chuveiro gelado.
O episódio que marcou sua saída do colégio foi uma discussão com o professor de português. As notas eram lidas em voz alta, e quando foi lida a de Drummond, o professor de português, após a leitura, disse: "Essa nota foi dada por comiseração." Ele respondeu: "Eu não quero nota por comiseração, eu quero uma nota justa." Os jesuítas mandaram que se retratasse, senão seria expulso. Ele se retratou — e foi expulso. O poeta se sentiu traído. No registro de sua expulsão consta o motivo "insubordinação mental", um termo muito comum na época, referente a um tipo de indisciplina considerado grave.

Casimiro de Abreu nasceu em Barra de São João - RJ, no dia 4 de janeiro de 1837. Aos nove anos entrou para o Colégio Frese, em Nova Friburgo. Filho de um rico comerciante português, desde cedo despertou interesse pela literatura. No dia 13 de novembro de 1853, com apenas 16 anos, por não se adaptar ao trabalho no comércio do pai, no Rio de janeiro, foi enviado para Lisboa. O austero pai achava que lá, ele perderia as tendências literárias.

Jogos Florais 

Jogos Florais são concursos de trova (poema autônomo de quatro versos em redondilha maior) realizados sob a égide da União Brasileira de Trovadores. A cidade é considerada o berço dos Jogos Florais, devido o primeiro concurso do gênero ter sido instituído na cidade em 1960.

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Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
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