Café Literário: Psy Spy

 

"Em suma, o nosso Universo não teria sido senão uma superfície de oceano cujos abismos desconhecíamos."

HISTOIRE INCONNUE DES HOMMES 

Depuis cent mille ans - 1963 by Robert Laffont, Paris

Dachau, Baviera, Alemanha, 1969

Muitos anos se passaram desde o fim da segunda guerra e a queda do Nazismo,porém, o estigma deixado pelo nacional-socialismo ainda parecia implicitamente escorrer das entranhas daquele país agora divido por uma disputa geopolítica entre a democracia e o socialismo comunista da URSS. Assim o pais se dividiu tal como os imorais seus despojos deixando apenas uma Alemanha oriental e outra ocidental, um país metade democrático e metade comunista delimitados apenas por um muro que o cortava.

Porém, dois jovens não viam limites nisso quando o pai de gêmeos atravessava a cidade para trabalhar no lado oriental do mesmo. Normalmente levava o gêmeo que por uma diferença de três minutos no nascimento era mais velho. Uma cópia idêntica e congênita de seu irmão, os dois, porém, pareciam dividir mais que a aparência em comum, mas um dom incomprovável aquela época de atravessar o nebuloso tempo a visualizar vagamente um esboço do futuro que quando unidos seu potencial se amplificava como seu pensassem entrelaçadamente em suas mentes, afinal o futuro não existia, era uma parca visualização mutante e mutável pela simples observação resultada do presente. Porém, temendo os dois gêmeos por serem um Fator X para humanidade fingiam eles não terem poderes paranormais.  Assim era a vida de Stephan e Sven Mueller, dois então garotos de cabelos lisos negros que frente a frente pareciam reflexos um do outro. O pai, Manfred, sem saber da ligação mais do que o aparente entre os dois não sabia que enquanto um dos meninos de 12 anos costumavam fazer tarefas semelhantes simultaneamente, ainda que a distância. Assim como naquele momento em que Sven parecia brincar com o vento com um avião de brinquedo enquanto Stephan, no lado oriental estava a brincar igualmente com outro avião de plástico como se não bastasse estivesse se interagindo com os movimentos  do avião do irmão. Fora naquele momento em que um homem observando astuciosamente um dos meninos no lado ocidental, sem saberem tramava sequestra-lo justamente por suas peculiaridades psíquicas já observadas.

Um membro de um grupo vindo de Thule que acreditava que por poderes psíquicos eram capazes por videntes de passarem conhecimentos e informações de alienígenas para projetos realizados pelos nazistas durante a guerra, que apesar de ter sofrido sansões com o fim da guerra tal organização operava ainda que clandestinamente algumas das operações com videntes sob a desculpa de estarem prestando serviço de espionagem a democracia da República Democrática Alemã (RDA), porém, era algo mais com seus meios pouco convencionais e nada éticos ou morais, furtar conhecimento e tentar alcançar descobertas realizadas pelo grupo rival ainda que sobre a repressão do sistema socialista na RFA.

Aconteceu que com o descuido do pai num instante, um carro negro encostou raptando a criança deixando apenas que seu avião caísse ao chão enquanto seu pai ao presenciar seus gritos correu atrás deixando uma sacola de frutas cair na sarjeta se espalhando na rua. Criando um quase conflito de fronteira o pai gritou ao redor por socorro, mas sem respostas, sendo, porém ao pedir auxílio das autoridades misteriosamente sufocado pelos dois lados, sabe-se lá porque. O pai em desespero tentou recorrer a órgãos de dois lados, porém, seu filho foi-se  sem deixar rastros.

Naquele momento Stephan parou de brincar e subitamente chorou sem se quer saber ao certo o motivo até que seu pai retornou a casa na noite daquele dia a dar-lhes a notícia com enfado para o jovem que já era órfão de mãe.

Os anos se passaram, porém, Stephan ainda que sob o sistema repressivo do socialismo buscava respostas ainda que seu pai desse por morto, talvez por algum tipo de seita que ainda vagasse por aquelas regiões. Fora neste dia Stephan fora contatado por um homem fino e discreto que se chamava por Franz Six. Ele era representante de uma instituição de estudos dos segredos da mente e ficou sabendo de seu caso mesmo sobre a política de silêncio adotada daquele lado do muro de Berlin. Vestindo um nobre sobretudo preto e com um chapéu coco, ele o retirou ao entrar na casa do jovem agora com 17 anos, que havia retornando do trabalho. A instituição chamada de Forschungseinrichtung des Geistesestava vinha sofrendo forte intervenção da RFA no sentido de cooperar com programas instituídos na URSS similares ao dos Estados Unidos como o Grill Frame, neste caso para visualização remota de instituições. No entanto, eles ainda mantinham um corpo docente de pesquisadores e cientistas, em parte oriundo do ilusionismo para pesquisar e procurar sensitivos e compreender e comprovar a existência desse fator x a humanidade. Franz e o fundador Sir Dax von Mueller tentaram criar um braço oriental de sua organização, porém, foram impedidos quando souberam do desenvolvimento de projetos sobre a mente humana de grande valia ao governo que acreditavam que estavam perto de uma descoberta cientifica importante sobre os segredos da mente humana.

- Venho algum tempo lhe observando, e acredito que você tenha um elo incomum com seu irmão o que lhe confere poderes de desvendar partes do futuro possível. - disse Franz a ele.

- Como saber que não é coincidência? - indagou Stephan querendo desconversar.

- Os verdadeiros sensitivos nunca são antissociais, porque como diz o próprio termo 'empata' denota empatia, ou seja, sentir o que o próximo sente, ou mesmo temporalmente. Sabemos que esse dom não é comum em pessoas más, ainda que possa ter mau uso. Pelo que pesquisei em seu perfil, você se enquadra com ele, gostaríamos apenas de fazer alguns testes. Empatia é saber por sentir, algo carregado dentro de suas mentes ainda que não tão claro como ler um livro.

Aquele discurso deixou Stephan em seu intimo realmente curioso com que dizia sobre seu dom a tanto inutilizado e sobretudo pela metodologia que usavam em seu laboratório que como cientistas empíricos nunca tiravam conclusões antes de evidências ou baseadas no mero desejo do que queriam que fosse, e no achar. Assim Stephan cedeu a sua vontade e seguiu ao homem.

Ao chegar no lugar havia um homem sentando dentro de uma sala com vidro onde falava coisas sem aparente nexo, denotando ser o futuro. Através de um vidro outro homem de cabelos brancos observava o que dizia tal homem sendo ele monitorado por leituras e câmeras. Aquele era Sir Dax von Mueller, um ex-ilusionista que cedeu aos encantos da ciência quando se deparou com um caso legítimo de milagre ainda que se passando por mágico. Não obstante, ele estava a pesquisar e desmascarar todo falso sensitivo mediante testes simples como de descobrir o que haviam em cartas sobre uma mesa até outras tarefas que eram fato suficiente para se qualificar alguém como vidente ou não, e a maioria eram impostores querendo apenas ganhar dinheiro fácil com o desejo humano de saber mais sobre si e seu futuro.

- Ele fala um futuro muito rico em detalhes, e sobretudo nada que possa se relacionar diretamente a gente ou que se saiba por nós. - falou Dax em sua observação. - Ele fala de um filme do futuro, de outro pais, mas só porque não existe.

- Um milagre é um truque do universo. Algo desconhecido apenas a nossa ciência não em discordância desta. Se ele fosse um vidente poderoso de verdade ele não preferia jogar na loto, a copiar algo assim? - Respondeu um outro homem ao lado dele, naturalmente um cético que sentado mexia as pernas constantemente demonstrando nervosismo, era chamado Rolf. - A desculpa de quem nega a Navalha de Ockan, não se pode levar a sério como cientista, muito menos ético.

- Todos os videntes limitam-se apenas e colher fragmentos de algo. Mas este sugere-se algo como um plágio do futuro nos mínimos detalhes traduzindo-se de outra língua que pouco conhece e que comprovadamente não fala fluentemente. Quem é o tolo que crê nisso? Mais fácil saber os números da loto e jogar neles do que isto. E quantos se quer fazem isto? - falou Dax quando ouviu o barulho da porta atrás batendo era Stephan.

Naquele momento Franz interrompeu dizendo que havia trazido quem lhe interessava, e assim os dois homens olharam para Stephan e sorriram e em seguida Dax pediu para aguardar.

- O solo falou comigo sobre essas coisas... - disse o homem a ser estudado na sala tirando risos de Dax que disse.

- Então a boca dele é um túmulo. Deus, algumas pessoas não sabem nem a diferença entre mágica e magia. Isso parece remotar o mito celta de sangue e solo que alimentou o nazismo. Podem finalizar o teste - assim Dax virou-se em direção a Stephan e Franz e disse - Quando o médium é uma fraude não se distingue de um mágico. Os videntes mágicos são falaciosos recorrentes, pois desviam atenção quer por apelo as emoções ou mesmo sustos. É disso que vive o ilusionismo, a ilusão é o engano não somente perceptivo, mas da mente. A maioria acredita nisso porque prefere a mentira a verdade, querem ser enganadas.

- Não atribuo a magia o que é realizado pela trapaça, larga a diferença entre magia e mágica. - disse Franz e em seguida apresentou Stephan ao mentor daquela instituição.

- Você vem chamando nossa atenção desde o desaparecimento de seu irmão. As perguntas que você tem devem martelar em sua mente, não? - disse Dax pegando sua bengala e começando a andar mancando.
Stephan acenou com a cabeça que sim, quando reparou a seu lado um quadro com o seguinte verso:

"Não consigo mais ficar acordado,

mas não consigo mais dormir

O que sinto acordado,

é tão ruim quanto o que vejo dormindo

A minha dor, a sua dor

tudo se mistura

o que é prazer?

o que devo fazer?

Não estou mais vivo

Apenas existo

E isso já é demais pra mim"

- Acreditamos que por uma quase Metafísica, por um entrelaçamento quântico, um autista tem na realidade não deficiência de comunicação, mas um poder de comunicação superior ao nosso. Algo semelhante o que você deve ter com seu irmão, é um dom que lhe faz sentir-se deslocado, certo? - falou Dax ainda que com cara de reprovação de Rolf. - Bom, temos testes a fazer. Sigam-nos.
         
Assim eles caminharam por vários corredores até que Stephan viu aquele homem testado saindo da sala de onde estava, e na sala atrás dela haviam mais monitores estes do exterior, na realidade de outro lugar.

- Dax, certamente descobriu um mágico que vendia um truque que não descobriu como fazia, por isso acreditava ser um vidente. - disse Rolf. - Por isso ele está aqui hoje.

- Tanto era vidente que posteriormente sumiram com ele, tal como Jerusalém faz com seus profetas. - respondeu Dax com sua bengala e com a ironia a tira colo - Sensitivos são aqueles que se comunicam melhor com o universo não necessariamente sobrenatural. Se comunicam com portas sensoriais fora as materiais como olhos, ouvidos, nariz... - retrucou Dax e então virou-se aos monitores e disse - O governo mantém um monitoramento continuo sobre o muro de Berlim, assim como espiões do outro lado para descobrirem informações. Inicialmente se o seu irmão estiver vivo e você realmente mantém uma conexão com ele, poderemos descobrir coisas do outro lado a serem comprovadas pelos espiões. Por favor sente-se. - completou pedindo para Stephan.

- Acho que este homem na realidade incomodou alguém que não gostou. - disse Rolf insistindo - Segredo é meio caminho para mentira. Porquanto a mentira tem por função ocultar a verdade. Mesmo que não admita essa é a cerne justamente do ilusionismo, mas você prefere acreditar que era um sensitivo que se passava por mágico por temer seu próprio dom.

Stephan Mueller sentou-se numa mesa dentro de um tipo de quarto vazio e então preencheu uma ficha e em seguida o próprio Dax tomou a frente num questionário após ligarem medidores de um detector de mentira nele, pediram para que fosse sincero em tudo que lhe fosse inquirido e assim o fez. Algumas perguntas pareciam sem nexo enquanto outras eram essencialmente sobre seus sentimentos e ligações com seu irmão assim como no dia do desaparecimento.
 
Por quase uma hora seguiu-se aquele interrogatório do qual já deixava exausto Stephan quando finalmente fora completo. Porém, o teste mesmo de suas habilidades iriam começar, quando percebeu que outros equipamentos adentraram, estes para serem ligados a sua cérebro.

A seguir o mesmo jogo de cartas feito com aquele homem reprovado fora feito com ele sem qualquer êxito. A margem de acerto fora apenas de uma para vinte. Naturalmente que do lado de fora, Rolf como bom cético deveria estar rindo de Dax em seu teste do qual por longos anos tudo que conseguiram pegar fora margens de acerto que indicavam apenas o potencial sensitivo vago e momentâneo. Porém, repentinamente Dax retirou um avião de plástico de um caixa, o mesmo avião que pertencia a seu irmão, o deixando desorientado e perplexo com aquilo.

- Onde achou isto? - perguntou Stephan ao reconhecer o brinquedo.

- No dia do sequestro a RFA tinha um espião do outro lado que isso achou. Pode pegar e me diga o que sente? - falou Dax estendendo a mão com o brinquedo para ele e ele o pegou.

- O que você sabe sobre o sequestro dele? - perguntou Stephan agora visivelmente transtornado.

- O que não sabemos posso te afirmar, pois vocês estavam sendo observados a muito tempo, alguns ex-nazistas acreditam que gêmeos podem ter poderes e ligações que outros não tem, e você é um exemplo do que aparenta estar correto. Diga o que sente.

- Sinto ele a sorrir, como se igualmente lembrasse desse dia.

- O que mais? - insistiu.

- Espere, vejo um prédio, de concreto onde um alto muro tem apenas uma janela, e Sven as vezes pode ficar um pouco lá.

Naquele momento Dax olhou para o vidro daquele lado, que parecia ser um espelho e acenou levemente com a cabeça como em desafio a Rolf que estava do outro lado, como se dissesse “e agora?”

- Você esteve do outro lado do muro quantas vezes? - perguntou Dax.

- Só duas, em Berlin mesmo, mas não sei onde é isso.

- É o departamento de inteligência da RDA, um complexo militar onde acreditamos que ocorra uma extensão do projeto Grill Frame.

 Stephan ficou confuso e perplexo, não sabia o que dizer quando Dax pediu para que continuasse falar sobre o que via do outro lado, e assim fez o jovem Stephan.

- Mais que ver, eu sinto medo, saudades...

- Porque essa “visão” é delineada pelos sentimentos até se tornar imagens, é o processo inverso de se ver com os olhos. - disse Dax. - Você está vendo por dentro, de dentro pra fora.

- Espere, há uma mulher, uma loira muito branca vestindo um suéter negro, ela frequentemente interroga Sven. Ele chora. Ela parece rude, implacável com ele, quer algo dele.

Naquele momento a porta se abriu com Rolf pálido e sem graça, e em seguida lhe entrega uma foto. Dax a pega e então olha para ela sorrindo e em seguida vira para ele e diz.

- É ela?
 
- Sim! - Stephan ficou chocado consigo mesmo. - Acho que se chama Anne...

- Na verdade Annette Kimberley, uma alemã naturalizada norte-americana. Uma agente da inteligência que aposta na ciência marginal para seus fins. - falou Dax olhando novamente para o espelho sorrindo. - Ela é conhecida por ser muito má com suas vítimas e há boatos de que é agente dupla.

- Sinto medo. É muito turvo. - continuou Stephan - é como se tivesse voltando pra mim, como se soubesse que estou vendo e me vissem de volta.

- Como olhar ao abismo e ele olhar de volta pra você. A energia negativa dificulta que consiga sentir algo, mas é justamente no vazio que podemos ouvir o eco. - falou Dax escrevendo no papel e em seguida estendeu a mão novamente a ele - Pronto, me dê de volta o avião. Acho que isso é o suficiente por hora. Certos sentimentos atravessam a metafísica ao espiritual, por isso qualquer coisa que ligue mais ao mundano como maus sentimentos atrapalha tal conexão. Objetos e memórias podem ser condutos a estes até que energias negativas o afetem.
 
Dax se levantou e assim antes que se dirigisse a porta ela se abriu, havia um homem da RFA monitorando o teste com eles, Dax contorceu levemente o rosto e respirou fundo como se tivesse que enfrentar algo que não queria e foi ter com ele. Naquele momento entrou Rolf com uma cara de assustado e chegando perto de Stephan disse.

- Somente existem dois tipos, os mágicos e os cientistas, vou descobrir como você faz isto! - disse ele baixinho ao pé de seu ouvido quando Dax retornou e o interrompendo disse.
 
- Ele é um Corvo Branco. A ilusão é o segredo, o milagre a revelação. Não consegue ver isso?

Antes Rolf se levantando olhou sério para Dax enquanto outro homem entrava na sala e disse.

- Você está se induzindo a acreditar nisso, e sabes perfeitamente que sim.

Sir Dax von Mueller, não tinha isso por principal preocupação, mas no fato de que o governo já estava encima deles ao saber que estavam com Stephan naquele lugar, e por isso havia enviado aquele homem, afim de acompanhar a tudo ali ocorrido e fazer um relatório antes de pensarem em usa-lo para tentar ter informações sobre o outro lado. Dax temia que ele fosse descartável aqueles homens tal como os piscotrônicos eram pelo Grill Frame. De certo haviam vários tipos de habilidades mentas que se acreditava haver, mesmo que até então todas elas fossem apenas conhecidas por lendas remotas de um passado distante. Haviam os que liam mente, os que projetavam sua mente a outros lugares como a utilizada pela visão remota, os que projetavam sua mente ao futuro em vidência ainda que fragmentada, porém, poucos que comprovadamente o tinham ainda que dissessem que Edgar Crayne e Patrick Price o fossem. Não obstante, tal caso era considerado tão importante que segundo informações Sven estaria nas mãos projeto de Scanate da CIA na RDA o que havia feito com que a própria URSS enviasse aquele homem da KGB ao pais para acompanhar todo processo, um russo de quase dois metros com o cabelo loiro e de aparência igualmente rude.

Porém, Rolf insistia a autoridade russa que Stephan não era um sensitivo, mas sim algum tipo de aventureiro que como adivinho usava da leitura fria para falar o que falava. Leitura fria é quando uma pessoa faz de tudo para obter informações, quer revirando o lixo ou até mesmo lendo gestos de quem assim se pretensionava falar. Porém, não era isso que demonstrava o teste.
 
No fundo sabia que se os poderes de Stephan se confirmassem o jovem poderia ser levado até mesmo para Saratov, uma base secreta da União Soviética, o que naturalmente ninguém queria, pois não havia notícia de civis irem até lá e voltarem vivos. Todavia com ele trouxeram um homem de outro lugar da Europa onde o currículo nebuloso pouco se permitia saber sobre ele. Seu nome era Robert Avila, um calvo magro que e era uma suposta autoridade quando o assunto era poderes extra-sensoriais, assumindo a posição de treinador de tais habilidades ainda que fosse pego falando coisas como no futuro haver alguém cujo poder seria a soma de todos poderes mentais e extra-sensoriais, alguém que ele dizia poder ser capaz até mesmo de pressentir terremotos numa capacidade de antecipar até mesmo movimentos.

- Olá, sou Robert Avila, vim aqui para acompanhar os avanços no projeto e procurar meios de canalizar seu poder. - falou o homem apertando sua mão - sou contratado pela URSS para serviços pouco convencionais. Me perdoe meu amigo e companheiro, ele mete medo, mas por fim não é tão mau quanto aparenta.

O homem que se referia Robert era o russo cujo nome era Ygor, que parecia imóvel com os braços cruzados na porta de saída daquela sala de testes.

- Vocês tem feito história. - disse Robert agora quase sussurrando - se o mundo pudesse ver o que se tem descoberto aqui, isso mudaria tudo. Mês passado o experimento realizado aqui estudou as reações das pessoas a imagens diversas que eram registradas quando notou-se que tais reações muitas vezes vinham de modo variável antecipadamente a imagem. Isso é fascinante, e muda tudo! Todos tem um lado sensitivo adormecido.

O Misterioso e exótico Robert Avila iria conduzir o jovem Stephan ao caminho do autodescobrimento, treinar suas habilidades para somente então descobrir seu destino na mão daqueles homens. Assim naquele dia Stephan fora liberado ainda que sentia que ao ir para casa estivesse por vezes sendo seguido, e da janela de seu quarto a noite visse eventuais sombras compridas paradas como se alguém estivesse a espreita para vigia-lo em segredo, o que não sabia se era para sua segurança ou o contrário. Quando deitou-se para dormir num breve momento do fechar dos olhos com um sono leve viu uns flashes daquela loira esquisita e sufocadora o assustando e o despertando novamente como quem caísse num abismo, ainda que distante do estágio REM do sono. Ele olhou para a mesa onde haviam papéis e leu uns versos que ele mesmo escreveu ainda que não se lembrasse.

"Canhões apontados, verbos afiados, poetas desalmados

Em meio a insanidade deste mundo não vale uma canção

palavras impressas ao vento pelo tempo...

Procuro palavras que toquem o sentido perdido, mas não por emoção

pois os sentimentos é que evocam a canção,

canção para todos cantar, pois Deus é a melodia perdida, diz sem falar

e as mazelas, violência e doenças seu desafinar


Sentido de perdido de palavras inexprimíveis

Mas que pela percepção dá a direção, o rumo, a noção

verbos e versos, um pouco perversos brigam por esta canção

Deus não me ensinou a morrer num mundo onde a loucura é razão

Mas o sentido perdido quando sentido aponta a direção que ninguém não há de apontar"

No dia seguinte estranhamente Sven não se lembrava do que havia acontecido no dia anterior permanecendo um espaço vago em suas memórias, mas ainda assim fora para o treinamento. Estava Robert sentando num sofá do corredor aguardando a chegada de Stephan e cochilando quase se assustou com sua chegada. Os dois então seguiram até uma sala sem quaisquer janelas onde havia uma estante com vários objetos, de brinquedos a estatuetas e assim Robert falou.
- Quero que olhe fixamente para um dos objetos, mas se concentre na visão periférica do que está focado. Muitas das grandes descobertas são feitas a periferia do foco central do estudo.
 
- Porque? - se indagou Stephan.

- O olho humano tem pontos cegos cuja imagem periférica é reconstruída pelo cérebro com a ajuda do outro olho. O que acredito ser a fronteira do sexto sentido, algo que incentiva a criação do restante da imagem mentalmente e de modo involuntário, isso levaram em alguns casos a resultados surpreendentes. Da onde você acha que vê coisas esquisitas no escuro?

- Criação de minha mente, apenas isso. - disse Stephan.

- Não quando responde as perguntas, meu jovem.  Agora se focalize e procure lembrar de seu irmão.

Stephan então olhou para um relógio com uma rosa dos ventos e assim o fez, porém, em sua mente as imagens pareciam se embaralhar, e ele disse.

- Não consigo!
 
- Como não? Se passarinho fosse feito pra gaiola, Deus não o teria feito com asas. Liberte sua mente e seu dom!

- Se é espiritualmente que você quer, porque por meio de objetos físicos?

- Espiritualidade é essencialmente sentir, ainda que relacionado a algo material como mero conduto, o objeto é imóvel e nada faz por si só, poder algum tem, mas você pode transpassa-lo mentalmente, por ele e através dele, então o objeto pode ser algo mais.  Use o sentimento com seu irmão. A consciência e a inteligência oscilam de acordo com estados mentais e emocionais. O amor é um destes sentimentos que embotam as faculdades mentais quando não submetidos, pois quando canalizados podem superar expectativas. Coloque diante do limiar de uma ciência desconhecida, pois assim sinto que somos precursores dela!

Stephan concentrou-se mais e assim permaneceu por longos minutos em silêncio tentando ouvir apenas seus sentimentos através daquilo quando viu as imagens repentinamente se embaralharem por toda visão periférica de sua vista como se os objetos tivessem ganhado vida, eram 15:10. Stephan então olhou diretamente para o mesmo e viu que o objeto na realidade estava lá, imóvel. Ficou perplexo e insistiu quando repentinamente ele parecia sentir ecoar seu sentimento de volta do objeto como se tivesse rebatido dele assim começou a ver sobre Sven com uma certeza de que estava vivo, pois assim o sentia através do tempo como se o tempo fluísse por ele tal como um  manancial!
 
Stephan sorriu suavemente, mas o suficiente para chamar atenção de Robert que a essa altura observado por Sir Dax através do espelho de observação, ainda que Stephan tivesse transpassado outro espelho, o para o outro lado daquele pais cuja fronteira era o muro da divisão. Assim Stephan viu através deles não como se sua consciência saltasse pelo espaço, mas pelo tempo pudesse “ver” através de seu irmão vivendo numa democracia que em suas entranhas eram tão vis quanto o regime que combatia, pois Sven não provava da democracia em detrimento dos anseios de homens inescrupulosos.

- Sinto como se o tempo fluísse através de mim, transcende o material inerente ao espacial e sinto o destino que o sentido pelo qual ele transcorre. Ele estranhamente está a favor de você Robert. - disse Stephan.

- Continue - disse Robert curioso. - Fale mais, deixe que essa manancial saia por sua boca.

- Há uma relação não desperta entre você e o tempo como quase cúmplices, através do destino. Seus antepassados penaram para deixar onde você está, duras penas  que fluem o contrário ao tempo. Tudo pelo futuro que você trará com seus descendentes.

- Consegue ver o futuro? - perguntou Robert olhando concentrado diante daquilo.

- Ver o futuro basta girar alguns graus no tempo, é como navegar na tormenta, sempre é turbulento com nossa passagem, mas não para isso que vejo com incomum nitidez. - falou ele quando repentinamente olhou para os lados e se movendo disse - Perdi a conexão com o futuro. É como um dom nebuloso, pois o futuro são como nevoas oscilantes as escolhas do presente, não se pode ver detalhes apenas partes de um todo. Porém - continuou ele após fazer uma breve pausa e virando-se para Robert - algo parecia ser preciso e incisivo quando a você amarrando-se por um breve momento a meu destino, porquanto um ponto fixo enxergou-se ao futuro como a ser atingido como a um alvo. No final sorria Sven.

- A mera intencionalidade cria ressonâncias temporais no metaverso. Por isso o sensitivo tem o poder de desvendar nebulosamente apenas situações e atos, nunca fatos. Não se permitiria furtar do próprio tempo mesmo que seja o âmago dos trapaceiros mesmo. - pensou Robert consigo mesmo ainda que não compreendesse exatamente o que queria dizer Stephan.

- Culpo é o espaço pela distância em te ver, pois o tempo só provou querer te encontrar meu irmão! - falou Stephan de modo introspectivo, olhando para o vazio.

Assim seguiu-se por vários dias de modo que Robert conseguiu ter enormes avanços com informações sobre a RDA para aquele armário Russo assim compara a RFA, ainda que houvesse algo errado entre eles que Stephan não sabia identificar o que, algumas informações pareciam ser vistas deliberadamente por ele, como se algo quisesse transmiti-las a ele.

- O que você viu fora o infinito. O infinito não se mede, se sente, o único modo de conhece-lo é viajando por ele. Singularidades nas mentes para entender o infinito, a força que vara o universo. Quando se cruza esta fronteira é que conheceremos o verdadeiro poder da mente. - falou Robert Avila naquele momento.

- Acha que sou uma ferramenta? - indagou Stephan

- Isso depende de quem usa quem. - respondeu Robert sorrindo. - E curiosamente os manipuladores são os que mais podem ser manipulados. - concluiu olhando para a porta onde estava Ygor parado olhando para o outro lado.

- Como poderei salvar meu irmão? - perguntou Stephan quando repentinamente sentiu uma fisgada num dos braços.                 Aquilo o fez se contorcer de dor colocando a mão do outro braço sobre o lugar da dor e chamando a atenção de Robert.

- O que houve?- perguntou ele a Stephan.

- Sinto medo e dor, como se tivessem me ferindo, sinto o mal! - falou ele.

- Talvez com seu dom de ligação com seu irmão indique que ele pode estar sendo torturado neste momento.

Naquele momento o prédio todo fechado com uma única janela, num das salas daquela masmorra estava Annette com um alicate e após tirar uma das unhas de Sven e dar-lhe choque no braço, exatamente onde Stephan sentia dor a mulher insistia na tortura covardemente e dizia.

- Você vai descobrir a verdadeira dimensão da dor senão revelar todos os segredos que quero! Você é meu e faço o que quiser com você!

- O que que eu fiz pra merecer isso! Estamos numa democracia, tenho direitos! - retrucou Sven em desespero.

- A democracia são para pessoas, não para meus bichos!

Sven fora deixando por Annette. Exausto pela forma como era tratado e submetido diariamente, não obstante a humilhação constante, era monitorado dia após dia pelo fato de Annette e aquele homem que o raptou anos atrás acreditarem que até mesmo o que dizia ou o que movia tinham significados subjetivos e ocultos, tornando-o cativo de absurdos apenas pertinentes aos tipos mais baixos de crendice e superstição, muitas vezes usando tais argumentos esdrúxulos contra ele como se ele fosse culpado por algo que se quer deu conta de ter feito.

Porém, ainda que sem saber, ele começou a mexer numa estante repleta de objetos similar a deixada para Stephan treinar no lado ocidental, e lá igualmente um relógio com uma rosa dos ventos havia o chamando a atenção por instantes relacionados com o que seu irmão congênito o fez. Assim ele o pegou e movendo o ponteiro para trás parou exatamente no momento em que o irmão Stephan submergiu em seus sentidos perdidos através dos tempos, as 15:10.

Sven viu imagens do lugar onde estava o irmão que se comovia com o que ele sentia, passou sua outra mão sobre o dedo ferido e silenciosamente chorou quando percebeu que o que ele sentia era igualmente sentido por Stephan num comportamento espelhado sem que soubesse. Todavia Sven tinha algo em mente que não disse nem revelou a ninguém, mas que apenas se poderia sentir por um sensitivo de igual quilate.

- Acreditamos que vocês tem o que acredito de comportamento espelhado – disse Robert colocando as mãos sobre o ombro de Stephan – vocês fazem coisas parecidas se completando ou opostas, como se vocês estivessem ligados metafisicamente pela alma, juntos de alguma forma vocês são capazes de transpassar o tempo. Quem viaja pelo espaço vê o agora ante o passado, quem viaja pelo tempo vê o futuro pela eternidade.

- Me sinto horrível por sentir tanta dor. – disse Stephan olhando para baixo – sinto a essência do mal a exalar o que lhe é próprio como se fosse o inferno.

- Se a dor tivesse algo a nos ensinar, ela seria inexequível, porém, esquecemos a dor do qual apenas aprendemos a sobreviver como um mero alarme. A mente normal repudia sofrer violência, sofrimento, a dor. Em caso extremos bloqueia a memória e em outras é lembrada apenas como cicatriz e traumas. Para que sofrer? Isso é ferramenta do mal, pois nós conhecemos o que é recompensa.

- Vou para casa, estou exausto. – disse Stephan dando uma sensação de quem mentia para Robert e querendo cortar o assunto.
 
- Não deixe que o ódio tome seu coração como eles fazem. Os mesmos que condenam as vacas que babam por não saberem cuspir, são os que agem como fossem as leis diferentes em pontos diferentes do mesmo universo, sem saber que são submetidas as mesmas que você, os mesmos que fazem o que fazem com seu irmão.

Stephan Muller não queria conversar, estava introvertido, imergido em seus sentimentos e dores compartilhadas, antes ele saiu e pegando suas coisas passou pela porta de saída do Forschungseinrichtung des Geistesestava, porém ao ir para a casa olhou mais uma vez para o relógio e saiu, fora atravessar a fronteira rumo ao lado ocidental, sem saber que era seguido. Memorizou as descrições da localização onde era a masmorra que fazia a democracia acessível apenas a alguns, deles e para lá seguiu quando já eram 23:23 da noite. Nisso Sven estranhamente sorriu na cela olhando para o mesmo relógio, naquele mesmo horário enquanto a câmera o filmava.

- Deve estar enlouquecendo. Ele é maluco – disse o homem que o sequestrou vendo a câmera sorrindo como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Seu nome era Burkhard Anton, um ex-nazista que apesar de absolvido de crimes de guerra ele incentivou experiências mortais com judeus envolvendo gêmeos. Todavia o interesse dos norte-americanos com o comportamento espelhado refletia a ausência de escrúpulos morais ao absolve-lo pela operação clip de papel, onde sistematicamente tanto a URSS e EUA lutavam para saquear os despojos da guerra criando em fim a divisão entre aquele pais.
 
Sem saber, porém, Stephan, a outra metade daquela alma sofrida estava pelas redondezas observando o movimento da masmorra instaurada na RDA e cujo nome era Centro de Administração de Inteligência. Haviam poucos guardas e um casal que passaram rindo sozinhos enquanto trocavam caricias despreocupadamente numa boa democracia que era para eles, para eles, por estarem completamente alheios o que se passavam naquele prédio.

Dentro dele, no quarto onde estava Sven, ele tirou um clipe que havia dentro do travesseiro quando ao se levantar faltou luz desligando até mesmo o serviço de segurança. Como ele saberia daquilo, quando até mesmo do lado de fora, Stephan ficou assustado ao notar o escuro repentino se espalhar pelas ruas da Berlim Oriental. Sentiu-se porém, seguido mas ainda assim adentrou o prédio após o guarda ir para o outro lado de um corredor que dava a rua. Estranhamente Stephan sentiu que uma cadeia de eventos estava fluindo a seu favor.

- O Tempo está fluindo a meu favor – disse ele consigo mesmo.

Ele então adentrou por onde estava o guarda e passou até quando viu uma porta atrás aberta, visível graças a luz do luar que lá estava como testemunha daquele dia. Adentrou tento em mente apenas o provável mapa do prédio mostrado pelo pessoal da KGB na Forschungseinrichtung des Geistesestava, quando deu de cara com um Annette. Perplexo por ter visto aquele rosto, a mulher, porém disse como se visse um fantasma.

- Sven, o que está fazendo aqui?

Stephan apenas deu um soco na cara dela que caiu xingando algo em alemão bem baixinho fazendo seu cordão com uma caveira entrar na sua boca enquanto ela passava a mão no nariz a notar que ele sangrava.

Naquele instante Sven abria a porta de seu quarto-cela e saia de fininho quando um soldado que estava no final do corredor ouviu os gritos dela dizendo que Sven havia saído do prédio o fazendo descer correndo a escada, na realidade atrás de Stephan, e dando a oportunidade exata para que Sven passasse pelo lugar, chegando ver Annette de costas indo até a sala de monitoramento. Enquanto isso Stephan volta para a rua ainda que estranhamente sentisse que deu espaço para o irmão fugir, a luz retornou naquele momento e o alarme soou. Sem pensar duas vezes Burkhard Anton pegou o rádio e ligou para as autoridades dizendo que um perigoso espião havia fugido dali e dando ordens de atirar para matar. Os homens pararam num caminhão na rua e Sven vendo no quarto de armários uma farda a vestiu e saiu pelos fundos do centro de inteligência como um dos soldados, e naquele momento ele pegou um dos rádios e disse.

- Vi para onde foi Sven. Desceu a rua sentido contrário a fronteira, ele pegou uma arma!

Falou aquilo sabendo que na realidade Stephan estava indo para a fronteira com o oriental retornar ao seu lado do país. Sven ficou estranhamente confiante, tanto que saiu pela rua junto com os outros soldados, mas na primeira oportunidade seguiu o mesmo caminho de seu irmão como se visse pelos seus olhos. Naquele momento ele sorriu e em pensamento disse “Se querem te matar é porque está fazendo o que é certo e incomodando quem erra, como algo tão pequeno pode incomodar tanto? talvez como a pedra no rim do diabo!"

Stephan estranhamente ouviu aquilo em sua mente como se fosse para ele, e ele sorriu igualmente ao verem que os soldados foram para o outro lado que ele ia. Ele chegou a fronteira e mostrou seu passe e documentos quando adentrou o lugar sem quaisquer problemas, quando teve uma ideia de jogar seu passaporte, ao passar de volta ao outro lado, e instantes depois surgiu Sven que tirando o jaleco camuflado o jogou na lata do lixo quando viu o passaporte de seu irmão. Não poderia ser coincidência. A sorte é um coincidência que não julga com igualdade e se quer é fiel. A sorte de alguns muita vezes depende do azar alheio, ou seja, é desigualdade. Podes agraciar um mal ao invés do bom e abandona o seu do mesmo modo que chegou. Já o destino é moral, é fiel. É o destino quem faz o vidente, e a coincidência o mágico.

Porém, ao passar na guarita e um soldado pedir para revista-lo o vez, mas ao ver o documento ficou confuso pois havia passado um jovem idêntico a ele naquele instante. Ele coçou a vista e olhou outra vez para a foto e para o rosto sorridente de Sven, resmungou alguma coisa e foi falar com o superior.

- Tenho certeza que esse homem já passou aqui a agora pouco! – disse ele ao superior.
 
O homem se dirigiu a cabine e olhou para o rosto de Sven e a foto de Stephan, coçou a cabeça e em seguida virou-se para o soldado e disse.

- Quantas horas você está trabalhando? Você deve estar cansado para ver de javu.

- Estou a oito horas. – disse o homem sério enquanto o superior reprovava com a cabeça.

- Vá para casa – respondeu ele e em seguida consentiu com a cabeça para Sven passar.

Sven passou triunfante pelo portão ao lado ocidental quando deu de cara com um homem enorme e loiro, era Ygor. Sem saber porque este colocou suas mãos grossas sobre o ombro de Sven e disse em alemão com forte sotaque russo.
 
- Você tem muitas explicações a dar sobre o que está fazendo essa hora da noite Stephan, venha comigo agora!         

Sven ficou confuso e tentou dizer que que não era Stephan, mas ao pegar o documento dele no bolso viu o nome Stephan. Naquilo, Stephan parou na esquina e observou o que acontecia, seus problemas estavam apenas começando, pois de algum modo Stephan sentiu que não deveria se aproximar. Ao chegar em casa Stephan ligou para Sir Dax von Mueller que ficou perplexo, naquele instante o Forschungseinrichtung des Geistesestava estava sendo usado como base de interrogatório para Sven como se fosse Stephan, porém, estranhamente Sven dizia coisas coerentes com o que fazia ali seu irmão deixando os homens tão confusos quanto cegos em tiroteio. Mas havia algo errado.

Stephan foi pegar suas coisas para ir até a Forschungseinrichtung des Geistesestava quando ao abrir a porta Annette estava escondida lhe aguardando com um sorriso mórbido.

- Não esperava que fosse fugir assim Sven! – disse ela empunhando uma arma – Como não sabes tenho contatos na RFA.

- Você é agente dupla. – disse ele ao ver seu pai rendido por outro homem

– Sabemos que com seus poderes tem contatado seu irmão e assim soube que ele mora aqui. Venha, vai ter que dizer onde está seu irmão. – completou a mulher que apesar de loira era muito feia, semelhante a uma bruxa. – Você vai ter que me explicar como sabia do blackout. Não gosto quando meu cachorrinho foge.

Enquanto descia Stephan pensou sobre a Forschungseinrichtung des Geistesestava, mas não sabia se os pensamentos vinham dele como uma imaginação ou se eram o que o seu irmão Sven passava naquele lugar como se fosse Stephan numa incomum inversão de papéis, quando naquele momento Ygor largou o interrogatório de Sven para atender uma ligação e saindo em seguida. Ao sair do prédio viu a porta de um carro vinho abrir a porta com um homem dentro, era Burkhard Anton com uma cara de invocado. Stephan fez que ia entrar, porém, reconhecendo o rosto por visões deu um empurrão em Annette e saiu correndo quando um soldado da RFA virou a esquina e ele gritou para ele sobre espiões orientais no lado ocidental. O soldado sacou sua arma para atirar e tentar render os homens do carro quando fora alvejado por alguém pelas costas, Ygor.

Stephan ao ver aquela cena se assustou de tal modo que ficando confuso, ouviu apenas seu pai gritar no fundo para ele correr, Ygor aparentemente também era agente duplo! Sabendo que estavam seriamente comprometidos pois assim como não sabiam mais quem era Sven e Stephan, e os gêmeos não sabiam quem eram os agentes com que lidavam, se eram espiões comprados pelo lado ocidental ou pelo lado oriental da Alemanha.

Assim Stephan seguiu para a Forschungseinrichtung des Geistesestava ainda que sabendo estar sendo seguido, Annette agora queria mais Sven por saber de segredos, mas Stephan tinha esperança de que juntos seu poder pudesse ser potencializado sem vazamentos como ocorria com Sven. Porém, aqueles homens não poderia chamar atenção como já estavam fazendo aquela hora da madrugada pois já eram 0:46. Assim Stephan caminhou passando pelos lugares onde haviam mais soldados o possível vendo apenas do outro lado Annette e Ygor caminhado tentando se aproximar com sorrisos cínicos.

Mas ele adentrou a Forschungseinrichtung des Geistesestava mesmo sabendo que lá também iriam, mas não sem antes ele resolver falar com um soldado sobre o que acontecia e aproveitando que iam na direção de Annette se aproximar da fachada do centro onde estava Dax.

Passou-se então 10 minutos enquanto Ygor discutia com os soldados mostrando os documentos quando um homem chegou e ela alegou que era agente dupla deles, estava infiltrada na RDA, e já que Ygor como autoridade Russa – tendo as costas quentes de um diplomata – foram até a Forschungseinrichtung des Geistesestava sob a acusação de que eles eram fugitivos perigosos e que haviam matado um soldado perto da casa de Stephan!

Ao entrar viram Sven amarrado sob o olhar de Dax que de braços cruzados olhava preocupado, porém, os soldados não estava lá.

- Diga quem é você afinal, Sven ou Stephan? – disse Annette diante dos soldados da RFA. – Onde está seu irmão e os soldados?

Ele apenas sorriu e sem qualquer resposta olhou de volta para frente quando fora esbofeteado por Annette, naquilo ouviram um clique de arma falando para todos se renderem.

- Eu sou Sven. – disse o jovem armado atrás deles – larguem as armas.

Os dois haviam trocado de lugar afinal o jovem armado estava com o dedo ferido, sem unha. E assim Stephan tirou as amarras sob os olhares de Dax que apenas sorriu.


- Você julga pela aparência. – disse Sven armado.

- Mas está errada. – disse Stephan – nada é o que parece, assim como você.

- Pois juntos... – falou Sven.

- ...Podemos ver mais longe! – completou Stephan e Sven sorrindo.

- Enquanto vocês procuravam por Stephan pensando ser eu, deram margem para mim fugir eu despachei um documento que peguei quando sai daquela masmorra e coloquei no correio, um inclusive para a RFA sobre seus segredos que guardava até mesmo daqueles que diz trabalhar secretamente.

- Isso é um blefe! – disse ela.

- Naturalmente seria não fosse aquele telefone tocar dentro de 3 minutos pedindo satisfações sobre você ter passado informações sobre a segurança da RFA, sem permissão. – disse Stephan completando o que Sven disse.

Naquele instante Annette gelou afinal estava no lado da RFA quando ouviram um barulho eram mais soldados que imediatamente renderam os dois gêmeos que sem saída entregaram as armas.

- Agora vamos ver quem manda aqui! – disse Annette com um sorriso sádico, porém quando iam amarrando eles o telefone tocou chamando a atenção de Rolf que lá estava e fazendo todos olharem para ela.

Dax com sua bengala e se moveu em direção ao telefone e o atendeu, e quando ouviu a voz de um comandante da RFA ele olhou para ela e o passou o telefone quando Sven olhou para trás sorrindo.

- Senhor... sim... compreendo. É um apenas um mal entendido, eu posso explicar – disse ela ao telefone. – Sim, senhor – completou ela ficando agora pálida quando outro homem ao telefone ouviu aquilo e a rendeu.

- Você está presa. – disse ele.

Ygor porém permaneceu de braços cruzado quando o outro homem falou o mesmo para ele.

- Lamento, mas os documentos mostravam contato dela com você.

- O Consul vai adorar saber disso – disse o homem.

Naturalmente que a noite fora longa para todos presentes, porém, com os documentos pouco havia a ser refutado a não ser agradecer Sven pelo documento ainda que jamais fosse explicado o porque dele conseguir fugir como fugiu e assim como seu dom perturbador em conjunto com seu irmão conseguir descobrir tanta coisa junta. O fato é que os dois juntos ao se aproximarem conseguiram com seu poder fazer a energia cair enquanto com sua vidência mesmo Sven saiba já quem era Annette e Ygor e prevendo que seu irmão lá iria naquela noite deliberadamente permitiu que ele visse todas aquelas coisas durante o treinamento com Robert. Sobretudo Sven, através de Stephan havia aprendido a distância truques de mágica e ilusionismo ensinados por Sir Dax enquanto seu irmão estava treinando, pois na realidade nos momentos em que Stephan não lembrava o que acontecia era pelo fato de Sven transferir sua mente ao consciente do irmão pesquisando tudo a seu redor para tentar libertar-se da masmorra da RDA e mesmo induzindo os sentimentos do irmão a dar oportunidade dele fugir naquela noite usando os truques de mágica que descobrira com Dax. Assim os dois encontraram seu pai no dia seguinte e juntos choraram pois voltaram a ser uma família ainda que sob um regime rigoroso, mas que secretamente os dois exercitavam seus dons para tentar induzir acontecimentos que levassem a queda do muro de Berlim como ocorreu em 1989.

Na realidade as relações em algum grau variável são reflexos, a própria ação e reação são reflexos, assim como instintos primitivos. É na antecipação destes reflexos que consiste em parte a vidência percussora da evidência, deste modo conseguiram condenar Annette e Ygor por seus crimes ainda que num plano feito exclusivamente pelo seu irmão mais poderoso Sven.

Assim existem entre o incógnito os cientistas e mágicos, os que enganam e os enganados, há aqueles que vivem da ilusão e dos que vivem de ser iludidos. Porém, mais eventualmente existe o sobrenatural, algo que rompe a nevoa espessa das leis que a todos submetem a elevar a alma do homem a fronteira das singularidades que é o impossível, algo que manifestou aqueles gêmeos que juntos se tornaram completos em seus poderes tornando Rolf um crédulo com Sir Dax. Assim mesmo os enganadores se confundiram e em seus próprios engodos se enganaram, como os maus com o entendimento obscurecidos pela raiva e ganância, vendo apenas a própria vontade mesmo.

Gerson Avillez



Homo Kaber Viven, natural do Rio de Janeiro. Hominídeo bípede de hábitos onívoros, hetero e 'urbanus' por necessidade. A pedra no rim do capeta, o dragão na garagem de alguns, a pulga atrás da orelha de Nietzsche, o calo nos pés do mau vidente. Autor de livros originais, criador de histórias complexas e pioneiro descobridor de teorias filosófico-científicas. Antecipou teorias como a do universo esférico, e misturou filosofia as suas teorias científicas chegando a ser reconhecido pela USP.  


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