Café Literário: O sangue do meu cabelo


I
o sangue do meu cabelo
e a tinta da minha menstruação
se misturam
num vermelho
de cor azul
da seda
de embrulhar a maçã
como quando caetano
compôs
trem das cores
eu torço
o medo

II
carolina dormia
na janela
ícone
de chico
era
não viu o tempo
passar
tem
passado ou já?


III
trouxe um pássaro
pro meu gato comer
ás
em caçar
no entanto não caçou
não comeu
um gato preguiçoso
hoje
na minha telha


IV
gosto de dormir
mas gosto de sonhar
fantasia
indo
ao bar
com azia
dormia acordada
bêbada
sóbria
sombria
ave
tempo,
oh!


V
não há marca
de suicídio
na minha
carteira
de trabalho
uma pera
no meu armário
da empresa
sem pressa
de ser comida
vida


VI
cor de laranja
é minha favorita
porque
um anjo
ia
buscar
uma fruta
pra mim
entre
o armário
e uma
síncope


VII
a foto
na minha
mesa
fofa
seria
do meu amado
quê?
amo
mas corro
presa


VIII
as cartas
eram chatas
a internet
é lerda
marcam
minha passagem
pela vida
essas indas e vindas
escrevo mais dois versos
mas não escrevo o que é


IX
gosto
de diamante
frio
e cortante
ouro
rio
pobreza
na alma
entoo
álcool
íris
rouca
do diamante
na garganta

X
preciso
de um poema
que seja
uma canção
dança
entra
avisa
aos bêbados

Vivian de Moraes

Jornalista formada na Unesp de Bauru em 2008, trabalhei em periódicos diários, na Embrapa e no Sesc Araraquara.Tenho três livros publicados: "Sonetos Sombrios" e "Poemas e Canções", lançados na Unesp/ FCL Araraquara e no Sesc Araraquara no dia 4 de outubro de 2012, com tiragem de 200 exemplares cada; e "hacais/ vivian/ de moraes", lançado em outubro deste ano, com tiragem de 200 exemplares. Tenho um livro de contos chamado "Lesbos" e um livro de microcontos ilustrados, à procura de editora. Pretendo, ainda, escrever um livro de fundo autobiográfico sobre transtorno bipolar. Atibaiense, vivo atualmente em Araraquara/SP, onde estudo Letras (Francês) na Unesp. Em maio deste ano, a revista "Cult" publicou "Tesoura"(http://revistacult.uol.com.br/home/2013/09/tesoura/), poema de minha autoria, no espaço "Oficina Literária". Duas sequências de poemas meus também foram publicadas em novembro pela revista especializada online “Mallarmargens” (http://www.mallarmargens.com/2013/11/a-poesia-de-vivian-aurora-de-moraes.html).

Um comentário:

Publicidade

http://www.tertuliaonline.com.br/
http://www.revistapacheco.com/p/contato_507.html

Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
As imagens postadas neste site foram retiradas da internet ou enviadas por colaboradores. Se é proprietário de alguma imagem e se sentiu ofendido, por favor, entre em contato conosco e ela será rapidamente tirada do ar.