194 anos - Nova Friburgo precisa definir o que quer, por Dib Curi

 Precisamos praticar um desenvolvimento criativo, aproveitando nossas vocações, nossa cultura, nossa gente e nossa alma
       

No momento em que completa 194 anos de História, Nova Friburgo passa por um momento muito importante. Há pouco mais de um ano vivenciamos uma experiência muito dolorosa. A força da natureza nos surpreendeu de uma forma avassaladora.
As explicações para o fenômeno e para os prejuízos materiais e humanos foram várias: aquecimento global, zona de convergência, omissão política, falta de planejamento urbano, crescimento desordenado, excesso de ocupação de margens de rios, encostas e áreas de risco, nenhuma oferta de habitação para a população de baixa renda, etc. O fato é que este evento colocou Friburgo numa situação atípica, de crise.

Na sabedoria chinesa momentos de crise costumam significar também uma janela de oportunidades. A questão que se colocou à partir de janeiro do ano passado é a de como continuar seguindo o mesmo modelo de desenvolvimento quando parecemos ter recebido um recado da natureza?
Sabemos que nossa classe política tem uma enorme dificuldade de definir as vocações do município e criar um planejamento e metas a médio e longo prazo. Acredito que há três razões para isto:

1 - Nossos políticos ainda possuem costumes antiquados e se perdem em clichês, formalidades e picuinhas coorporativas, numa verdadeira burocracia do comportamento. São lentos e medrosos em abandonar velhas práticas e em compreender as mudanças que acontecem no mundo.


2 - Existe um excesso de competitividade e um entendimento fisiológico da política, o que impede a construção de um consenso em torno de grandes teses e planejamento. Entra governo, sai governo e tudo muda somente por vaidade e competição.
 
3 - Nossos políticos ainda engatinham na compreensão da economia verde e criativa, além de não compreenderem bem as noções de desenvolvimento ecológico e sustentável.

Nova Friburgo: onde queremos chegar.
Temos que ter metas e planejamento, senão fica dificil caminhar. Nossos políticos tem que ser administradores (gestores) das metas que decidirmos. Não podem ficar decidindo a seu bel prazer, uma hora uma coisa e outra hora outra coisa. Ninguém vai pra frente assim. Se quisermos um município forte que preserve a sua qualidade de vida, temos que ser mais planejados. O melhor governo será sempre aquele que caminhar melhor no rumo que queremos.

Vocação e caminhos a seguir:
A verdade é que Nova Friburgo sempre esteve associada à qualidade de vida. No passado, milhares de cidadãos vinham para cá para se curarem de várias enfermidades. Nova Friburgo é um lugar de muita vida e verde, um pedaço esplêndido de Mata Atlântica, encrostado nas montanhas da Serra do Mar, um paraiso de biodiversidade, declarado pela ONU.
Contamos com 4 áreas de preservação municipal e temos Parques e APAS como Três Picos e Macaé de Cima. Temos água em abundância; rios, cachoeiras e corredeiras, além de um clima muito acolhedor. Temos terra boa para plantar e somos grandes produtores de hortaliças e flores. Possuímos ótimas possibilidades ecoturísticas e culturais em São Pedro da Serra, Lumiar, Galdinópolis, Rio Bonito, Três Picos e estrada Serramar, entre outros.
Porque não somos capazes de nos desenvolver baseados em nossas próprias vocações?
Porque teimamos em repetir os piores exemplos do desenvolvimento brasileiro e não partimos para ser uma referência em desenvolvimento eco-estruturado? Será que temos características para acolher tanta gente nos nossos morros?

Seguindo as nossas características:
Algumas pesquisas feitas pelo governo federal dão conta de que Nova Friburgo tem cerca de 30% a mais de população do que poderia atender em função de sua limitação espacial e estrutural. Logo, temos que ter um outro tipo de desenvolvimento se quisermos preservar a nossa qualidade de vida.
Porque não optarmos por um crescimento qualitativo, estimulando a indústria criativa, o ecoturismo, o reflorestamento, a coleta seletiva, a agricultura orgânica, os esportes radicais e as ciclovias? Poderíamos arrecadar uma parcela muito maior de ICMS Verde com medidas adequadas.

A Cultura Friburguense:
Nova Friburgo sempre teve uma aura de cultura no ar e muito respeito por sua história. Foi criada por um decreto de D. João VI, por isto, é única no Brasil em seu gênero. Vários monumentos históricos nos mergulham na gênese da história do Brasil, como o Colégio Anchieta, dos Jesuitas. Sem falar nas colônias que nos constituiram. Temos um belo Teatro, um Centro de Arte, vários centros culturais como o de São Pedro da Serra e as Mãos de Luz, em Lumiar, com trabalhos de resgate dos saberes tradicionais e da cultura popular. Temos duas bandas de música centenárias de nível internacional; a Euterpe e a Campesina.

Nossa gente:
Mas vamos falar de pessoas, porque se Nova Friburgo tem alma, muito desta alma são justamente as pessoas que aquí vivem. Além da história, pessoas e florestas são a alma de um lugar.
Um grande número de artistas é a prova inconteste da nossa fertilidade. Entre nós viveram dezenas de personalidades brilhantes, entre elas o Dr. Galdino e o Carlito Marchon. Temos o privilégio de podermos ouvir ainda as histórias do Jaburú. Temos um potencial incrível de cultura de rua jovem, que se for estimulada pode se tornar referência nacional em políticas públicas para a juventude. Temos músicos bons de perder a conta.
Existem dezenas de ateliers em São Pedro e Lumiar. Em Nova Friburgo temos a excelência das aquarelas do Raimundo, as cores do Felga e os conceitos do Cacau. Temos o teatro didático do Nobel Medeiros e da Daniela Santi, o balé da Bibiana, os desenhos do Dil Márcio e do Silvério, a voz da Denise Pinaud e da Josie Lucka. Temos os trovadores e a poesia da Maria Lua e do Sérgio Bernardo. Tem o Nelmo, o Dalmo, o Léo Abelha, o Fabiano e os palhaços todos. Tem a Raquel Nader e a Jane Ayrão contando nossas histórias. Tem o Girlan Guiland, sempre nos lembrando da importância dos nossos duzentos anos e o Gilberto Sader, que muito bem representa o grande amor de tantos empresários por nossa cidade. Tanta tanta gente boa que não dá pra falar aqui. Temos alma demais. Somos belos e intensos.

Força do setor produtivo:
No setor produtivo, temos entidades representativas como a ACIANF, o CDL, a FIRJAN e o SEBRAE que representam inumeras atividades. Temos de buscar maneiras de nos desenvolver de dentro pra fora e não este alienante desenvolvimento brasileiro de fora para dentro.

Possibilidades turísticas:
Temos um potencial turístico e gastronômico que poderia ser estruturado de uma maneira mais profissional. Temos eventos muito fortes mas temos que ter uma agenda conhecida no país: Carnaval, Festival de Inverno, Festa da Flor, Festa de São Pedro, Festival da Truta e o FRICINE, entre outros. Temos dezenas de bons hotéis e pousadas para acolher também um turismo de negócios. Podemos ser um polo de educação: Temos universidades e poderíamos incentivar outras a virem para cá criando um conceito de cidade universitária circundada por um parque ecoturístico com um viés de estímulo à cultura e a economia criativa. Nova Friburgo precisa mesmo definir o que quer...

OBS: Este texto é uma releitura de texto publicado em 2011.

Fonte:  http://www.forumseculo21.com.br/noticias4439,194-anos-nova-friburgo-precisa-definir-o-que-quer.html

Pacheco também é cultura! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Publicidade

http://www.tertuliaonline.com.br/
http://www.revistapacheco.com/p/contato_507.html

Destaques

A primeira vez em que eu quase morri

Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

Cinema: Frances Ha

Em Frances Ha (2012), Frances (Greta Gerwig) é uma jovem nova-iorquina de 27 anos que não corresponde às expectativas idealistas de uma sociedade que exige do indivíduo o sucesso em questões profissionais e afetivas nessa fase. Ao contrário, como muitos jovens nessa idade, Frances ainda não faz ideia do que, para ela, é ser bem sucedida. O artista francês Eugène Delacroix escreveu em 'Diário' que para se chegar a segurança e maturidade do espírito é necessário passar pela sutil delicadeza da nossa sensibilidade juvenil.
As imagens postadas neste site foram retiradas da internet ou enviadas por colaboradores. Se é proprietário de alguma imagem e se sentiu ofendido, por favor, entre em contato conosco e ela será rapidamente tirada do ar.