Por um país menos racista



O preconceito racial pós-escravidão tomou a forma de preconceito social na sociedade brasileira. A abolição da escravatura seguiu uma tendência internacional, já adotada por países mais desenvolvidos, e o Brasil, fez apenas se adequar à nova ordem mundial, para alcançar a “modernidade”. Não foi por justiça, nem por compaixão, mas por dinheiro. Com a Revolução Industrial e o advento da máquina a vapor, e seus efeitos socioeconômicos, surgiu a demanda de uma sociedade consumidora para as mercadorias produzidas em série, mas quem consumiria os produtos se uma comunidade de escravos não recebe ordenado? Esse conflito de ideologias culminou na libertação dos escravos, pois a nova condição dos países e da indústria exigia o trabalho assalariado.


O resultado é que os escravos foram despedidos sem nenhuma estrutura ou compensação, inclusive, com o veto ao acesso a terra – fato que comprova que a abolição não se realizou por justiça. Como não desejavam permanecer como assalariados de seus ex-senhores, grande parte dos libertos procurou os centros urbanos, principalmente o Rio de Janeiro, a então capital federal, ocupando áreas desvalorizadas, como morros e pântanos.

Os ex-escravos se tornaram então uma população pobre e marginalizada e essa imagem está encravada na figura do negro no Brasil. Os que se sugerem brancos – séculos de miscigenação entre europeus, negros e índios garante a improbabilidade de um brasileiro ser “totalmente” branco – mantém esse preconceito injustificável de o negro ser inferior, porque a história, as políticas públicas e o governo legitimam isso como se fosse verdade todos os dias, marginalizando cada vez mais os negros. A própria política de cotas para negros nas universidades é fruto de uma visão preconceituosa dessa parcela da população pobre, embora alguns a tenham acolhido de bom grado.

O Brasil, que na verdade é uma grande mistura de povos, precisa trabalhar muito para erradicar essa mentalidade injusta e equivocada. Já não é mais possível retirar as comunidades das favelas, contudo, é possível melhorar a qualidade de vida da população brasileira – sobretudo a mais pobre, garantindo ensino público, atendimento hospitalar de qualidade, e segurança, ao invés de fazer uso de políticas assistencialistas ou criação de leis de caráter puramente eleitoreiro, que instituem para minorias discriminadas o que já está instituído. Saúde, educação e segurança já são deveres do Estado, conferidos pela Constituição Federal. Os eleitores cumprem com seus papéis, resta agora que os governantes cumpram com os deles.

Pacheco também é cultura!

Um comentário:

  1. Bom Dia!

    Sim...há muito que se andar ainda, creio eu, pra retirar das mentes atitudes/opiniões racistas, preconceituosas, porque são muitas gerações "educadas" com ideias distorcidas implantadas, passadas adiante, coladas na mente de um jeito difícil de retirar. E conscientização é algo que acontece de dentro pra fora e isso leva tempo.

    Bom artigo. Ótimo blogue.

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