Ilson Júnior: manter-se firme em suas convicções e nunca desistir

O artista plástico friburguense é o criador do personagem Phill
Ilson Júnior sempre sentiu a necessidade de contar histórias, e isso, aliado ao seu gosto pelo desenho, culminou em sua formação e no que ele gosta de fazer: contar histórias de forma visual. “Não consigo lembrar de mim mesmo antes de começar a rabiscar alguma coisa, qualquer coisa (isso inclui as paredes de casa, diga-se de passagem)”, afirma.

O artista plástico friburguense é o criador do personagem Phill, da série de animação homônima, além de produtor do curta de ficção científica “Eva” e de clipes musicais, alguns da banda “Homocinética” (roteiro e direção de Ilson Junior e produção Fabian Santos), da banda "Farsantes" e do poeta e músico friburguense Arnaldo Luis Miranda. Ilson conta que sempre se interessou por desenho animado e que chegou a prestar vestibular para cinema, na UFF. A inclinação para o desenho, porém, o direcionou para as Artes Plásticas, culminando em animação.

O trabalho com animação é um processo demorado, que demanda muito trabalho e, de preferencia, uma equipe. Mas Ilson descobriu cedo os programas de modelagem e animação 3D – por volta de seus 15 anos – e percebeu que poderia começar a fazer aquilo de forma mais autoral, tendo tempo de “brincar”, sem muitas pretensões. Até que surgiu a oportunidade de colocar em prática o que havia começado a aprender de forma autodidata em um curta-metragem que estava produzindo, ‘O Último Guerreiro’. O curta fez tanto sucesso que Ilson não parou mais.


“A ideia é que Phill fosse uma experiência para tentar entender o nebuloso meio que é a internet. Mas não posso negar que gostaria de vê-lo alçar voos mais altos como estar na programação de uma TV nacional ou mesmo internacional”

Então surgiu Phill, personagem de animação criado por Ilson Júnior. Ele esclarece que na verdade, toda a origem do Phill é bastante casual. “Ele foi criado há bastante tempo, em desenhos de pé de página durante as aulas da escola menos interessantes! (risos) Só depois, há uns 3 ou 4 anos atrás, na verdade, que acabei escolhendo-o para encarar o desafio de lançar uma série de animação”. Explica também que seu nome também surgiu de forma despretensiosa uma vez que não se preocupava na época com a resposta do público, marketing, etc. Entretanto, o nome possui uma ligação com o personagem, sua mania de assoviar. Então seu nome, Phill, acaba quase sendo uma onomatopeia desta mania. 

“O lance no trabalho artístico e em tudo o mais, é se manter firme em suas convicções e nunca desistir.” Ilson Júnior

A inspiração para seu trabalho vem de situações do cotidiano de Ilson: conversas que com o sobrinho Hugo (hoje com 11 anos); de situações em desenhos animados antigos de que gosta; ou de velhos rascunhos do Phill. “São pequenas situações que tenho guardado do personagem que me fazem perguntar: Como ele chegou até essa situação? As respostas acabam gerando episódios”.

Ilson acrescenta que seu trabalho é fortemente influenciado pelos clássicos das séries de animação, como “Tom e Jerry”, “Pica Pau”, “Looney Tunes”, “Gato Felix”, e quase tudo de “Hanna-Barbera”, além dos mais recentes “O Fantástico Mundo de Bobby”, “Tiny Toons”, “Dennis, o Pimentinha”, “Eek, the cat”, “Laboratório de Dexter” e vários outros. “Entre os artistas posso citar o Chuck Jones e Tex Avery (dentre os antigos) e Genndy Tartakovsky e Brad Bird (entre os mais atuais). Inclusive o (não tão conhecido) longa animado “Gigante de Ferro”, de Brad Bird, é uma de minhas animações favoritas”.


O artista explica que não tem um ritual para trabalhar, mas que existe todo um processo de produção que precisa ser seguido: primeiro vem a ideia e escrita de um roteiro, depois é feito um storyboard (onde se detalham as cenas por meio de desenhos), depois são feitos os cenários, objetos e personagens adicionais (quando necessário), gravação de vozes (quando necessário), depois a animação, renderização, edição de imagens e som. 


Na série de Phill já fomos apresentados a alguns outros personagens como ‘Maria Mole’ (o caracol que Phill acredita ser sua mamãe), os maléficos ‘Pintinhos Amarelinhos’, e a planta carnívora ‘Phillomena’, e Ilson garante que muitos outros ainda devem aparecer.

“Independente disso tenho muitos personagens, histórias e ideias além da série do Phill. Algumas dessas ideias estão sendo mais desenvolvidas neste momento a fim de serem apresentadas a negociadores de conteúdo para a TV”, ressalta Ilson.

Ilson explica ainda, a importância dos festivais para dar publicidade ao trabalho do profissional de animação. “Os festivais são importantes para mostrar seu trabalho ao público e estar em contato e sintonia com outros profissionais” O friburguense já participou de vários festivais pelo Brasil e exterior, tendo sido premiado com episódios de Phill, no festival de curtas “Cineclube Jacareí” em 2011 e 2012 e no “Upto3” (up to three minutes), um festival de curtas de animação brasileiros que acontece em Toronto, no Canadá onde venceu como melhor curta de animação.

O trabalho de Ilson pode ser encontrado na rede social “Facebook”, onde Phill tem seu próprio perfil (Phill Web Série), além da página da produtora SINGULARIDADE, também na rede social e o site: www.singularidade.net.br onde também podem ser encontrados outros trabalhos como comerciais, e vinhetas.

Ilson Junior afirma ainda que “as redes sociais tem sido vitais para a criação de novos contatos entre pessoas que gostam e/ou trabalham com audiovisual e animação, tanto dentro do Brasil como no exterior”.


Acrescenta, ainda, que foi através de redes sociais que tomou conhecimento do Festival Upto3’ do Canadá (o qual viria a vencer) e também firmou contato com o apresentador do programa Animania (Quiá Rodrigues), exibido pela TV Brasil com projeção nacional, para o qual foi convidado a participar por conta de seu trabalho com o Phill.

Apesar dos benefícios que podem gerar os incentivos públicos para a produção artística, como leis de incentivo à cultura, editais, fundos setoriais, Ilson se preocupa que o trabalho audiovisual e artístico fique dependente demais dessas esferas públicas. “Acho que esses são maneiras de realmente incentivar a produção, mas considero importante que se desenvolva uma percepção, muitas vezes por parte do próprio artista, de arte como negócio, que ela possa gerar recursos para este artista continuar seu trabalho”.


Ilson conta ainda, que por conta da internet, a boa receptividade do público vem de vários locais do planeta. “Já recebi mensagens de pessoas de vários locais do Brasil e também do Canadá, Espanha, Estados Unidos, Índia, etc. É muito legal também a receptividade das crianças, muitos pais já me disseram que elas curtem bastante o Phill.”

Ilson explica que, como não vem de uma família de artistas, como muitas vezes acontece, às vezes é difícil se fazer entender no âmbito familiar, mostrando sua arte como algo profissional. Contudo, sempre teve apoio para fazer aquilo que quisesse profissionalmente, e sem isso com certeza não estaria no ramo.
“É interessante perceber como tanta gente ainda não conhece o trabalho artístico que acontece na cidade. Muitas foram as vezes que já ouvi, ao mostrar o que eu faço, as pessoas dizerem: “Nossa, mas você é daqui mesmo?” (de Nova Friburgo)  ou “Eu não sabia que se fazia esse tipo de trabalho na cidade”. Então é sempre importante estarmos divulgando. Por isso agradeço à Revista Pacheco e ao George.

Acredito (ou preciso acreditar) que essa noção de que a cidade não contém certos talentos está diminuindo. Hoje, por exemplo, ouço bem menos as pessoas perguntarem o porquê de ainda estar nesta cidade e não em um centro maior. Isso, aliás, acredito ser uma questão de escolhas e prioridades pessoais. Poderia estar em uma empresa grande, provavelmente ganhando mais dinheiro, mas não estar desenvolvendo meu próprio trabalho, algo que pessoalmente é muito importante. Outra coisa é a questão da facilidade que os meios de comunicação nos dão. Não é difícil estar em Friburgo ou em qualquer outra cidade e ter clientes do Rio de Janeiro, São Paulo ou mesmo do exterior, como acontece mesmo comigo e com outros na cidade.

O lance no trabalho artístico e, acredito que em tudo o mais, é se manter firme em suas convicções e, se é mesmo sua paixão, nunca desistir.”
Ilson Júnior

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