Café Literário: Temporal Twilinght Zone


"O Pecado primeiro atrai, depois trai, mata."
Thomas Watson

Passaram-se 6 anos desde que um incidente ocorrido com a nave de expedição Apocon acabou atravessada no primeiro anel de produção de wormhole interespacial. Desde então, uma investigação ostensiva foi realizada a fim de apurar o que ocorreu, mas em vão. Ainda hoje quando as viagens orbitais saem a vislumbrar o bizarro museu orbitante que se tornou à metade permanecente da nave Apocon chama atenção pela grandiosidade do incidente. O anel permaneceu desativado desde então, onde constantes oscilações de taquions de modo crescente se revelaram como uma das possíveis causas do incidente interrompendo o lançamento apenas com a metade da nave atravessada.

Ao se caminhar por dentro da metade restante da nave Apocon pelo próprio que inspirou o nome e desenhou seu conceito, o silêncio proporcionado pela ausência de gravidade fazendo com que seus objetos inclusive pessoais daqueles que foram levados na metade restante pareciam persistir como quimeras fantasmagóricas do que lhes ocorreram desde então. Para onde foram? Estariam eles vivos ainda? Mediante a relatividade mesmo com anos passados poderiam eles ter transcorrido apenas alguns dias ou meras horas onde quer que estivessem.

No laboratório cálculos foram feitos e refeitos, a tecnologia reavaliada a procurar a falha, o erro, mas em vão, não pareciam haver erros nas concepções tecnológicas, mas sim em fatores externos desconhecidos que puderam não somente oscilar o portal como aparentemente desviá-lo. Foi quando finalmente se decidiu sob muito temor reiniciar o experimento e lançar um novo astronauta através destes, desta vez numa nave modesta de dimensões menores e com menos pessoal, na realidade apenas um a se voluntariar para este teste. O primeiro a se candidatar foi o carreirista e entusiasta Edwin Sagan junto a outro cientistas brasileiro e piloto civil experimentado, Daniel Machado. Edwin Sagan muito interessado em apenas colher os louros da fama proporcionados por atos de heroísmos científicos definitivamente era um poser vaidoso que amava aparecer nos show bizz e em entrevistas sempre cercado de mulheres lindas se promovendo e sempre com um pente a tira colo com seu cabelo engomado e seu uniforme ultra-alinhado. Enquanto Daniel enfurnado em roupas mais simples quando não passava horas no vôo comercial se dedicava agora ao incidente ocorrido há seis anos e do qual seu conhecimento se tornou imprescindível para a missão. Mas Edwin Sagan muito influente em festas da alta sociedade obviamente igualmente influiu na decisão dando-se um jeito de ser colocado ao lado de Daniel Machado na missão, onde parecia na realidade mal esperar por retornar da missão com fotos e ser recebido aclamadamente por multidões nas ruas como os primeiros homens a pisar na lua. Não se tratava para ele de ciência no sentido estrito, mas uma catarse pessoal do qual as consequências dos bons frutos eram primordiais ao próprio ato do descobrir em si, mesmo que com tanta vaidade egocêntrica parecia simplesmente ignorar que algo novamente poderia dar errado e jamais retornar pelo portal do wormhole.

Mas tão longo uma nova legião de extremistas ainda persistentes neste tempo se formou a proferir pseudoprofecias numa simbiose patética de ciência com religião, como se aquele portal os levassem ou para o inferno ou paraíso. Mas pouco se deu importância para estes grupos mais interessados em criar e patrocinar incidentes do que em pregar alguma verdade verdadeiramente palpável de modo conclusivo, e o dia do lançamento monitorado por todos os canais em rede internacional promoviam com imagens e simulações holográficas o funcionamento do anel onde utilizando-se das mesmas coodernadas muitos especulavam o que poderiam encontrar do outro lado. Lá dentro da nave Edwin e Daniel em seus assentos com seus cintos para que não flutuassem, pois sua nave não tinha suporte para gravidade artificial assistiam pelo monitor a base em constante contato com eles a espera do lançamento.

Finalmente a energia necessária para abrir-se o wormhole ativou este lançando um emaranhado similar a filamentos de energia que provocaram interferência nas transmissões globais.

- Portal estabilizado! – falou um destes na base orbitante do anel olhando para as leituras do monitor sob o olhar atento do próprio Apocon Keystone. – Seguindo para a próxima fase de lançamento.

- Afirmativo! Prontos estamos. – respondeu Daniel com seriedade enquanto Edwin Sagan mascava chiclete tentando transparecer calma. – Ativando a propulsão de plasma e as hélices de captação solar.

Pessoas em diversos locais do mundo assistiam nas ruas e mesmo em frente à base por geradores aéreos como sofisticados dirigíveis que flutuavam lentamente enquanto festim e confete eram jogados do alto de prédios num evento que parecia ser maior que do projeto Apollo de décadas e décadas atrás. Apocon, muito ansioso por temer pelo sucesso ou fracasso da missão que poderia custar à vida dos dois tripulantes e assim selar o destino do projeto espacial por longas décadas caminhava lentamente com as mãos para trás respirando ofegante.

- Desatracação efetuada! – falou um dos operadores da missão.

A nave soltou-se lentamente da base orbitante flutuando no espaço tendo como fundo o azul magnífico da terra enquanto uma pequena nave de jornalismo passava próximo a eles filmando cada metro percorrido do espaço orbintante quando cruzou a frente dos destroços da antiga Apocon flutuando atracada do outro lado da estação orbital num curioso contraste que parecia servir de aviso ao incidente anterior. O portal, enquanto isso lançava crepitações que pareciam brilhar mesmo estabilizado lançando luzes e energia do outro lado onde quer que fosse.

Enquanto isto, o pessoal da base analisa os sinais recebidos a fim de cruzar dados na tentativa de tentar identificar de onde no espaço vinham tais sinais, mas em vão, uma vez reconhecendo o atraso dos sinais siderais captados de anos, séculos, e mesmo milhões de anos mesmo que pelos cálculos pudessem indicar ser em proximidade ao centro da galáxia.

Afinal as conceituais de janelas temporais sempre foram afirmativas corretas desde a relatividade de Einstein, de modo que se dariam apenas ao observador uma visão não de variável interativa, mas de impressão temporal do passado, ao passo que o primeiro passo foi à criação de elementos que se utilizavam de uma partícula em particular a interagir com grávitons de modo entrópico e uma das presentes no suposto da energia escura, este funcionava como um espelho similarmente as observações anos luz, mas como um telescópio que direcionado foi capaz de dar os primeiros vislumbres investigativos do passado em suas impressões mediante o modo de seu posicionamento e grau. Deste experimento surgiu as janelas temporais de observação não-interativa assim como a matéria espelhada, onde o próximo passo agora, era definir através da configuração estabilizado sob o domínio do wormhole um parâmetro de espaço e tempo para que se dirigissem e cuja repercussão, se estivessem corretos, dariam os primeiros sinais pelo espelho observador por se derivar a um passado possível.

Lá dentro do suttle da expedição Edwin parecia demonstrar estar se divertindo com aquilo com uma tranqüilidade quase irritando ao pessoal da base, que aos que não se concentravam na monitoração quase brigavam entre si por cálculos que determinasse a precisão e não falha do mesmo, mesmo que nenhum computador ou equação seja capaz de calcular com precisão determinados valores quânticos como previsões, ele consegue calcular variáveis séculos posteriores, como se tivesse sofrido da Narcose Temporal dos experimentos não menos aclamados de viagens temporais terrenas. Falavam sem parar em discussões intercaladas por momentos de silêncio das vozes dos operadores lá no centro de operações.

A nave se aproximou da abertura modificando os sinais e a intercalação de crepitações que emanavam do mesmo como primeiros sinais de interação quando finalmente a ponta do suttle tocou e começou a submergir neste enquanto o pessoal da base assistiam transpirando a perda do sinal de seus dois tripulantes ao desaparecimento diante de seus olhos daquele milagre da ciência inquestionável. O suttle atravessou por completo! – gritou um dos operadores, fizemos com sucesso!

Aplausos tomaram o local, e na terra confete e gritos de comemoração como se a missão já tivesse concluída soaram orquestradamente.

Mas no suttle onde saiu este o silêncio contrastou completamente o ruído provocado por milhões de vozes de seu pequeno mundo natal tão famigerado por misérias de antes. Apenas um baixo e intermitente ruído do motor de plasma de quase moto-perpetuo parecia ser o único sinal coerente do funcionamento da nave enquanto toda o tempo transcorrido da missão era calculado, monitorado e gravado para estudo posterior. Imediatamente se focando na missão Daniel tratou de tentar reconhecer qual lugar do espaço e do tempo estavam, e ativando o sensor de busca que procuravam sinais da outra metade da nave Apocon lançados em caso de emergência foram iniciados sem qualquer resultado positivo. A propulsão do suttle foi ao limite percorrendo a uma velocidade notável com o empuxo proporcionado pela saída do wormhole que surgiu como do nada naquele ponto do espaço e do tempo se não como uma explosão de energia e materialização sem concausa aparente.

O lugar era de um esplendor singular, ao fundo uma densa nuvem de nebulosa se formava com cores entre o azul e amarelo revelando sistemas triplos de estrelas onde um sinal forte de emanação de energia foi captado do outro lado. Nesta uma enorme estrela nêutrons irradiava um clamor de luzes em profusão jamais vistas em tal proximidade a meros mortais como aqueles dois homens. Mesmo Edwin Sagan parecia esquecer o egocentrismo vaidoso e permaneceu inerte sem tocar seu engomado cabelo como se encantado pelo brilho singular daquela estrela fosse hipnotizado. Daniel olhando não menos fascinado intercalava seus olhares as leituras bastante incomuns daquela estrela quando descobriu se tratar na verdade de um sistema tento a seu entorno dois grandes planetas e um menor do qual a conjunção se adequava perfeitamente as condições suportáveis de vida terrena.

- Fantástico! – exclamou Edwin Sagan, olhando para a câmera num despertar para sua própria vaidade ainda que dividida entre a eloqüência legitima daquele vislumbre. – Aparentemente estamos num sistema singular cujo panorama coloca no chinelo nossa vista estelar pela janela espacial da terra. Mas ainda não identificamos o local, muito menos constatamos se aqui se encontra presente a nave Apocon lançada há seis anos.

- Espere! Estou captando sinais e leituras que indicam padrões de comunicação por vida inteligente. – falou Daniel. – Porém, não se enquadra com os sinais emitidos pela Apocon.

A nave corrigiu o percurso inclinando-se em direção aos planetas por crerem que os sinais vinham inicialmente de lá. Passou-se então longos minutos para que novas leituras fossem recebidas a indicar que suas conjecturas aparentemente estavam corretas. Logo o planeta cresceu diante de seus olhos e o sinal se amplificou quando notaram que este estava entregue a um grande evento climático em sua superfície, um furacão similar ao de Júpiter o consumia aparentemente por séculos.

- Considero um pouco remoto a incidência de vida inteligente neste planeta, a salvo que se tenha condições tecnológicas mininamente suportáveis – divagou Daniel quase consigo próprio.

Mas rapidamente ele mudou de opinião ao notar um objeto em sua órbita.

- O que é isto? Um satélite artificial? Façamos leituras!

- Aparentemente este é o responsável por enviar os sinais Daniel – respondeu Edwin.

- Alterar novamente curso em direção a este artefato. – prosseguiu Daniel enquanto ele mesmo realizava o procedimento – levaremos algumas horas até ter respostas para isto.

De fato o tempo do percurso mesmo sobre alta propulsão permitiu que apenas após um longo periodo, mas não tão longo para ser meses, os levassem a se aproximar do local quando finalmente conseguiram vislumbrar uma imagem do artefato e fotografa-lo verdadeiramente como algo artificial produzido por algum tipo de civilização sofisticada o suficiente para isto. O objeto fazia correções esporiaticas para que não caíssem em órbita daquele mundo aparentemente hostil o que indicava estar naquele local a não mais que alguns anos.

- Que tipo de objeto é este? – indagou Daniel – Parece ser talvez algum tipo de bóia sinalizadora.

- Não faço idéia, se fosse traço de civilização local, sobretudo teriam outros satélites, mas como não havendo indícios de vida neste planeta podemos pressupor algo que esteja nas mediações – retrucou coerentemente Edwin Sagan demonstrando não ser apenas um mero rostinho a procura de sucesso, mas com algum talento justificável a missão.

Daniel sem tirar o olho da monitoração notou um aparente reflexo do sinal, como se aquele satélite estivesse na realidade rebatendo este de algum outro lugar de modo amplificado. Seria um eco? Ou algum tipo de lançamento de socorro pertinente aquele lançamento de alguma nave em algum canto a deriva. Rapidamente Daniel fez ajustes necessários para tentar conferir se era um rebatimento de sinal conferindo deste modo com vindo em direção à estrela de neutros em sua grandiosidade e esplendor atraentes. Os dois se entreolharam e analisando os dados notou que aparentemente outros sinais similares viam de entorno daquela estrela que por si só os sinais cuja precisão a assemelhava a de um pulsar definitivamente atrairia qualquer forma de vida sofisticada o suficiente até o local.

Após as averiguações traçaram curso a estrela, esta a levar alguns dias de viagem, uma viagem estranha onde o aumento de incidentes misteriosos pareciam gradualmente deixar os dois perturbados, com aquela fonte inesgotável de energia estranhamente atraente...

Daniel Machado dormia tranqüilamente após o sétimo dia de viagem em direção à estrela cujo brilho cada vez mais intenso não dava, porém, qualquer sinal da nave Apocon mesmo que um verdadeiro emaranhamento de sinais de áudio e vídeo, de diversas freqüências se dispondo de forma cada vez mais forte, e mesmo um cuja função não identificavam vindo de diversas direções em torno daquele sol de brilho azulado, mas certamente inquestionavelmente de formas de vida inteligentes.

Porém, um sonho o remeteu a infância de Daniel onde corria brincando na fazenda de seu tio onde todos os mantimentos a tornavam independentemente autossustentável. Era noite quando o então menino Daniel brincava na varanda com uma amiga que lhe havia rendido um romance infantil daqueles que, entretanto se tornam presentes na memória. Repentinamente a luz da varanda se apagou os deixando quase que plenamente ao escuro quando viram apenas uma única fonte de luz no local mantida pelo gerador, uma luz azul utilizada para atrair insetos e mata-los. Os dois com medo dos ruídos da noite igualmente se aproximaram do objeto pendente no teto da varanda e observaram atentamente enquanto a luz não voltava. Nisto ruídos de moscas e pequenos besouros rodeavam o local os deixando distraidamente curiosos e os fazendo pegar uma cadeira para se esticarem até o local no alto onde estava o suporte quando um ruído surgiu. “zipft!” como um pequeno barulho de fritura rápido e misturado ao de choque eclodiu no silêncio seguinte do mosquito que antes zumbia no local.

Logo, eles se debruçaram onde estava o suporte para ver diversos insetos caídos tostados a seu redor, presas de sua atração natural pela luz que antes os faziam circundar o objeto num ajuste natural de orientação destes pequenos seres que por não ser a lua os levavam ao erro e assim como uma armadilha mortal. Repentinamente outro inseto como ignorasse o incidente anterior rodeou o local quando novamente colidiu com a grade da luz fazendo “zipft”. Mais um, desta vez produzindo um pequeno clarão. Foi quando Daniel então esticou o dedo e igualmente curioso tocou a grade tomando um pequeno choque que o fez cair da cadeira diretamente ao chão.

Daniel acordou então rufando assustando sob a luz suave e agradável daquela estrela singular que pela janela transpassava a nave fazendo desnecessário o uso de luz interna economizando energia do suttle. Se levantou então e contemplo ou brilho agradavelmente perturbador os fazendo lembrar do sonho, nem toda luz ilumina, mas algumas cegam...

Foram eles ao trabalho quando Daniel notou uma profunda irritação em Edwin Sagan que transpirava mesmo sob a ambientação de temperatura do local, quando logo ignorando-se a si próprio prosseguiu amplificando um gráfico completo do gigante astro revelando os pontos de onde vinham os sinais, cada qual isolado a seu modo para se identificar à procedência.

- Aparentemente são vários artefatos em torno do gigante azul, de sinais com idiomática diferentes um dos outros, e do qual consegui adaptar alguns. Veja. – nisto Edwin tocou o painel e uma ampliação holográfica do monitor exibiu gráficos com interferência de alguma imagem como uma filmagem.

Ajustou ele em seguida e ajustou um pouco mais até que se tornasse claras os suficientes para que fossem compreensíveis. Logo, revelou um ser estranho que pareciam ter três olhos em sua face musculosa de pele esverdeada, muito estranho e de aspecto inicialmente temorosos para aqueles dois humanos. Os seres falavam algo simplesmente intraduzível por duas guelras laterais, não tinha boca. Os ruídos pareciam se intensificar nervosamente quando uma membrana lateral se abriu relevando algo similar a uma pata que a fez bater sobre algo como se estivesse transtornado profundamente, e então o sinal foi interrompido e se repetiu desde o inicio novamente.

- Foi este o sinal rebatido pela sonda orbitante naquele mundo, seja lá o que signifique. – falou Edwin Sagan que pela primeira vez parecia estar com os cabelos desgrenhados.

- Você conseguiu decifrar os demais? – prosseguiu Daniel.

- Consegui não somente, mas identificar dezenas e centenas de posições de origem destes sinais em torno da estrela parece um ponto de encontro de vidas extraterrenas!

- Então numa só tacada descobrimos não uma, mas várias formas inteligentes diferentes? – falou Daniel coçando o cabelo e tendo por resposta apenas um movimento de abertura de braços de Edwin Sagan concordando.

Daniel sentou-se ao lado de Edwin Sagan e começaram a trabalhar na compilação dos demais dados pelos próximos três dias restantes até a aproximação com a estrela azul.

Um sinal era apenas de áudio com um ruído irritado similar a de um besouro que seguia padrões de linguagens, e outro de áudio parecia proferir sentenças de língua complexa tornando mesmo possível se conseguir sacar o que algumas vezes queria se dizer pelo reconhecimento de sintaxe do qual como lingüista Edwin Sagan era capaz. Falam de coisas como “armadilha” e “rompendo o espaço para evento de singularidade desconhecido”.

Mas mesmo outros vídeos decifrados e um tipo de sinal intermitente que se assemelhava a ondas cerebrais – como possível comunicação telepática? – formava um mosaico fantástico de uma epopéia singular de seres inteligentes são distintos um dos outros e por vezes parecendo brigar entre si, se aniquilando e em revoltas internas. Aquilo quase os entreterem se não fosse pelo crescimento gradual de stress dos dois tripulantes cada vez mais irritadiços e tendo sonhos cada vez mais embaralhados com suas memórias infantis. Sugerindo a estes que algo interferia em suas próprias ondas cerebrais.

Desorientação gradual, medo, oscilações súbitas e extremas de humor, solidão. Os sintomas foram se intensificado cada vez mais e o então vaidoso e egocêntrico Edwin Sagan parecia mais um menino maltrapilha que mal se sustentava de pé chorando eventualmente a um estado cada vez mais infantil quanto Daniel o pegou em certo momento batendo numa das paredes do Suttle e dizendo que queria matá-lo.

- Porque você quer me matar? Precisamos um do outro aqui nesta nave! – falou Daniel tentando acalmá-lo mesmo que igualmente irritado.

- Sou eu quem devo ser reconhecido por todos os feitos! Mesmo o que você descobriu!

- Pare de se comportar como uma criança invejosa e mimada Edwin estamos do outro lado da galáxia para pensar em glamour! Deixemos que os fatos nos façam justiça.

- Você não entende a grandiosidade do que descobrimos aqui? A resposta que a humanidade sempre ansiosamente esperava desde os primórdios! Nada vai me impedir e pronunciar tais descobertas, nada e você apenas vai assistir quieto!

O sujeito agora pegou pela gola de Daniel o empurrando contra o outro lado da nave flutuando pela falta de gravidade por dentro da nave, Daniel assustado apenas lhe olhou severamente quando finalmente se tocou caindo em si de que não estava agindo de modo coerente, mas antes se entregando aos seus sentimentos e instintos mais primários por aquela desordem emocional. Nisso um alarme soou no painel e o maquinário disse – PROCURANDO ORBITA ESTACIONÁRIA, DESTINO ALCANÇADO!

Os dois se dirigiram ao local sentando-se e se prendendo em seus bancos quando a sua frente pela janela se podia ver com clareza dezenas de objetos diante da superfície da estrela flutuando lentamente e fazendo com que Daniel pilotasse no manual tal nave por entre as demais.

Lá viram os mais variados formatos de objetos extraterrenos, de enormes triângulos negros com luzes intermitentes piscando como um tipo de alerta, a discos, charutos, naves que pareciam ter asas que indicassem ser capazes de descer na atmosfera de outros planetas, e mesmo algumas que pareciam águas vivas repletas de luzes e translúcidas e algumas partidas exibindo destroços como se tivesse combatido naquele lugar ou simplesmente colidido uma com as outras. Em silêncio contemplaram aquilo, temeroso quando notaram uma nave se mover dentre as demais, mas antes que lançasse um sinal colidiu diretamente com outra maior a sua frente gerando uma silenciosa explosão no vácuo do espaço sideral. Mas sinais com ruídos, vozes, sons, mensagens de todos os tipos ecoavam quando buscasse fazer tais leituras onde os dois viam o auge daquelas civilizações se despedaçar junto as suas naves, rancor, inveja não eram defeitos estritamente humanos. Pareciam que todas lutavam pelo segredo da descoberta de outros inteligentes apenas se acumulando aos demais como um enorme cemitério cósmico ou mórbido monumento ao auge destas civilizações em suas tecnologias.

Daniel então resolveu pegando seu traje pedir para se acoplar numa destas, e ao se agarrar numa nave que parecia simplesmente não ser construída por peças, mas numa só liga, viu-se a comporta se abrir com o toque desta.

Lá dentro sua luz oscilante pelo desgaste de energia parecia indicar que estava abandonada logo com sua câmera lateral sendo visualizado e gravado por Edwin Sagan de dentro da nave, um ser esbelto, fino, magnífico diante dele caído na nave quando uma oscilação no campo gravimétrico fez com que de súbito saísse do chão flutuando e caindo novamente em seguida. Sua pele esbranquiçada e seus grandes olhos transpareciam calma, mas adiante um outro morto mutilado fazendo com que gotículas de sangue flutuassem ao se redor indicavam um ataque, de um outro ser lá dentro jazido, este repleto de espinhos num exoesqueleto similar a um inseto de carapuça dura escorria seu sangue por dentes enormes – ou espinhos – de uma guelra – ou boca – que se ligava ao tórax, de cor azulada varava a todas direções pela pouca gravidade do local, mas demonstrando um claro combate onde estes invadiram a nave alheia matando seus tripulantes mesmo que morrendo em seguida, poderiam ser saqueadores espaciais. Mas neste momento, uma súbita dor de cabeça como uma pontada de dor em sua testa fez com quem num zumbido Daniel caísse de joelhos e flutuando em seguida.

Dentro de sua mente, vozes, pensamentos e imagens daqueles seres pareciam se embaralhar em sua mente como se tivesse vendo a própria vida deles através de seus olhos quando sangue saiu de suas narinas escorrendo até a boca, e o fazendo chorar batendo com a cabeça no chão que apenas serviu de propulsão a tocar o teto.

Nervoso e em pânico Daniel se agarrando por qualquer objeto de dentro da nave sacudiu enquanto pelo fone Edwin Sagan perguntava o que ocorreu vendo a imagem sacudir de seu painel no suttle, e se dirigindo a porta de saída, gritando, se empurrou para dentro do suttle de volta.

Lá dentro, Daniel após lavar sue rosto e tomar um calmante refletiu preocupado com os desdobramentos daquele lugar e sugeriu a Edwin Sagan que fizesse um mapa mais preciso das leituras daquela estrela mapeando-a de modo mais claro. Passou-se algumas horas inerentes a grande dificuldade de se concentrarem e logo notaram estranhos padrões na superfície desta estrela do qual sua aparente fusão que gerava tal energia não era comum conhecida as demais estrelas como o próprio sol terreno, as crepitações saltavam na tela varando como singularidades incomuns produzindo não somente luz, mas energia em proporções inexplicáveis para aquele corpo.

- Creio estarmos não somente a um evento singular de formas de vidas inteligentes, mas astronômico que levou a atrair tais seres – ressaltou Daniel enxugando a testa. – Nunca vi nada parecido se não em quadros especulativos de teorias de buracos brancos. Tal poderia explicar-se como o inverso aos buracos negros como singularidades de saída de matéria sugada de algum ponto do espaço e do tempo.

- Considero bastante plausível que esta previsão estivesse correta! – respondeu Edwin Sagan - as parâmetros de identificação parecem seguir similares ao aberto pelo nosso wormhole artificial, ou seja, esta estrela simplesmente pode ser um colossal portal dimensional, a justificar a reunião de espécies que as estudem.

- Tal nos propõe um dilema não menos singular e que nestes casos parecem ter ligação com o próprio desenvolvimento destas espécies, atravessar ou não esta enorme “bolha” de singularidade? – indagou Daniel.

Os dois resolveram então lançar uma sonda apartir do suttle diretamente ao interior da zona de singularidade da estrela cuja aproximação se tornava difícil por um empuxo contrário a gravidade dos objetos que conseguiam orbita-la. Mas mantendo constante sinal com o suttle, verificou-se enormes oscilações temporais do qual sinais intermitentes de interações futuras pareciam retornar antes mesmo de solicitado a criar nuances que os deixaram profundamente confusos. Ao passo que conforme previsto pela relatividade geral de Einstein o horizonte de eventos de um buraco negro agisse de equivalente modo, aquela “estrela” parecia agir exatamente o oposto num horizonte de eventos de beleza ímpar para experimentos espaciais e do qual ninguém saberia exatamente o que existia do outro lado de onde um fortíssimo sinal similar a de um Pulsar cuja exatidão parecia clamar para ser alcançado como um convite a um salto evolucionário definitivo. Aquele vento de singularidade poderia leva-los a um ponto desconhecido do universo ou mesmo a uma dimensão além da compreensão humana, um metaverso, alimentado pela dúvida de falta de provas do que poderia vir a ser quando a sonda finalmente atravessou-a adentrando e desaparecendo permanecendo a mais profunda estática, sendo seguida pelo frustrante silêncio deles. Furioso, Edwin Sagan gritou batendo sobre o painel por ter perdido o sinal e quando Daniel dirigiu-lhe a palavra lhe pedindo calma pelo fato do sinal emanado da estrela ser tão forte este se virou o esbofeteando.

Ele se levantou e flutuando se agarrando pelas laterais parou e repentinamente começou a esfregar as mãos no rosto e puxando os cabelos gritando – Tenho que conseguir! Nem que te mate desgraçado!
Daniel assustado saiu do lugar indo a um canto quando Edwin avançou irracionalmente contra ele carregando uma barra de aço em sua direção. O surto do sujeito o desfigurou por completo alimentado pela dúvida do que haveria dentro daquele evento singular e pelo sentimento de possessão de tal descoberta sem precedentes.Mas ao pegar impulso para atingi-lo atingiu a janela do suttle do qual o grosso vidro somente não quebrou por ser resistente o bastante, mesmo que tenha rachado.

- Você enlouqueceu? Veja isto, vai matar a nós dois!

Mas transtornado Edwin parecia não pensar com clareza. Sua barba por fazer – assim como a de Daniel – o desfigurou naquele homem certinho e vaidoso ao extremo que veio até aquele local, a algo balbuciante entregue a sentimentos e emoções irracionais. O sujeito lhe agarrou seu pescoço o estrangulando enquanto Daniel forçando falar algo simplesmente pegou um peso de vidro e lhe atingiu a cabeça o fazendo desmaiar enquanto o sangue fluía de sua cabeça num filete intermitente até tocar o painel.

Daniel então o empurrou e indo até este tentou cobri-lo com plástico para que não provocasse um curto-circuito a danificar o sistema operacional do mesmo, quando repentinamente um solavanco bateu em sua nave. Era a nave vizinha cujos tripulantes jaziam mortos. Notou então ele que aquele lugar parecia minado a um conflito do qual nenhum até ali jamais havia sobrevivido e o obrigando a tentar retornar.

Porém, quando o fazia Edwin se levantou e indo em direção ao suporte de energia o sobrecarregou para que não tivesse como retornar pelo wormhole de onde vieram fazendo Daniel quase entrar em pânico. Em seguida o homem completamente perturbado se dirigiu flutuando a ele e tentou-lhe aplicar um golpe, mas fraco e pálido pela perda de sangue sucumbiu ao primeiro golpe deste, desfalecendo enquanto Daniel o prendeu em sua cama.

Daniel então encontrou-se solitário naquele lugar, desesperanço e notou que a janela atingida pela barra de aço estava vazando ar. Nós dois morreremos! Pensou ele consigo.

Solitário então, sentou-se em seu banco e contemplando numa passagem entre as naves que vagavam nas mediações olhou para o centro da estrela e ligando o transmissor ouviu os pulsos de precisão suplantadora a qualquer relógio atômico soar repetidamente como uma sinfonia-convite a ele cujos seus olhos pareciam mergulhar em sua superfície.

O homem então viu somente ele em torno de todo lugar o fazendo falar consigo mesmo – nenhum destes em seu dilema persistiu, mas antes atiçados pelos sentimentos mais baixos de ganância sucumbiram uns aos outros como algo os impedisse na verdade de passar por tal barreira, como um teste, um último e maior teste a um convite lançado pelo sinal cuja precisão demonstrava perfeição fora do comum, um convite a o último passo para a evolução?

Cansando então, Daniel ligou seus propulsores a velocidade total e viu-se mergulhar naquele lugar onde ecos de si próprio começaram a surgir, ressoar, como um pioneiro inexpugnável a verificar o que haveria do outro lado, quando mergulhou em sua superfície desaparecendo num imenso clarão assim como as moscas que rodeavam aquela luz na fazenda de seu tio, deixando sem responder a humanidade o que encontraram os dois do outro lado do Universo, assim ele como nós, o que encontrou naquele lugar, Temporal Twilight Zone.

Gerson Avillez

Homo Kaber Viven, natural do Rio de Janeiro. Hominídeo bípede de hábitos onívoros, hetero e 'urbanus' por necessidade. A pedra no rim do capeta, o dragão na garagem de alguns, a pulga atrás da orelha de Nietzsche, o calo nos pés do mau vidente. Autor de livros originais, criador de histórias complexas e pioneiro descobridor de teorias filosófico-científicas. Antecipou teorias como a do universo esférico, e misturou filosofia as suas teorias científicas chegando a ser reconhecido pela USP.  

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