Exatas versus Humanas - um olhar sobre o currículo escolar brasileiro


 
A cultura escolar contemporânea, que valoriza algumas disciplinas em detrimento de outras, como enumerado acima, é fruto de uma concepção política, que predomina na sociedade desde quando se procurou organizar o ensino no país.
Um exemplo bem claro disso é que, as disciplinas Matemática e Língua Portuguesa, estão no currículo escolar desde o ensino básico ao ensino médio, ao contrário de Filosofia e Sociologia. Educação Moral e Cívica, que tinha entre suas finalidades fortalecer a unidade nacional, além de estimular a solidariedade, e formar cidadãos mais responsáveis, baseada em conceitos de ética e moral, foi extinta do currículo, arbitrariamente.

Vemos com isso, que não interessa ao governo a formação de sujeitos críticos, que questionem o instituído, e assim, busquem uma sociedade mais fraterna e menos desigual. Fazendo uso do currículo escolar e suas disciplinas, moldam os indivíduos para integrarem uma sociedade ideal do ponto de vista político (no sentido deturpado da palavra): parcialmente cidadão, com ênfase no voto mais ou menos consciente – com tendência para menos – e a formação de mão-de-obra e massa consumidora, que estimula a produção e o consumo, movimentando a economia, aquecendo o mercado interno e gerando divisas. Essa é uma sociedade fácil de manipular, legisla-se em causa própria e o povo, a nação, não interfere, como um elefante domesticado, que não conhece sua força.

Desse modo, a solução para que a educação forme indivíduos críticos, no tocante ao currículo, é a valorização das disciplinas já existentes, ampliando os anos de atuação e a inclusão – talvez alguma na área de Política – e a reinclusão, como no caso de Educação Moral e Cívica. Só assim teremos, um dia, um povo menos apático e mais sensível aos problemas de nosso país, cidadão críticos, conscientes e livres, pois atualmente, somos todos escravos do mesmo sistema.

Pacheco também é cultura


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