Alugar livros: uma opção inteligente

Belkiss Lopes: “Não ficamos ricos, mas dá para pagar as despesas, reinvestir e ter algum lucro”
No começo, ninguém achava que podia dar certo. Muita gente não dava um ano para a U-tópicos Fractais fechar. O nome já dizia tudo—uma utopia, coisa de intelectual sonhador. Hoje, quase duas décadas depois, os professores Antônio José e Belkiss Lopes, donos da livraria que não vende livros—e sim aluga—afirmam não ter do que se queixar. 

“Nós não ficamos ricos com isso aqui, nem era esta a nossa intenção, mas dá para pagar as despesas, reinvestir e ainda ter algum lucro”, afirma Belkiss. 

Com uma vantagem. Podem ler à vontade durante o trabalho. “Já pensou se em vez de uma livraria a gente tivesse uma lanchonete?”, brinca Belkiss. 

Para manter o interesse dos frequentadores, todos os meses são adquiridos pelo menos dez livros, novinhos em folha. Por isso mesmo, a livraria não se assemelha a um sebo, onde geralmente só são encontrados livros antigos, a maioria em mau estado de conservação. A U-tópicos tem um bom acervo, abrangendo todos os gêneros literários e também de divulgação científica nas áreas de física, química e biologia, que são a paixão de Antônio José. 


Há também livros de leitura extensiva, aqueles que são solicitados pelos colégios, mas não são livros didáticos. Interessante. “Muitos estudantes procuram a livraria em busca de livros que o professor mandou ler.

Conversamos com eles, mostramos as novidades e de cada dez, três acabam pegando outro livro quando vêm entregar o primeiro”, conta Belkiss. Aliás, a U-Tópicos tem uma estante dedicada a crianças e adolescentes, onde se pode encontrar literatura de boa qualidade e que interessam a este público. 

Na medida do possível, Belkiss sempre tenta atender as sugestões e pedidos dos clientes. Atualmente, os livros mais procurados são, é claro, os best-sellers, tanto os de suspense como os romances: “Jogos Vorazes” (Suzanne Collins), “Este Doce Mal” (Patricia Highsmith), “O Cobra” (Frederick Forsyth), “O Enigma do Oito” e “O Fogo” (Katherine Neville), “O Chá do Amor” (Jennifer Donnelly), “Trapaça” (James Siegel), “Uma Proposta Irrecusável” (Hill Mansell). As coleções Harry Potter e Milênio, que marcaram época há pouco tempo atrás, parecem ter saído da moda, quase não são mais alugados. 

A julgar pelos pedidos dos leitores da livraria, a autoajuda e o esoterismo já viveram tempos melhores. E autores como Sidney Sheldon, Danielle Steel e Paulo Coelho, que eram muito procurados tempos atrás, ainda têm leitores fiéis, mas são poucos. 

A literatura brasileira está em baixa por lá, a não ser quando tem uma minissérie ou uma novela na televisão, como aconteceu com “Agosto” (Rubem Fonseca), “Hilda Furacão” (Roberto Drummond), “Incidente em Antares” (Érico Veríssimo), “Memorial de Maria Moura” (Rachel de Queiroz), “O Chalaça” (José Roberto Torero), e tantos outros. Atualmente, os livros nacionais mais pedidos são os de Luiz Fernando Veríssimo, Jô Soares e Garcia Roza. 

Detalhe: só ficam na estante os livros em bom estado de conservação. Os que estão muito velhos, amarelados, com as capas rasgadas, são retirados das prateleiras. A higiene também é levada muito a sério. Os livros são encapados com contact; e esterilizados com álcool antes de serem devolvidos à estante.
Mesmo assim há quem estranhe a ideia de alugar livros. Tem gente que não gosta nem de biblioteca, com aflição de ler livros que desconhecidos já manusearam. Que bobagem.

Outro motivo de resistência, o principal, talvez, é que muitos têm apego ao objeto-livro e necessidade de possuí-lo. Uma curiosa relação que não mantêm, por exemplo, com os DVDs, que todos nós alugamos sem o menor problema. Porque a mesma lógica não pode ser aplicada aos livros? A verdade é que dificilmente lemos duas vezes o mesmo livro. Porque, então, deixá-lo numa estante ocupando espaço e acumulando poeira? Além do mais, livro não é, digamos assim, um objeto barato. Um lançamento está, seguramente, na faixa dos R$ 35, R$ 40. No mínimo. Melhor alugar. Ou não?

Por isso mesmo, Antônio José e Belkiss não se renderam aos livros digitais nem acreditam que estes possam vir a substituir, um dia, os livros. “As pessoas têm dificuldade até de aceitar a ideia de alugar livros—felizmente aqui estamos no nosso canto, por quase duas décadas—mas quem gosta de ler não vai substituir muito facilmente o livro físico pelo livro digital”, disse Belkiss.

U-TÓPICOS FRACTAIS

LOCADORA DE LIVROS
Rua Ernesto Brasílio 14–Sl., Edifício Central
Horário de Funcionamento:
Segunda-feira, de 14h a 18h30
De terça a sexta-feira, das 9h30 às 12h30 e das 14h às 18h30
Sábado, das 8h30 às 12h30

PLANOS

PLANO I
R$ 1,60 por dia
PLANO II
R$ 40 por mês (O sócio pode ler quantos livros quiser, sem limite de tempo) 

Dalva Ventura
 

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