Café Literário: Era uma vez


Alguém um dia disse que a vida de um homem não deve ser medida em anos, mas sim, em arrependimentos. Hoje, porém, não tenho dúvida alguma de que sou velho, pois possuo um bom número de ambos. Agora que o restante de meus dias pode ser facilmente contado no queimar de uma vela e que meus próprios pecados já estão esquecidos, pretendo revelar toda a verdade sobre o mais insólito evento que já me ocorreu nesta longa e penosa estada no mundo. Portanto, sente-se e feche a janela, o ar noturno está trazendo fantasmas e essa história não é para os ouvidos dos mortos.   
 

Tudo começou nos distantes reinos do leste, meu trabalho como mercador havia me levado a explorar as ricas cidades às margens do grande deserto em busca de especiarias tão exóticas quanto os pensamentos de uma cortesã e de sedas ainda mais macias que os sonhos de uma criança. No início, a sorte me sorrira com ternura e, em poucos dias, eu já acumulara uma pequena fortuna em forma de inebriantes temperos e coloridos cortes de tecido. Feliz com meu próprio sucesso, resolvi comemorar ao modo dos nativos e entornei diversas doses de uma estranha bebida, destilada de uma flor local. O sabor rico e elegante me cativou de imediato e, antes que pudesse perceber, já abandonava a consciência em favor de um mundo de sonhos fantásticos e deliciosos delírios.
 

Era noite alta quando acordei. Sentia um incômodo pesar em minha cabeça e uma, ainda mais incômoda, sensação de leveza em minha bolsa. Como já havia ouvido uma dúzia de histórias sobre os terríveis ladrões que rondavam aquela região, ainda zonzo, tateie com medo meu corpo em busca de cicatrizes ou ferimentos, mas constatei aliviado que apenas o dinheiro me havia sido levado. Apoiei as mãos na areia fina do chão e, com extrema dificuldade, pus-me novamente de pé. Só então percebi onde estava.
 

Um manto negro de infinitas estrelas se estendia sobre todo o firmamento, finamente coroado por uma lua que brilhava tão cheia e argêntea que emudeceria até mesmo o mais lírico dos poetas. A imensidão vazia me cercava com imponência e para todas as direções que olhasse, apenas o deserto me envolvia a vista. Antes de me desesperar e me considerar irremediavelmente perdido, busquei no mapa estelar as constelações conhecidas, mas aquele céu era diferente de tudo que eu houvesse visto antes.
 

Ainda confuso, comecei a caminhar a esmo, deixando que o vento frio e cortante ditasse a direção de minha marcha. Não precisei de muito tempo para perceber que essa não era uma boa idéia e já estava preparado para seguir de volta minhas próprias pegadas, quando vislumbrei uma luz tênue a brilhar no alto de uma duna. Sei que o bom senso e a prudência ensinam a não seguir luzes estranhas em desertos desconhecidos, mas que escolha eu tinha?
 

Escalei com certo esforço a montanha de areia e descobri satisfeito que o brilho provinha de uma pequena fogueira de acampamento e, que ao redor da mesma, havia um inusitado grupo de companheiros. O primeiro era um homem de pele queimada e nariz adunco, ostentava um rosto sério e nobre, apesar de se vestir com a sarja típica dos beduínos locais. Sobre a cabeça, usava um pequeno turbante e parecia estar bem à vontade na noite fria do deserto.
 

Como um contraponto a essa figura, sua companheira era uma mulher belíssima, com traços claramente europeus e longos cabelos loiros como ouro. Vestia-se à moda da corte, apesar de seu belo vestido branco apresentar diversos cortes e remendos, e possuía olhos azuis e profundos como o inverno em alto mar. Completando o extraordinário quadro, estava lá o que, de início, pensei tratar-se de um cão grande e magro, mas que logo percebi ser um mestiço de coiote, provavelmente a fera de estimação do homem de turbante. O animal foi o primeiro a notar minha presença.
 

Ao ver que o canino havia levantado as orelhas e olhado atento na minha direção, o homem de pele escura pôs-se de pé, rápido como um raio, e levou uma das mãos à cintura, buscando a segurança do cabo perolado de uma bela cimitarra. Porém, ao fitar minha figura maltrapilha, a fúria em seu rosto desanuviou e toda sua belicosidade desapareceu. Sorrindo satisfeito, ele voltou a acomodar-se junto ao fogo e fez estranhos gestos, convidando-me a sentar junto com eles. Diante da minha inatividade, ele falou com voz de barítono:
 

— Venha, sahib, você não perdeu nada, estávamos prestes a começar.
 

Ainda bastante confuso e inseguro, ousei me aproximar e sentei-me à direita da dama e de frente para o cão. Todos os três me olharam com interesse, mas nada disseram. Então me senti no dever de me apresentar.
 

— Meu nome é...- comecei a falar, mas fui bruscamente interrompido pelo homem.
 

 — Onde estão seus modos, sahib?- disse ele- Acaba de chegar e acha que vai ser o primeiro?  Não vê que temos uma dama? Dela deveria ser a vez.
 

— Desculpe- apressei-me em dizer- Não conheço seus hábitos e...
 

— Não tem problema!- voltou a me interromper o homem de turbante, desta vez sorrindo- Nenhum mal foi causado e nós, os desgraçados, devemos nos unir. Agora façamos silêncio que já passa da hora de começar. Minha dama, se tiver a bondade...
 

Com um aceno de cabeça, quase imperceptível, a jovem mulher se ergueu com delicadeza ímpar, limpou o pó do desgastado vestido e, com a voz mais doce que já tive a honra de ouvir, começou sua magnífica e extravagante narrativa.
 

— Meu nome é Izabella D’Aligeri e sou filha da sereníssima cidade de Veneza. Venho de uma linhagem tão nobre e antiga que meu querido pai chegou a ter seu nome considerado para o cargo de Doge. Mas é claro que ele não foi nomeado, seu vício no jogo nos roubou também esta honra.


                    II

Apesar de seu bom coração, meu pai tinha uma enorme fraqueza pelas cartas e, ao tempo de meus quinze anos, nossa antes incalculável fortuna havia escorrido por entre as mesas de bares imundos e salões de carteado. Minha mãe há muito nos deixara e só podíamos contar um com o outro. Ou, ao menos, era isso o que eu imaginava.
 

Em uma tarde quente de primavera, meu pai me procurou, todo sorridente, e disse:
 

 — Minha filha, nossos problemas estão resolvidos! Arranjei-lhe o casamento perfeito. Alegra-te que, esta noite, teu pretendente, Giuseppe, vem nos visitar!
 

Quase me desmanchei em lágrimas ao ouvir aquelas palavras, mas não havia em mim qualquer vestígio de alegria. Todos sabiam que Giuseppe, também conhecido como “Príncipe Peppe”, era o mais velho e nojento usurário de toda Veneza e nenhum pai teria orgulho de ver sua única filha unida a ele. Desta forma, isso só podia significar uma coisa: meu pai pegara dinheiro emprestado com o príncipe e me oferecera como garantia de um pagamento que, todos sabíamos, jamais viria a ocorrer.
 

Corri para o meu quarto e chorei de tristeza e desilusão, até que em fim, fui vencida pelo sono. Quando a noite caiu, ouvi vozes no andar de baixo e percebi que o meu “príncipe” já havia chegado. Por um momento desejei poder não acordar e viver para sempre nos meus próprios sonhos. Ouvi meu pai chamar, a risada desagradável do meu pretendente e decidi: jamais acordaria.
 

Cerrei meus olhos com força e não me movi quando a criada veio me acordar, não abri os olhos quando ela me sacudiu pelos ombros e nem quando meu pai e Giuseppe entraram e berraram por mim. Permaneci imóvel como um cadáver quando o médico da família me examinou e não voltei a me mexer até estar novamente sozinha no quarto. Furtei um pouco de comida e água e voltei para a cama. No dia seguinte, repeti este ato.
 

 Assim, meses se passaram sem que ninguém me visse acorda ou conseguisse diagnosticar a moléstia da qual sofria. Ouvi a criada dizer, enquanto banhava meu corpo “dormente”, que na cidade todos me chamavam de “Bella, a adormecida” e que haviam feito um jogo de apostas sobre quando eu despertaria. Tristemente, o único pensamento que me veio à cabeça foi: “quanto será que meu pai apostou?”
 

Não preciso dizer que tipo de inferno minha vida havia se tornado, fingindo dormir durante todo o dia e me esgueirando a noite em busca de parcas refeições. Para piorar, Giuseppe me visitava toda semana na esperança de ver-me desperta e juro, mesmo de olhos fechados, eu podia sentir a lascívia daquele velho cafajeste.
 

Portanto, não foi surpresa alguma quando, em uma noite sem lua de outono, o maldito usurário tentou forçar seu corpo contra o meu. O desgraçado esperou até que meu pai adormecesse e tirou em silêncio suas próprias vestes. Quando senti o hálito nojento daquele velho e o toque áspero de sua pele contra a minha, não pude mais manter a farsa.
 

Em um lampejo de rebeldia, busquei o objeto mais pontiagudo que pude encontrar, uma agulha de tricô que a criada deixara ao lado de minha cama, e o cravei com brutalidade no pescoço do atônito agiota. Confesso que sorri quando vi aquele verme engolfar-se em seu próprio sangue e morrer sem pronunciar prece ou palavra de arrependimento.
 

Desde então, minha vida é a eterna fuga...


                    III

Fiquei deveras impressionado pelo relato da jovem e minha cabeça fervilhava com inúmeras perguntas sobre a natureza daquela estória, mas antes que pudesse abrir a boca, o homem de turbante se ergueu e falou majestosamente:
 

— Meus caros, aqueles que hoje vêem minha pobre e humilde figura, não imaginam que um dia eu já fui um príncipe. Mas não se enganem, eu não era um daqueles monarcas gordos e obtusos que ocupam seu tempo com banquetes e orgias, não! Meu nome é Ali Ib Abá e eu era o príncipe dos ladrões!

                    IV

Meus súditos eram também meus queridos irmãos e juntos éramos os 41 patifes mais felizes de Bagdá. Bagdá, oh Bagdá! Nenhuma cidade no mundo pode comparar-se a ti, com teus mercados repletos de cheiros e teus labirintos de vielas onde um homem pode, igualmente, encontrar o amor na ponta de uma faca, ou a morte em um beijo mais doce e letal.
 

A vida na maior cidade do mundo era tranqüila para um canalha como eu, as bolsas eram cheias e os guardas preguiçosos, meus irmãos eram fieis à minha liderança e nenhuma odalisca resistia ao meu sorriso. Em suma, tinha tudo o que sempre desejara. Mas o destino é lobo matreiro e espreita o homem no seu momento de maior fraqueza.
 

Era um agitado dia de mercado, estava eu a perambular entediado, quando vi uma bela jovem de véu negro e olhos de esmeralda me chamar para as convidativas sombras de um beco. Adotei meu gingado mais sedutor e a segui, antecipando prazeres indignos de serem mencionados na frente de uma dama. Sua oferta, no entanto, estava bem aquém das minhas expectativas.
 

— Ali, príncipe dos ladrões!- disse ela, oferecendo-me um pergaminho- Que tal se tornar o homem mais rico de toda Bagdá?
 

 Acostumado com toda a sorte de trapaceiros que costumam fervilhar na Jóia do Oriente, dei de ombros e aceitei, apenas por curiosidade sobre a natureza do golpe. Desenrolando o papel, descobri tratar-se de um mapa das regiões próximas à cidade. Mas, quando voltei a erguer os olhos para perguntar à misteriosa dama qual era o truque, ela já não estava mais lá.
 

Picado subitamente pela víbora da curiosidade, dirigi-me sem demora, nem prudência, para onde havia uma marcação no pergaminho e, lá chegando, não pude esconder a minha frustração. Não havia nada além de um grande paredão de pedra bruta. Chutei a terra, amassei meu turbante e já estava próximo de maldizer o nome de Deus quando, olhando novamente para o mapa, percebi que haviam alguns rabiscos escritos e, apenas por descuido, os proferi em voz alta.
 

— Abre-te, Sésamo!
 

Então, deu-se a maravilha! Uma grande caverna se abriu no rochedo, como a boca de um gigante a bocejar, e dentro dela brilhava uma infinidade de tesouros. Ouro, jóias, tapeçarias, mesmo que todos os sultões juntassem suas fortunas, ainda passariam vergonha diante de tamanha riqueza!
 

Corri como um louco para o interior da estranha caverna, ignorando que seu solo era macio e molhado e as paredes revestidas de um couro rosado quase pulsante. Mal havia tocado as primeiras moedas e estas começaram a se dissolver e a luz solar morreu quando a entrada do covil se fechou. Atemorizado, ouvi o ribombar de uma risada maléfica e entendi o que me ocorrera. Eu estava no estomago de um gigantesco Djim, um demônio do deserto.
 

Eu havia sido ludibriado pelo chamado do ouro e minha ganância seria meu carrasco. Sésamo deveria ser o nome daquele monstro que se fingia de caverna para poder devorar os incautos que buscavam a promessa da riqueza fácil.  Porém, antes que a besta começasse a me digerir, tive uma idéia da qual me envergonho até hoje.

— Então serei devorado?- perguntei para a escuridão- Que tolo é o demônio que troca a refeição de quarenta homens por um mero petisco magricela!
 

A vergonha me obriga ser breve quanto ao resto. O Djim me forçou a firmar um contrato de sangue e, pela salvação da minha vida, atraí cada um de meus irmãos para a boca maléfica da fera. Depois, fugi da vergonha e dos fantasmas de quarenta ladrões que me perseguem todas as noites.


                    V

Ele, então, sentou-se. Por um segundo me pareceu chorar. Percebi que o silêncio se estendeu e entendi que era chegada a hora de compartilhar minha própria estória. Relembrei com vergonha o meu passado e estava prestes a me levantar e confessar meus pecados quando o impensável aconteceu.
 

O cão levantou a cabeça e começou a falar.
 

— Não tenho nome, assim como também não o tinha meu pai, mas ofereço um conselho a todos aqui: jamais confiem em garotinhas com capuzes vermelhos!


                    VI

A diabinha tinha um rosto angelical, belos cabelos castanhos e a voz de um rouxinol. Na verdade, nem era tão garotinha assim, devia ter uns quinze anos ou mais. Para mim é difícil definir a idade das fêmeas da sua espécie.
 

— Venha para a casa da minha avó comigo, seu lobo- disse-me a menina.
 

Respondi que não era lobo algum, mas ela insistiu.
 

— Não tem problema, só preciso que você me proteja na floresta e quando eu entregar esses doces à minha vovozinha, ela vai ficar tão feliz que vai passar um bife na manteiga para você.
 

Eu já havia dito que ela estava carregando uma cestinha de doces? Lembrem-se disso, é importante.
 

 Assim, tomamos um atalho que ela conhecia e chegamos ao cair da tarde na casa da avó dela. Sei que contamos riqueza de uma forma diferente, mas até um cão poderia dizer que a velhota era rica. A casa era repleta de badulaques de ouro e prata, e não havia uma única prateleira sem finas peças de porcelana a orná-la.

A senhora nos recebeu com visível desagrado, mas mudou a expressão quando viu os doces. Fomos para a sala de jantar e a velha não esperou um segundo para começar a devorar os quitutes da cesta. Qual não foi minha surpresa, quando a menina começou a berrar coisas sem o menor sentido.
 

— Vovó, que olhos grandes você tem!

Realmente os olhos da senhora estavam meio esbugalhados...


— Vovó, que nariz grande a senhora tem!


Desta vez eu discordei. O focinho da velha era bem pequeno.


— Vovó, mas que boca grande você tem!


Quando fui reparar na boca da idosa, vi que ela não estava mais mastigando a um bom tempo e que parecia até não estar respirando. Olhei de volta para a menina e tentei avisar.


— Menina- disse eu- acho que sua velha está...


— SOCORRO!- berrou a maldita a plenos pulmões- Um lobo está tentando comer minha avozinha e eu!


O idiota aqui até olhou para os lados procurando o tal lobo. Depois, a única coisa de que me lembro foi um gigantesco lenhador entrando com um machado descomunal e partindo para cima de mim com fúria nos olhos. Escapei por uma janela e corri como um desgraçado! Corri por três dias e, se não tivesse desmaiado, estaria correndo até hoje!


Dias mais tarde, soube que a doce garotinha estava planejando se casar com o lenhador e, juntos, administrar a fortuna da falecida avó...


Não agüentei de curiosidade, juntei toda minha coragem e interrompi o relato do cão.
— E o que aconteceu?- perguntei sinceramente intrigado.


— O que você acha que aconteceu, seu imbecil?- respondeu o canino sinceramente magoado- Eles foram felizes para sempre!

Elsen Pontual

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Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás.

Sobre o apego e as lembranças que escapam lentamente

O primeiro bem que meu pai me deixou, meio sem querer, foi seu aparelho de telefone celular. Não é um smartphone, não acessa a internet. A câmera fotográfica integrada tem parcos megapixels. As pessoas riem do aparelho quando são apresentadas a ele, sem saber que ali dentro, naquela caixa preta, está guardada minha pequena herança particular.

"Uma Aventura Perigosa"

Max de Castro é um funcionário público insatisfeito com trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, escreve uma carta confessional, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Começa então o inferno de Max, angustiado pela possibilidade de seus maiores segredos serem descobertos, ou por sua esposa, ou por sua cunhada, a jovem Sophia, por quem se sente fortemente atraído.

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