George dos Santos Pacheco e o Rock in Rio

O Capitalismo é realmente interessante! Karl Max deve estar se contorcendo em sua tumba, porque os tentáculos do consumismo tentam nos alcançar a todo instante.
Aguém já reparou como, na iminência do Rock in Rio 2011, tudo agora é do Rock in Rio?
Se vamos à Leader Magazine, há camisas do Rock in Rio, calças do Rock in Rio, calcinhas e cuecas do Rock in Rio, copos, pratos e talheres do Rock in Rio, e tudo mais que você puder imaginar. E não fica só na Leader não, até carro do Rock in Rio já inventaram, a Volkswagen que o diga.

 
Estão tentando nos empurrar tudo quanto é produto vinculado à marca do Festival de Rock, que de rock não tem quase nada. O pessoal do axé vai estar em peso lá, e a Cláudia Leite, lá pelas tantas vai gritar "everybody singing with me", e a galera de dreadlocks e camisas pretas, "Uhul", e ela novamente, "one more time!".
O nome Rock in Rio virou uma marca, é um produto, não tem mais nada a ver com o festival. Deveria se chamar Miscelânea in Rio, ou Babel in Rio, ou algo do tipo. E a mídia está dando tanta importância ao evento que não se cansam de veicular propagandas e tudo que seja vinculado ao assunto. A Bienal do Livro também está por vir, e a ela não é dada tamanha relevância. Na verdade, o que eu acho mais incômodo nisso tudo é que com esse festival, vem um monte de estrangeirismo, coisa da época em que ele foi criado. Não estranhem se a Bienal se tornar Book in Rio, porque é por aí que a coisa vai. (Se lembram do caso Petrobrax?)
Alguém deve ter resmungado "Caramba, o cara é pagodeiro!". Não, eu não sou pagodeiro, e curto bastante rock. Não tenho nada contra o som que vem de fora, mas acho que se deve valorizar o que é nosso, tem muita gente boa por aqui.
A minha principal crítica é o consumismo incentivado pela mídia. Tudo é dinheiro meus amigos, não se assustem. Nos últimos tempos tudo virou Rock in Rio, e isso incomoda. Estou me sentindo um ganso sendo preparado para foie gras.
Certo dia, fui ao posto abastecer meu carro, e na hora de pagar, era um absurdo. Só então vi o preço da gasolina, mais de três reais, e não era aditivada nem nada.
- Caramba, amigo, três reais a gasolina? - perguntei perplexo.
- É, mas é gasolina Rock in Rio! Uhul! - respondeu ele, fazendo aquele gesto reconhecido do rock com a mão.
É claro, isso é uma brincadeira, mas expressa minha indignação quanto a isso tudo. Você agora deve estar se perguntando: "Mas o que diabos esse George tem a ver com o Rock in Rio?"
Nada, eu não tenho nada a ver com o Rock in Rio, apesar de tocar meu violãozinho e curtir "meu rockzinho antigo que não tem perigo de assustar ninguém". Mas que o título do artigo chama a atenção, isso chama, não é mesmo? Hein? Hein? 

Pacheco também é cultura!

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