O escritor



O dia do escritor passou e este que vos digita esses caracteres não teve muito tempo para pensar em uma postagem bacana para comemorar a data. Pois é... Mas acontece que eu recebi um belo texto de um amigo também escritor que gostaria de compartilhar com vocês. Um belo texto, um belo texto mesmo. Ao final termino com uma frase do Pessoa; é, aquele português magnífico. Seguem abaixo:

"Uma vez um idiota disse : “Eu leio para encontrar um mundo melhor. Eu escrevo para tornar o mundo melhor." Era um idiota sensato. Idiota por que queria mudar o mundo, e ao mesmo tempo sensato por querer mudar o mundo. Quem escreve tem maior facilidade de se tornar roteirista do seu destino. Tudo é mais prazeroso em seu dia a dia. Seu ponto de vista é uma lupa para o que há de interessante na vida.


Os dragões, os ladrões, os heróis, as donzelas, as bruxas e as criaturas que tem em sua cabeça são o reflexo do que sua alma um dia pretendia ser, ver, e crer. Ou não, são apenas devaneios de alguém que nada mais tem a fazer. Para alguns sortudos ser escritor é uma profissão, para outros um passa-tempo, um sonhos, mas para todos é um estilo de vida. E uma honra. É uma honra por que você tem o direito de transformar a realidade. Alguém atravessando a rua em uma quarta feira opaca pode ser um espião indo desativar uma bomba que irá engolir o mundo. Uma estrela no céu pode ser o olho de um deus entediado. O som do silêncio pode ser o arfar de um inimigo que não respira. Então não tenha medo da sua arte. Não tenha vergonha das suas criações. Coloque tudo para fora. Respire mais livre. Coloque o mundo no bolso para comer em casa. Escreva. Muito. Até dar calos nos dedos. Pode ser em um guardanapo, na tela de mensagens do celular, no computador do escritório às costas do chefe." 

Emerson D.E. Pimenta

Aqui um link para os texto do Pimenta:

http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=103053

E essa é a frase do português, e abaixo, o poema original:
“E assim escrevo, ora bem ora mal, Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá, Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.” Fernando Pessoa
 
Deste modo ou daquele modo Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
 
Deste modo ou daquele modo.
Conforme calha ou não calha.
Podendo às vezes dizer o que penso,
E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,
Vou escrevendo os meus versos sem querer,
Como se escrever não fosse uma cousa feita de gestos,
Como se escrever fosse uma cousa que me acontecesse
Como dar-me o sol de fora.
Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que o sinto.
Procuro encostar as palavras à idéia
E não precisar dum corredor
Do pensamento para as palavras
Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado
Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar.
Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a Natureza produziu.
E assim escrevo, querendo sentir a
Natureza, nem sequer como um homem,
Mas como quem sente a Natureza, e mais nada.
E assim escrevo, ora bem ora mal,
Ora acertando com o que quero dizer ora errando,
Caindo aqui, levantando-me acolá,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso.
Ainda assim, sou alguém.
Sou o Descobridor da Natureza.
Sou o Argonauta das sensações verdadeiras.
Trago ao Universo um novo Universo
Porque trago ao Universo ele-próprio.
Isto sinto e isto escrevo
Perfeitamente sabedor e sem que não veja
Que são cinco horas do amanhecer
E que o sol, que ainda não mostrou a cabeça
Por cima do muro do horizonte,
Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos
Agarrando o cimo do muro
Do horizonte cheio de montes baixos.

Pacheco também é cultura!

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