Charles Kiefer e Marcelo Mirisola


Pois bem, como já havia me pronunciado aqui, o Poupa Tempo vende livros novos por apenas dois reais. É isso mesmo, meus caros senhores e senhoras, senhoritas e gurizada, dois reais. E como eu não consegui me conter diante dessa facilidade, fui lá para conferir e comprei dois livros, O escorpião da sexta-feira de Charles Kiefer e O Homem da Quitinete de Marfim, de Marcelo Mirisola. E vou te dizer, dois livros que, mudaram minha opinião a respeito de muita coisa. Uma, sobre autores de textos policiais no Brasil, na minha cabeça já reverberava o nome de Rubem Fonseca – ouvi falar da Patrícia Mello e vou conferir tão logo seja possível – e outra, sobre as crônicas. Mas este último assunto pretendo abordar em outra ocasião. Por hora, fiquem com as sinopses dos livros, desde já, uma indicação de leitura, e das boas.

Em O Homem da Quitinete de Marfim, o autor reúne as melhores crônicas publicadas no site AOL. Em relatos sobre seu dia-a-dia e sobre o cotidiano do país, Mirisola não tem medo de se expor ou de criticar nomes consagrados da música e da literatura brasileira. Brinca com algumas das obsessões do homem e se transforma no narrador debochado que estamos acostumados a ver em sua obra. O Mirisola desta coletânea está mais à mostra que o Mirisola romancista. Aqui, em O Homem da Quitinete de Marfim, temos o Mirisola ensaísta, político, moleque, arruaceiro e o Mirisola romântico, apaixonado pelas mulheres e pelos amigos. Da mesma forma, temos o Mirisola voraz e impiedoso com os inimigos. Temos todos os Mirisolas. Sobretudo o arbitrário — como ele mesmo faz questão de deixar bem claro — e parcial. Porque “o imparcial é um canalha”.


O escorpião da sexta-feira, publicado originalmente em 2002, conta a história de um perigoso sociopata que ronda as ruas de Porto Alegre. Por entre bares e boates, passeia um assassino frio e cruel que, como os escorpiões que tanto conhece e admira, sai à noite de sua toca para escolher suas vítimas.
Antes do crime, ele ronda suas presas, excita-as e arma um jogo de sedução sofisticado, com direito a vinhos finos e perfumes caros. A encenação e a mentira aumentam tanto seu prazer quanto o horror de suas vítimas. “Luísa confundia a premeditação paciente com carinho, ternura. O escorpião, antes do ataque, aquieta-se, distende os pedipalpos, abaixa a cauda, mimetiza-se com o ambiente, para que o inseto não tenha a menor chance de reação”, revela o assassino.
Uma elaborada e inteligente metáfora sobre valores e pecados do ser humano; bem e mal, amor e paixão, luxúria e pureza; este romance reforça o grande talento de Charles Kiefer e oferece ao leitor mais uma oportunidade de conhecer sua obra.


Pacheco também é cultura!

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