A trágica imigração dos colonos suíços até a chegada em Nova Friburgo


A Suíça é o país mais alto da Europa, e foi ocupado pelos celtas helvécios no ano 400 a.c. Depois a região sofreu invasões de romanos, alamos, burgúndios, francos antes de passar pelo sacro Império Romano no século XI.

As mais prósperas regiões da Suíça firmaram um pacto de defesa contra as ameaças de soberanos estrangeiros, denominadas “Aliança Perpétua” ou “Juramento de Rütli”. O dia 1º de agosto de 1291 foi oficializado como início da Confederação Helvética, data nacional da Suíça.

Nova Friburgo antes dos Suíços

Antes da Colonização Suíça, a Fazenda do Morro Queimado já era povoada. Jerônimo Castro (compadre de Tiradentes), em Amparo, abrigava os fracassados da Conjuração Mineira; Mão de Luva, refugiado aqui, viveu 18 anos escondido contrabandeando e sonegando o quinto de ouro a Coroa Portuguesa, protegendo negros escravos e indígenas. Em 1786,preso, morreu na viagem para exílio.

As raízes da colonização suiça

Em 1817, Sebastien Nicolas Gachet, financiado por comerciantes, industriais e financistas helvécios, com apoio dos cantões, veio ao Brasil negociar com o Rei D. João VI um tratado para trazer imigrantes suíços. A Revolução Industrial em 1815/16 gerou uma crise econômica na Europa; milhares de suíços desempregados foram para América do Norte. Em 16 de maio de 1818, “D. João abriu as portas do Brasil assinando o decreto autorizando a vinda de 100 famílias suíças do Cantão de Fribourg”; incluindo despesas da viagem.


Na Suíça, Gachet uniu-se a Jean Brémond com a intenção de burlar o contrato, e privilegiou as famílias que pudessem custear as passagens. Dos 2.125 inscritos viajaram 2.005 em sete navios. A viagem até Mijl, na Holanda durou 26 dias. Lá, 45 dias confinados num acampamento pantanoso, conviveram com insetos, muitos contraíram Varíola, Tifo e Malária pela má qualidade da água e falta de higiene no alojamento.

Da Holanda a Nova Friburgo


No dia 11 de setembro de 1819, o Daphnée seria o 1º navio, a partir da Holanda e iniciar a travessia do Atlântico com 197 pessoas a bordo. A viagem durou 55 dias, ancorando no dia quatro de novembro na Baia de Guanabara. No dia 12 vieram mais três contingentes e no dia 10 de outubro os três últimos. O DEUX-CATHÉRINE veio em nove de setembro e o CAMILLUS em 10 de outubro. Aportaram no Rio de Janeiro nos dias quatro e oito de fevereiro de 1820, depois de 134 dias de viagem. Os outros cinco navios gastaram 67 dias. Da Suíça a Vila do Morro Queimado morreram 389 colonos.

Na Chegada ao Rio de Janeiro o abade Jocob Joye, frustrado com a capital da corte foi recebido pelo Rei D. João VI e o primeiro ministro. Como inspetor da Colonização, Monsenhor Miranda acompanhado de médicos e autoridades alfandegárias, visitaram os colonos no navio levando pão, vinho, aguardente, bananas e laranjas. Guiados pelo inspetor em pequenas embarcações os colonos trouxeram suas bagagens da Baia de Guanabara até Itambi, foz do Rio Macacu. No hospital improvisado no Mosteiro São Boaventura morreram 31 colonos, inclusive o Padre Aeby, auxiliar do abade Joye. De Macacu até parte da serra subiram em carros de bois e carroças; nas trilhas mais íngreme até colônia as cargas vieram em lombos de burros, as crianças carregadas pelos escravos e os adultos a pé.

Os primeiros colonos chegaram na Vila de Nova Friburgo em 15 de novembro de 1819 e os últimos nos dias 14 e 15 de fevereiro de 1820, depois de 11 dias de viagem a partir do Rio de Janeiro, num total de 27 léguas percorridas. Como o número de famílias passou de 100, foram alocadas em cada cômodo das casas (sem piso, cozinha e banheiro) grupos de 14 a 16 colonos. As vilas foram construídas em três pontos da Fazenda; prédios com açougue, mercearia e moinho de fubá. Hoje, o local abriga a Praça Getulio Vargas e os bairros do Paissandu e Vilage. Na sede da Fazenda do Morro Queimado, existia um casarão denominado “Chateau do Roi” onde funcionava o centro religioso e administrativo. Hoje está localizada a sede do Colégio Anchieta.

No domingo, dia 23 de abril de 1820 foram realizados sorteios para distribuição dos lotes agrícolas, o equivalente a 108,9 hectares, destinados a cada “família agrícola” ou “família artificial”. O sorteio não agradou à maioria das famílias contempladas, porque além dos lotes serem muito distantes, situavam-se em áreas improdutivas ou rochosas e sem água. Dentre as famílias que prosperaram estão: Perisset, Tinguely, Mury e Bosens no Debossan; Wermellinger, Monnerat migram para Duas Barras; Verdun S. S. do alto; Berçot em B. Jardim, os Sonner para Barra do Sana em Macaé. Muitos foram tentar a sorte na capital imperial.

Marcas da Suiça em Nova Friburgo

Após 155 anos, em 1973, o historiador Martin Nicolin publicou “A Génese de Nova Friburgo” sobre a Imigração Suíça. Sua obra estreitou os laços entre as cidades irmãs. Graças ao seu empenho foi criado o Instituto Fribourg – Nova Friburgo. Através do instituto foi fundada em agosto de 1985 a Queijaria Escola Suíça, que além de cursos, produz produtos alimentícios com padrão suíço implementando o Turismo e a Agro Indústria na Região Serrana.

Em maio de 97 foi inaugurada a CHOCOLATARIA SUÍÇA. Extraída do cacau foi a Bebida sagrada dos astecas; introduzida na Europa pelo explorador espanhol Hernan Cortez. No século XVII surgiram as casas de chocolates. Em 1847 os suíços chegaram à fórmula padrão. Aqui a Chocolataria produz de forma artesanal o chocolate; bem como a TRUFA a base de chocolate meio amargo.

Para se inteirar melhor sobre a História da Colonização Suíça de Nova Friburgo, visitar a Pró-Memória ou site; as obras: “Histórias, Contos e Lendas da Velha Nova Friburgo”, Raphael Jaccoud; “A Imigração Suíça de 1819/1820, PIERRENICOLAS CHENAUX (Família Thurler)”, Alberto Wermellinger; a Queijaria/Chocolataria e o Museu dos Colonos, Circuito Tere-Fri – Conquista. A Colônia Suíça na Praça das Colônias no Suspiro – Centro, que funciona aos sábados e domingos.

Francisco Rohen, Jornal Século XXI

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