O gato avarento

Era uma vez, há muito tempo atrás, numa cidadezinha do interior, um gato que vivia num apartamento com uma velha senhora. Ele era tratado à pão de ló, comia as mais espetaculares rações, tinha seu pelo escovado três vezes ao dia, e depois do banho, até perfume ele usava. Ele era o gato mais mimado que já se tinha ouvido falar.

Entretanto, em um beco ao lado do prédio onde ficava o apartamento, vivia um cachorro vira-latas. Comia restos de comida, seu pelo era sujo e com pulgas, e bebia água das poças.

Certa vez, o gato estava na janela do apartamento, que ficava logo no primeiro andar, lambendo suas patas e as passando em suas orelhas. E vendo o cachorro dormir, coçando algumas pulgas de vez em quando, ele chamou:

– Hei cachorro! Hei cachorro! – insistiu ele, e o cão levantou o semblante triste, com os olhos avermelhados na direção do gato, mas nada disse.

– Hei cachorro! – chamou novamente. – Tenho pelos dourados, como as melhores rações que se pode achar e bebo a melhor água mineral da Serra. E tu, és um cachorro maltrapilho, sujo e com pulgas, come restos de comida e bebe água da poça. As pessoas, quando o veem, desviam de ti. Eu sou melhor do que tu! Faça-me o favor, vá para o outro lado da calçada, para que eu não passe mal com teu cheiro nauseabundo. – completou ele, de forma pedante.

E o cachorro levantou-se e foi para o outro lado da calçada, sem dizer nada, e deitando-se, voltou a cochilar e se coçar de vez em quando.

Mas acontece que naquela mesma noite, uma forte tempestade atingiu a cidade, que foi tomada pelas águas. A correnteza arrastava a tudo e a todos, inclusive o gato, que nem sabia nadar. E o cachorro vendo o gato em apuros, nadou até ele, segurou-o pelo pescoço e levou-o até uma construção mais alta, onde pudessem estar seguros.

E o gato ficou ali, sem casa, sem ração, sujo e esbaforido. O cachorro sacudiu a água do corpo e seguiu seu caminho.

Moral da história: Ninguém é melhor do que ninguém, todos temos nossas qualidades.


“O Destino tem a mesma lei para todos: tira à sorte entre o humilde e o grande; a sua urna é vasta e contém todos os nomes.” Horácio


Pacheco também é cultura!

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