Café Literário: Somos o que pensamos


“Somos o que pensamos, falamos e fazemos”.

Quando ouvi essa frase em uma palestra, fiquei com medo. Somos o que pensamos, falamos e fazemos? Naquele momento subiu um pânico imenso, mas aos poucos, fui me recompondo. Ok; sou o que penso, o que falo, e o que faço. Sempre acreditei nisso, que as nossas atitudes demonstra quem realmente somos. No entanto, minha mente prendeu-se mais sobre: sou o que penso. O subconsciente ele é insano, quando achamos que vamos pirar de vez, o consciente volta e coloca uma pausa.

É mais ou menos isso. Pensar é um processo. Um processo interminável, não é a mesma coisa que correr, ou saltar de paraquedas. O nosso pensamento vai, além disso. Somos seres que nunca pisou no fundo do oceano que existe dentro de nós. E muitas das vezes trazemos coisas do subconsciente para fora – O baú das sete chaves – todos têm.  E é preciso ser corajoso suficiente para enfrentar esse afogamento súbito, espontâneo que a vida nos entrega com chave e cadeado. Nem tudo que enxergamos por dentro é o que acontece por fora. Nem tudo que acontece por fora se refere por dentro. Os nossos medos e traumas não somem com um simples sopro ao ar livre, às vezes, eles duram à vida toda. E, só conseguimos nos livrar do medo, quando o enfrentamos.

Freud, disse que para ter uma vida saudável é preciso de inteligência e amor, que através disso surgem novos caminhos para sermos amigo de si mesmos. A mente cria o pensamento que nós acreditamos e que achamos que precisamos. O pensamento é energia, energia atrai energia. Nos causa um efeito. Não use seu pensamento como arma a vitima sempre será você – como eu penso, eu sou.

Pensamos em excesso e mesmo assim damos espaço para a transcendência, ao inusitado, damos lugar na mente para coisas que nunca pensamos antes.  O pensamento vária conforme a circunstância. Conforme o tempo, ele muda.  A gente desapega aos velhos hábitos, desapega ao descaso e nos tornamos pessoas melhores.

Estou lendo O outro que existe em nós do psicanalista de Moisés Esagui. Um livro que fala sobre nós e nosso cotidiano, das coisas que vivemos e das coisas que nos tornamos. No inicio, falei pra mim mesmo: “Esse escritor escreveu esse livro para você, Leandro”. O livro é incrível, comecei a ler e no final de uma página, pensava: deve ter algo extraordinário, que feche com chave de ouro.  Passou, 1,2,3...34 páginas e nada verdade incontestável.

Não existe verdade inconstatável, não existe um único caminho para que nos leve a felicidade. Como o próprio escritor disse: “sofremos porque somos ignorantes”.  Ele não está errado, não. A minha vida, o que eu acredito, não é o mesmo que você acredita. Não existe uma resposta para tudo. Não existe uma verdade que nos acalme e que façamos daquilo algo inquestionável. Como já dizia Clarice Lispector: Entender é limitado. E é mesmo, o conhecimento ele é infinito, não acaba, somos vitimas do saber, porque sabemos pouco, muito pouco. Todos nós possuímos algumas limitações, e atravessa-la é uma tarefa árdua.

 Saber, entender, conhecer, é uma longevidade (a vida é uma longevidade!) e o pensamento reside ai. O que você anda pensando? Você anda pensando demais no seu futuro, ou seu passando não permite isso? A vida ela nos oferece o que refletimos para ela. A vida só nos dá uma chance, não existe duas. Tudo que fazemos aqui, agora, sempre nos causará uma consequência.  Viver é sentir e estar bem consigo mesmo.

 Louise Hay, acredita que toda dor nasce porque permitimos que ela nasça. Não sou 100% cético com tudo isso.  No entanto, acredito, sim, na dor que muitas vezes, nasce pela causa problemática da existência. “Ninguém pode ter saúde física e mental sem limpar o coração, largar o passado e perdoar a ignorância alheia”. Não sei quem escreveu essa frase, porém, uma vida melhor só teremos quando nos conhecermos suficientemente para enxergar que a nossa alma, nossa vida, nossa existência, merece vitalidade que tanto necessitamos.

Talvez seja isso: Pensamento saudável é aquele que entende que na vida não podemos controlar tudo que está a nossa volta, e mesmo assim, saber que é responsável por tudo. Pensamento saudável é aquele que não se neutraliza, não se engana e não se danifica, esses pensamentos todos. 

Leandro Salgentelli
leandro.sargentelli@outlook.com.br
 
Leandro Salgentelli, blogueiro, poeta. Amante da literatura, apaixonado pela escritora, poeta – Martha Medeiros. Bom leitor de Clarice Lispector, Elizabeth Gilbert, Marla de Queiroz e, do educador Rubens Alves. Apaixonado pela música, teatro e cinema.

(...)Um homem precisa saber e correr atrás de algumas respostas, se não ousar, não persistir, então, nada lhe serve a esse homem. Nem mesmo à vida representa algo, nem mesmo sua própria existência. (...)

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